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“Big Brother”: há barbies na prateleira do Toys ‘R’ Us mais genuínas do que a Iury

O cronista e humorista Miguel Lambertini analisa a mais recente gala do reality show. Na próxima semana acontece a grande final.
Falta uma semana para o programa terminar.

Depois da triste notícia da morte do pai de Ana Catharina, na gala deste domingo, 26 de julho, para tentar aliviar um pouco a tensão e tristeza na casa, o “Big Brother” decidiu que daria aos concorrentes a oportunidade de poder abraçar um familiar ou amigo. Ficámos todos a achar que a produção tinha sacado o patrocínio da Vileda e ia gastar cinquenta quilómetros de papel celofane a embrulhar os familiares. Mas, afinal, o “Big Brother” é mais engenhoso e conseguiu criar uma geringonça que é um género de cabine de visita prisional com luvas de veterinário para ajudar a parir bezerros.

Chupa, Covid, que os portugueses encontraram uma forma de dar abraços! É de facto uma grande ideia que, a meu ver, poderia começar a ser comercializada, não só para permitir abraços assépticos, como também seria ótimo, cá em casa, para mudar aquelas fraldas que a minha filha aprecia encher de cocó e que cheiram a material radioativo.   

Nem todos poderão encontrar-se com os familiares e por isso Cláudio Ramos pediu aos concorrentes para votarem nos colegas que gostavam que tivessem esta oportunidade. A maioria votou na Ana Catharina por razões óbvias, na Sandrina, na Iury e na Soraia. Curiosamente, Iury preferiu votar no Pedro Alves para ver uma amiga, do que na Ana Catharina. 

A Iury acha, portanto, que é mais importante agradar ao namorado bombeiro escolhendo o Pedro, do que a Ana Catharina que soube há um dia que perdeu o pai. Tudo bem que já todos percebemos que há claramente mais química na relação do Pedro com a Marisa do que com a Jéssica, mas só isso não é razão suficiente. E, entre sorrisinhos, expressões irritantes e quilos de maquilhagem, a Iury lá chegou à final. Há Barbies na prateleira do Toys R’ Us que, fechadas na embalagem, conseguem ser mais genuínas e interessantes do que a Iury. 

Eu quando vi a geringonça de dar abraços.

No final, por decisão do “Big Brother”, todos acabaram por poder abraçar os seus familiares ou amigos. Noélia abraçou o seu marido e, claro, não conseguiu deixar de lhe dar umas ordens já que ali estava: “Vais para baixo com cuidado, ouviste?!” Coitado do senhor, tem uma mulher que é nomeada quarenta vezes, é obrigado a ir e vir do Algarve todas as semanas às tantas da madrugada e como se não bastasse ainda fica preso nas mangas de látex, que parecia eu a tentar tirar as braçadeiras do meu filho sem lhe arrancar um braço. 

“Come a banana DES-CAN-SA-DO e deixa-me em paz”

Cláudio Ramos quis partilhar com os concorrentes alguns dos comentários que são feitos sobre eles na internet. O primeiro a ser apresentado foi um comentário sobre o Diogo, em que basicamente insinuavam que ele é falso e usa o politicamente correcto para não se comprometer. Ainda não percebi quem é que odeia o Diogo na produção do “Big Brother”, mas acho que já está na altura de se render às evidências.

A produção do “Big Brother” está em total negação, parece aqueles senhores que usam capachinho e acham que ninguém topa. Como diz o próprio Diogo: “Aceita que dói menos”. Logo a seguir, o comentário dirigido ao Pedro Alves é de alguém a dizer que gosta dele. Tenho pena do estagiário que puseram a vasculhar a web para encontrar um comentário favorável sobre o Pedro. No fundo, é como um mecânico que diz a verdade, até existe mas é muito difícil de encontrar. Eu acho que este comentário é claramente de um perfil falso da Marisa, mas ok, boa tentativa. 

Cada vez que o Hélder fala.

Pedro e Hélder fizeram a vida negra a Noélia esta semana, e conseguiram pôr a concorrente à beira de um ataque de nervos e a falar ainda mais alto do que ela normalmente já fala. Irritada com os comentários dos traquinas do infantário, Noélia explode e grita para Helder: “Tu tens 39 anos, brincas com a pichota!” Hélder riu-se, provavelmente porque ouviu uma asneira em voz alta e a professora diz que isso é uma coisa muito feia que os meninos não devem fazer e depois continuou a azucrinar a cabeça de Noélia, juntamente com Pedro Alves.

Já em desespero, Noélia explica que não está irritada MAS-CO-ME-ÇA-A-FA-LAR-A-SSIM, a dividir as sílabas, como aquelas pessoas que acham que se falarem assim com um estrangeiro ele vai ficar a perceber português. “VI-RA NA SE-GUN-DA À ES-QUER-DA, understand?” 

Entretanto, a dada altura, Cláudio Ramos achou que era boa ideia imitar a voz do “Big Brother” e depois pediu desculpa, ao que este respondeu: “Não há problema, Cláudio”, imitando a voz do apresentador. Foi um grande momento de televisão e, para mim, depois do Manuel Marques e da sirene dos Bombeiros Voluntários do Beato, esta imitação da voz do Cláudio está no top 3.

Quando percebemos que o Pedro Alves vai finalmente sair.

Na próxima semana será já a grande final e a gala que ditará quem será o vencedor ou vencedora desta edição do “Big Brother 2020”. Ana Catharina queria ser a “Big Sister” e levar consigo apenas mulheres à final e, ontem, com a expulsão de Pedro Alves, o seu desejo ficou mais perto de se concretizar. Uma conquista agridoce já que a concorrente foi surpreendida no sábado, com a notícia da morte do pai, num acidente de viação.

“É preciso ter azar”, comenta alguém dentro da casa quando Diogo conta o que se passou. É acima de tudo terrível, mas como dizia alguém, tudo acontece por uma razão e estar fechada num reality show talvez seja o melhor que lhe podia acontecer numa situação como esta. Ana tem apoio psicológico, mas tem também lá dentro o abraço generoso do Diogo e cá fora milhares de anónimos que conquistou e que lhe darão a energia positiva de que precisa, quando sair do aconchego da casa. Perder um pai ou uma mãe é a lei da vida, claro, mas não deixa de ser uma merda e devia ser proibido. Embora por razões distintas, a Ana perdeu o pai sem ter oportunidade de se despedir, tal como a própria Noélia, e muitas outras pessoas neste contexto cruel em que vivemos atualmente. Esta crónica é dedicada a essas pessoas e aos meus pais, com quem felizmente falo todos os dias, sem me aperceber do enorme privilégio que isso é.

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