Televisão

“Big Brother: A Revolução”: os bonecos de plástico, os infiltrados e o regresso da Teresa

O humorista e cronista Miguel Lambertini analisa ao detalhe o "Big Brother: A Revolução" — e o regresso Teresa Guilherme.
Teresa Guilherme está de volta.

A expectativa era grande para assistir ao regresso de Teresa Guilherme aos comandos de um reality show e acima de tudo para descobrir o que é afinal este “Big Brother A Revolução”, que estreou ontem, 13 de setembro, na TVI. A primeira parte foi fácil de perceber, Teresa Guilherme esteve igual a si própria e cumpriu: assertiva, dominante, bem disposta e com a confiança de quem faz televisão desde os tempos em que ela e o Manuel Luís Goucha ainda tinham bigode. Já o formato do programa em si, ainda hoje estou aqui a tentar perceber o que aconteceu naquelas três horas de emissão, porque a confusão foi tal, que perto disto, o 25 de Abril de 1974 foi uma pasmaceira.

A primeira grande mudança que resulta desta “Revolução” foi a remodelação da casa da Ericeira que passou de ter o aspecto de casa do jogador de futebol para casa de predador sexual. Isto porque para além de um muro enorme que impede os concorrentes de terem qualquer vislumbre e contacto com o exterior — saudades dos “amo-te, bida!” — agora há também uma cave secreta, com aspeto manhoso, onde os infiltrados se escondem dos concorrentes.

Sim, porque agora há concorrentes, não concorrentes e infiltrados que tentam lixar os concorrentes para eles próprios passarem a ser concorrentes. Confuso, não é? É sim senhor, mas não fica por aqui, porque mesmo depois de entrar na casa, isso não significa que possam entrar efetivamente na casa, já que a maioria dos concorrentes ficou fechada no jardim dentro de uma jaula. Confuso, não é? Não, aqui já é mesmo só parvo.

Por outro lado está bem visto, porque a avaliar pelo leque de concorrentes desta edição do Big Brother o mote jardim zoológico assenta-lhes bem. Se na última temporada tínhamos um casting de “pessoas reais” que acabaram por dar foco a problemáticas importantes, nesta edição do “Big Love on Top Secret Story Brother”, voltamos aos bonecos da fábrica de concorrentes de plástico da Mattel que fornece os reality-shows em todo o mundo, há mais de 20 anos.

O chorrilho de frases feitas “odeio pessoas falsas-sou um vencedor por natureza-acredito nos meus sonhos-a mim ninguém me dá lições de vida” é angustiante, mas pelo menos o Tik Tok vai ficar cheio de áudios bons para as pessoas fazerem videos de lipsync. Claro que de entre todas estas fotocópias há uns originais que se conseguiram destacar na noite de ontem, a começar pelo André Filipe, que é uma mist entre o semideus do filme de animação Moana e o Boy George, se o Boy George fosse filho do Herman José com um cocker spring Spaniel.

O André quer muito ser famoso, e o seu maior sonho é participar numa novela. Apresentou-se como digital influencer, terapeuta de reiki mas as vibrações que este indivíduo emana são um pouco difusas. Senão vejamos, o André fez questão de mostrar que tem sempre dois pentes: “um para alisar o cabelo e outro para fazer caracóis angelicais” e acredita que depois de entrar na casa vai ficar sem namorada. Depois desta apresentação a questão que fica no ar é como é que ele conquistou uma namorada, em primeiro lugar? O André é um dos infiltrados embora seja o único deste grupo que não precisa de viver no bunker e é obviamente o meu concorrente favorito.

Depois continuamos por aí abaixo, com mais algumas personagens como por exemplo o Michell que é membro da banda Wet Bed Gang e diz desiludido que tem cinco namoradas, mas “elas não confiam em mim”. Que estranho, porque será? Não faz sentido, alguém que tem cinco namoradas é claramente uma pessoa com enorme capacidade de compromisso, porque uma relação já dá trabalho, cinco em simultâneo não é namoro é um número de trapézio sem rede do Circo do Soleil. Uma das barras onde o Michell gosta de se pendurar é curiosamente uma das novas concorrentes que também entrou ontem para a casa.

A Joana diz que é uma “beta de cascais” e está no programa para mostrar os “costumes e valores de Cascais”. Tipo o quê, levar bancos à falência? Deixa estar, Joana, nós assistimos às audiências parlamentares do BES e estamos todos bastante familiarizados com os “costumes e valores de cascais”. Quem também lida com dinheiro que ninguém consegue ver é outra das minhas concorrentes favoritas, a Diana, que tem 31 anos e trabalha na área das criptomoedas.

A concorrente tem uma gata que apresenta como sendo sua filha, é germofóbica e acredita em extraterrestres. Acho que para começar está bom, mas Diana não se ficou por aí porque contou também que a sua Lua de mel foi passada na Coreia do Norte, o que mostra que ela afinal não é assim tão chanfras como parece. Passar a lua de mel na Coreia do Norte é inteligente, porque não há melhor preparação para o que será o casamento do que viver uma semana em ditadura.

“¡Hasta la revolución!”, gritou ontem Teresa Guilherme ao fechar a estreia de “Big Brother A Revolução”. E como diria a própria no seu estilo de rainha do trocadilho, a avaliar pelos números desta primeira batalha, La Comandante Cristina fez uma boa aposta, veremos se será o suficiente para ganhar a guerra das audiências e dar uma charutada na concorrência.

Luís ou Michell, quem será infiltrado?

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