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“Big Sky” é o novo thriller viciante: “O guião quase me caiu das mãos quando estava a ler”

A NiT entrevistou o ator Ryan Phillippe, uma das figuras principais da nova série da Disney+, do criador de "The Undoing".
Ryan Phillippe falou com a NiT.

Conhecemo-lo de filmes como “Colisão”, “Gosford Park” e “Estranhas Ligações”. Agora, aos 46 anos, Ryan Phillippe é um dos atores de “Big Sky”, o novo thriller de David E. Kelley (o criador de “Big Little Lies” ou “The Undoing”). Está disponível em Portugal desde esta terça-feira, 23 de fevereiro, quando foi lançada a área Star, na Disney+, com filmes e séries para um público adulto.

A história, que se baseia num livro escrito por C. J. Box, centra-se num caso de rapto que acontece no estado americano do Montana. Dois detetives privados, Cassie Dewell and Cody Hoyt, juntam-se à mulher separada de um deles (e também ex-polícia), Jenny Hoyt, para procurar as duas irmãs desaparecidas, que foram levadas por um camionista. 

Contudo, quando descobrem que este não é o único caso do género na região, entram numa perseguição contrarrelógio para capturar o assassino antes que haja mais vítimas. Leia a entrevista da NiT com Ryan Phillippe.

Como é o Cody enquanto personagem e qual é a relação que tem com os outros protagonistas?
O Cody Hoyt é um ex-polícia, agora trabalha como detetive privado. Ele teve problemas de alcoolismo e quando o encontramos no início da série ele está numa melhor fase, mas está separado da mulher. E entretanto começou uma relação com a sua colega. Por isso criou-se este triângulo amoroso que é desconfortável nalgumas ocasiões, mas esperemos que interessante de ver [risos].

Há um grande plot twist no primeiro episódio em relação à sua personagem. Foi surpreendente para si?
Foi uma surpresa absoluta. O meu agente, quando me enviou o guião, não me disse qual seria o fim do primeiro episódio. E o guião quase me caiu das mãos quando eu estava a ler. A surpresa chocante é o precedente para toda a série. Porque cada episódio vai ter uma reviravolta e uma mudança inesperada, e eu sempre gostei desse tipo de televisão, em que cada episódio termina com um cliffhanger, que faz com que queiras mesmo muito ver o próximo. Isso é certamente o que “Big Sky” tem.

Quando começou a ler o guião, hesitou em aceitar o papel?
Quer dizer… Eu sabia que ia ser uma surpresa, que algumas pessoas iam ficar chocadas ou desapontadas sobre certos aspetos, mas é entusiasmante fazer parte de algo que é único de certa forma. E que te diz para esperar o inesperado e que tudo pode acontecer e que ninguém está a salvo. O público tem mesmo de prestar atenção e há surpresas durante a temporada inteira. Aquela que está no primeiro episódio é só a primeira de muitas.

Qual foi a maior razão para que tivesse querido fazer parte deste projeto?
Primeiro do que tudo, trabalhar com o David E. Kelley. O trabalho dele é incrível, fez tantas coisas boas em televisão durante tanto tempo e isso foi entusiasmante. E quando entrei, percebi que era uma série que vai surpreender as pessoas. E tem personagens femininas ótimas — tipos de personagens que tipicamente seriam homens. Elas são espertas, duras, têm muitas camadas e dimensões. E também fiquei entusiasmado com isso. E é importante relembrar que estas personagens já existiam no livro.

Teve de fazer algum tipo de preparação especial para interpretar esta personagem?
Nem por isso, não muito. Li partes do livro sobre a minha personagem, para entender quem ele é e para onde é que ele ia — e sobre a sua mulher. Cada projeto exige um nível diferente de preparação e para este não foi assim tão extremo para mim. Além disso, já interpretei no passado polícias e investigadores e coisas do género, por isso já conheço um pouco desse mundo.

Como foi trabalhar em pandemia? A própria série aborda a questão, apesar de não falar muito dela.
Nós fomos uma das primeiras grandes produções a retomar [depois da interrupção causada pela pandemia]. Houve grandes protocolos e orientações a seguir, fomos testados quase todos os dias e havia zonas separadas entre a equipa e os diferentes departamentos, que não podiam interagir, o que é muito estranho. Porque, normalmente, quando fazes um filme ou uma série de televisão, é uma experiência social. Tens tempo para formar relações com as pessoas. E não houve nada disso. Tínhamos chamadas de Zoom e coisas do género, mas é completamente diferente. E também foi muito estranho no set porque as caras dos atores eram as únicas que estavam destapadas. Olhavas à volta e estava tudo em equipamentos de proteção e com máscaras, parecia algo de outro mundo às vezes. Mas quando chegavas mesmo ao set para uma cena com um colega ator, começas-te a sentir normal e a entusiasmar-te com isso porque era a única forma de interagires [risos]. E acho que muitas séries tiveram de fazer essa decisão: assumimos a pandemia? Ignoramos? Fingimos que foi antes do que aconteceu? Eles tiveram de lidar com essa decisão, decidiram fazer uma referência mas não fazer com que dominasse toda a série. E “Big Sky” é baseada num livro que já existia antes da pandemia.

O quão importante é o cenário?
O cenário em si é quase uma personagem na série. O estado do Montana tem esta beleza natural mas também é muito selvagem e cru. Há estes grandes espaços abertos onde qualquer perigo pode estar à espreita e acontecer. É perfeito para este tipo de série. Combina muito com a história e o tom. E há muito tempo que não via uma série passada no Montana desta forma. Há a série “Yellowstone”, mas este tom é muito diferente, lembra-te mais de “Twin Peaks” ou “Fargo”, onde há estas personagens estranhas, nunca sabes realmente o que está a acontecer com elas e elas revelam-se durante a série.

O Montana é mesmo perigoso como na série ou nem por isso?
Eu passei tempo lá, fui a Yellowstone e achei mesmo adorável. Mas é um grande cenário para colocar um mistério e um thriller, porque há muita coisa desconhecida. O Montana não é um estado com muitas pessoas, por isso parece uma terra onde tudo pode acontecer e pode estar cheio de surpresas.

Já conhecia alguns dos outros atores do elenco?
Não, não conhecia ninguém. Eu era um grande fã do trabalho do John Carroll Lynch, já o tinha visto em muitas coisas. Aliás, já tinha estado com a Katheryn, temos amigos em comum, mas nunca tínhamos passado muito tempo juntos. Mas o elenco é fenomenal. Se há algo em que temos de ter orgulho nesta série é, primeiro, a escrita e, depois, as interpretações. Não há nenhum elo fraco.

Gostaria de fazer uma prequela desta série?
Tem havido algumas conversas sobre isso, vamos ver. Eu estaria aberto a isso, sem dúvida. 

Qual foi o maior desafio em fazer “Big Sky”?
Acho que foi mesmo trabalhar durante a pandemia. Não só por te protegeres a ti próprio e a tentar que não fiques doente, mas também por teres de proteger o resto da equipa e elenco. Enquanto eu posso ficar bem na minha condição, alguns dos atores são mais velhos, alguns têm problemas de saúde. Por isso foi um esforço comunitário para nos mantermos seguros e nos protegermos. E ninguém ficou doente. Foi difícil, mas temos que nos adaptar. É um tempo diferente, mas todos queremos trabalhar, por isso estivemos dispostos a fazer tudo o que foi preciso.

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