Após uma terceira temporada centrada no casal “Polin”, nesta quarta temporada de “Bridgerton”, a Netflix e a Shondaland preparam-se para dar o palco ao irmão mais boémio, artístico e, até agora, emocionalmente errante da linhagem: Benedict.
Se a jornada de Colin e Penelope foi sobre a coragem de ser visto, a de Benedict será sobre a ousadia de ver para lá das convenções. Baseada no livro “Um Perfeito Cavalheiro” (“An Offer from a Gentleman”), de Julia Quinn, a quarta temporada chega à plataforma de streaming como “a mais ambiciosa da série até à data”. A primeira parte estreou esta quinta-feira, 29 de janeiro, e a segunda será daqui a um mês, a 26 de fevereiro.
Este novo capítulo acrescenta ao habitual glamour da época da Regência um “toque de conto de fadas e uma pitada da dinâmica social de ‘Downton Abbey’”. Nos próximos episódios não haverá “dotes nem contratos de casamento tradicionais”, mas uma história de amor ao melhor estilo “Cinderela”.
Após três temporadas a explorar a sua veia artística e os triângulos amorosos, Benedict (Luke Thompson) encontra-se num momento de transição e pronto para mudar de vida. O catalisador dessa mudança é Sophie Baek (interpretada pela atriz australiana-coreana Yerin Ha).
Ao contrário das estreantes das temporadas passadas, Sophie não chega numa carruagem dourada. Filha ilegítima de um conde, é forçada pela madrasta, Lady Araminta Gun (Katie Leung), “a uma vida de servidão”. A personagem marca outra estreia no universo Bridgerton: é a primeira protagonista da série a conhecer a dureza do trabalho braçal.
O encontro mágico desta temporada acontece num baile de máscaras organizado por Violet Bridgerton, inspirado em “Sonho de uma Noite de Verão”, de William Shakespeare. Sob o manto do anonimato e à luz de “um milhão de velas”, Benedict apaixona-se por uma “Dama de Prata” que desaparece à meia-noite. O destino, porém, acaba por trazê-la à casa dos Bridgerton, não como dama, mas como criada.
Uma das principais novidades deste quarto ano é a expansão da narrativa além dos salões de baile. Pela primeira vez, a série “desce as escadas” para mostrar como vivem os criados, o chamado “piso de baixo”. A governanta Mrs. Wilson e o lacaio John, personagens que antes eram apenas parte do cenário, vão ganhar mais tempo de ecrã.
Esta mudança de perspectiva é crucial para a história de Sophia, considera a showrunner Jessica Brownell. “Ela não é apenas uma donzela em apuros; é uma sobrevivente”, sublinha. Descrita como astuta e perspicaz, Sophie teve de aprender a ler as pessoas e a antecipar perigos para sobreviver à crueldade da madrasta e das meias-irmãs, Rosamund e Posy Li.
A inteligência prática de Sophia será um choque com o mundo real para o idealismo de Benedict. “Ele representa a fantasia; ela, a realidade”, resume a produção.
Embora o foco esteja seja o novo casal “Benophie”, este capítulo continua a acompanhar o desenvolvimento das histórias das temporadas anteriores. Anthony e Kate (Jonathan Bailey e Simone Ashley) regressam da Índia com o seu primeiro bebé; Penelope e Colin também estão a navegar a parentalidade e “Lady Whistledown”, cuja identidade já não é um segredo para a elite, está agora numa nova fase (mas o seu poder de observação continua intacto).
Visualmente, a quarta temporada promete “uma atmosfera mais mística e campestre”. O principal cenário será a mansão de Benedict, que descreve como “A Minha Cabana”, onde a natureza desempenha um papel fundamental. E, para os fãs de momentos icónicos ao melhor estilo Jane Austen, há uma cena de natação que poderá rivalizar com o famoso mergulho de Anthony na segunda temporada, ou “com a valente molha” de Mr. Darcy em “Orgulho e Preconceito”.
Na banda sonora, a fórmula mantém-se: as versões clássicas de sucessos pop vão continuar a ser a alma das festas. O repertório de Taylor Swift voltará a servir de inspiração, que será misturado com hinos do rock, que remetem para o espírito mais rebelde e artístico de Benedict.
Esta quarta temporada representa uma clara expansão do universo “Bridgerton”, através de uma narrativa que “desafia as fronteiras sociais e a própria estrutura de privilégio” que o sustenta. Porém, os ingredientes que fazem da série uma das bem sucedidas da Netflix continuam todos lá, — das lágrimas aos suspiros e aos mal-entendidos à meia-noite, — mas misturados de outra maneira.
Sem esquecer, claro, as novas adições à receita; uma madrasta que todos vão adorar odiar e a química inegável entre um casal que nunca se devia ter formado. “Às vezes, o maior ato de rebeldia é amar uma pessoa na qual não deveríamos sequer notar”, resume a produção.
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