Televisão

“Casados”: Luís esteve quase a ser estrangulado por João que jurou não estar amuado

O humorista e cronista Miguel Lambertini analisa o episódio deste domingo do programa da SIC.
As tensões estiveram ao rubro.

Este fim-de-semana tivemos o Jubileu da Rainha Isabel II e eu adorei acompanhar — embora sempre de óculos de proteção para não queimar as retinas por causa daquelas cores tramadas que a Rainha escolhe para os seus vestidos —, mas acima de tudo para não olhar diretamente para a cara da Camila. Tive pena de não ter participado nas comemorações ao vivo, mas espero poder ter saúde para ir a Londres em 2052, aplaudir a rainha pelo seu 100.º ano de reinado. E, se tiver tempo, ainda aproveito para ir a Old Trafford ver um joguinho do Cristiano Ronaldo, já que só deve parar de jogar lá para 2094.

Foi um bonito espetáculo de luz, cor e gafes da Judite de Sousa que mostra que não é apenas a Netflix que tem boa comédia — a televisão portuguesa também oferece momentos galhofeiros. Prova disso mesmo foi o último episódio de “Casados à Primeira Vista” que está na reta final, mas continua com momentos de fazer rir.

Os casais mudaram-se para um acampamento estilo “África Minha”, mas Cristina não gostou das condições e optou por ir embora. No jantar dessa noite os casais aproveitaram para arrasar a concorrente: “vamos ser sinceros e honestos com todos, ela não estava disposta nem sequer o Luís desde início. Se não está disposta, tem de ir embora!”, disse Bruno. E nem sequer o marido, Luís, ficou de fora nas críticas: “eu tinha medo da Cristina, a sério. Dizia sempre que estava bem para ver se ela se acalmava”. Coitado do Luís. Felizmente o ex-treinador não tem nenhum coelho, senão era possível que aparecesse a boiar numa panela, durante o acampamento.

Ao longo da sua estadia no campo, os casais foram desafiados a realizar algumas atividades. Doina levou demasiado a sério a sua tarefa de instrutora e entrou em modo sargento do “Full Metal Jacket”. Ou seja, basicamente aproveitou aquele momento para se vingar do Uicãa. Dias e dias a dormir no sofá, enquanto o outro estava que nem um lord a dormir na caminha, iam agora finalmente ser compensados com 350 burpees e duas horas a fazer prancha. Claro que Uicãa já tinha feito muito esforço na noite anterior a abrir as garrafas de cerveja e, por isso, desistiu passado pouco tempo. Não o julgo, fazer exercício físico de ressaca é como estar dentro de uma máquina de lavar roupa, em centrifugação, a tentar ler um livro do Chagas Freitas. Por outro lado, não tinha sido mal pensado, porque com o álcool que o Uicaa ia destilar durante a sessão era capaz de dar para fazer mais uma caipirinha.

Outra das atividades foi uma aula de dança com a instrutora Andreia, uma senhora que além dos inegáveis dotes artísticos tem uma queda grande para onomatopeias. “Trau, ratatau, trunca, trau-trau” disparava Andreia com a sua metralhadora vocal enquanto tentava explicar a coreografia sensual à Dulce, ao João e ao Luís. João não achou muita piada à brincadeira de ter de partilhar a mulher com o arqui-inimigo Luís e tentava disfarçar o rancor com fadiga. “Já posso ir fazer a sesta?” perguntou à instrutora. Luís aproveitou a ocasião para dar tudo em palco e mostrar à Dulce que também está ali para as curvas e que, ao contrário do que acontecia com a Cristina, não tem medo dela —, antes pelo contrário. A dedicação de Luís deu mesmo frutos porque numa competição em que os restantes casais eram os jurados, a participação escolhida com a melhor prestação foi mesmo a de Luís e Dulce.

Depois deste “Dança Com As Estrelas” versão sénior, João ficou de trombas, mas garantiu que não estava nada chateado. Uicãa pergunta a João: “preferias dar um abraço ao Luís ou sair da experiência?”. O marido de Dulce é rápido na resposta, “preferia sair.” E acrescenta: “não guardo rancor a ninguém…” Claro que não, o João nunca fica chateado, a única coisa que lhe apetecia era apenas apertar o pescoço ao Luís, agora chateado não, que exagero.

Entretanto, Luís quis manter o seu ímpeto artístico e num look texano em ganga com ganga, entoou uma canção de Julio Iglesias para o pequeno auditório de casais. Quer dizer, “entoou” se calhar é um exagero, foi mais “assassinou”. O que vale é que o público, tal como o João, não guarda rancor. E como diria a instrutora Andreia, o que interessa mesmo é manter a postura e fazer “trau, trunca, ratatau”, pelo menos três vezes por semana.

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