Televisão

“Clãs da Galiza”: para uns uma inspiração de”Narcos”, para outros uma realidade espanhola

Trata-se de mais uma produção espanhola que junta Ana, uma advogada, e um traficante, Daniel. A produção já chegou ao top da Netflix.
"Clãs da Galiza" é a nova produção espanhola da Netflix.

Embora também seja uma série sobre o comércio de estupefacientes, “Clãs da Galiza” é muito diferente de “Narcos”, “Breaking Bad” ou “The Wire”. A trama de desenrola-se no noroeste de Espanha — o porto da região é uma conhecida plataforma de tráfico, que já provocou mortes.

A produção chegou à Netflix a 21 de junho e alcançou rapidamente o top dos conteúdos mais vistos em Portugal, estando em segundo lugar no resto do mundo. Ultrapassou “Bridgerton”, que se mantinha na liderança desde que regressou à plataforma, a 13 de junho. 

Tudo começa quando uma advogada, Ana (Clara Lago) se muda para a pequena localidade de Cambados, na Galiza, após descobrir que o seu pai foi morto a tiro, no porto das Ilhas Canárias, onde testava atracado o iate que alugava. É nesse momento que desvenda o passado do progenitor, percebendo que este fez parte de uma gangue criminosa galega que traficava drogas para a Península Ibérica.

Em vez de ficar de braços cruzados, instala-se na cidade de Pontevedra para abrir o seu próprio escritório e descobrir a verdade sobre o passado da família. A sua chegada chama a atenção de Daniel (Tamar Novas), filho de um importante criminoso ligado ao narcotráfico, que lidera agora os negócios da família Padín, enquanto o pai está preso. Nenhum esperava que existisse uma entre os seus familiares, naquele que terá sido um enredo de traições.

 “Não é uma típica história de amor”, sublinha Tamar Novas. “Os desenvolvimentos contam com muitos elementos de tragédia, por isso que não embeleza a realidade. A relação amorosa entre ambos é apenas mais um risco entre todos os que são contados”, afirma em entrevista ao “El Telvisero”.

Por sua vez, Clara Lago, admite que, apesar de Galiza e as drogas serem “o palco e o campo de jogo para que aconteçam todos os outros enredos — afetados por esse cenário de tráfico — a trama tem realmente a ver com valores, com emoções”, conta ao mesmo jornal. 

“Ou seja, os temas verdadeiramente poderosos são a vingança, o amor, a traição, a dor e a lealdade. O que te deixa preso à história não é tanto o contexto, são os sentimentos que vão chegando até ao público e que o fazem ter empatia pelos personagens” conclui. 

Alguns críticos defendem que podemos estar perante uma versão espanhola de “Narcos”, e que se trata de um enredo já demasiado explorado por outras séries, podendo levar ao cansaço da audiência. No entanto, os atores acreditam colocam em causa o porquê de se tratar de um assunto tão abordado no universo do entretenimento.

“É como poder perscrutar um mundo desconhecido e suponho que seja atraente pela morbilidade que o proibido nos proporciona”, afirma Lago. “Existem muitas produç~es que abordam este tema, porque se consome muita droga e é importante perceber de onde é que isso vem”, contrapõe Novas.

Ainda assim, alguns entendidos advogam que a série se diferencia por apostar num ângulo mais pessoal. Embora existam elementos genéricos que a impedem de atingir o seu potencial, brilha devido à dinâmica entre os atores principais, com uma atração e tensão sexual bastante evidente entre ambos. A história “ganha força”, à medida que os episódios avançam, argumentam.

A primeira temporada de sete episódios conta ainda com a presença de Nuno Gallego, Francesc Garrido, Maria Pujalte, Diogo Anido, Melania Cruz e Miguel de Lira. Foi realizada por Roger Gual e escrita por Jorge Guerricaechevarria.

Carregue na galeria e conheça algumas das séries e temporadas que estreiam em junho nas plataformas de streaming e canais de televisão.

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