Televisão

Cole Hauser: “Chegámos a gravar cenas sob o calor de 47 graus do Texas”

"Rancho Dutton", a nova sequela de "Yellowstone", chega esta sexta-feira ao streaming. À NiT, o protagonista conta como foi a experiência.

“Tudo é novo e fresco nesta série, do princípio ao fim”. É assim que Cole Hauser descreve, em exclusivo à NiT, “Rancho Dutton”, a nova sequela de “Yellowstone” que chega esta sexta-feira, 22 de maio, à plataforma SkyShowtime. A obra vai acompanhar Rip e Beth, o casal mais famoso do universo criado por Taylor Sheridan.

“É um novo começo, uma nova terra e uma nova forma de ser cowboy”, acrescenta o ator, de 51 anos, que dá vida a Rip. “Eles têm novas personagens nas suas vidas, o dormitório dos cowboys já não existe e o Carter [Finn Little] ainda lá está. Obviamente, eles tentam guiá-lo para o futuro”.

A série, que conta com Chad Feehan como produtor executivo e showrunner, vai acompanhar Rip e Beth (Kelly Reilly) na luta para construirem um futuro juntos no Texas, ao mesmo tempo que criam Finn, o miúdo que acolheram ainda em “Yellowstone”.

Desta vez, o grande obstáculo do casal vai ser um rancho rival, conhecido como 10 Petal e gerido pela família Jackson, que tem Beulah Jackson (Annette Bening) como matriarca.

“O que não sabemos à partida é que há um rancho mesmo ao lado e há pessoas lá que, no final de contas, não nos querem ali”, conta o ator. “Eles queriam a terra e acabámos por obtê-la de uma mulher que nos amava muito. À medida que a série avança, vão ver as dificuldades em ambas as famílias, tanto a Dutton, como a Jackson”, conta.

Na nova obra, Taylor Sheridan assume o papel de produtor executivo, assim como aconteceu em “Marshals: A Yellowstone Story”, sequela, que chegou à SkyShowtime a 2 de março. Acompanhava Kacey Dutton (Luke Grimes), irmão de Beth e filho de John (Kevin Costner), na sua nova vida como parte da unidade de elite dos U.S. Marshals no estado norte-americano de Montana. 

Em “Rancho Dutton”, porém, a história leva os fãs para mais de dois mil quilómetros de distância da cidade. No Texas, Rip e Beth vão continuar a vida de casados com novos desafios, mas sem perder toda a essência daquilo que passaram ao longo de cinco temporadas de “Yellowstone.” 

“Penso que o mais incrível na Beth e no Rip é que conseguem fazer praticamente qualquer coisa, seja mudar de um estado para outro, adaptar-se a um ambiente ou a pessoas”, explica Hauser. “É isso que o Taylor [Sheridan] sempre me disse, que o Rip é uma daquelas pessoas capazes de fazer qualquer coisa. E, quando se trata da vida de um rancheiro, é preciso fazer ou morrer, juntamente com o rebanho.”

Além dos desafios da nova vida, a obra vai retratar momentos da adolescência de Beth e Rip, que nunca chegou a ser aprofundada em “Yellowstone”, com exceção de alguns flashbacks sobre a forma como se conheceram, aos 15 anos. Nessa altura, Rip é acolhido por John, pai de Beth e proprietário do Yellowstone Dutton Ranch, o maior rancho do Montana, depois de fugir de um passado violento. Até então, ainda miúdo, vivia com o pai abusador e alcoólico que agredia constantemente a mãe e o irmão.

O momento decisivo acaba por ser uma discussão do pai de Rip, que resulta no homicídio da mulher e de um dos filhos. Revoltado, Rip acaba por matá-lo e refugia-se no rancho de John, onde começa a aprender uma nova vida como cowboy. Aí, conhece Beth, já marcada pela personalidade intensa e rebelde, e os dois aproximam-se. Desde o início, a relação nasce de forma crua e emocional: Rip encontra em Beth alguém que o compreende sem julgamentos, e Beth vê em Rip uma lealdade que aprecia. 

Ainda jovens, começam a construir um dos romances mais fortes da série, que cresce ao longo das cinco temporadas, terminando com um casamento insólito e improvisado à porta da casa principal do rancho de Yellowstone.

Agora, longe dos fantasmas do Montana, vão ter de enfrentar uma série de desafios ainda ligados à vida no campo. Hauser conta-nos que uma das maiores qualidades de Rip é ser um “tipo que consegue adaptar-se a qualquer coisa”.

“É alguém que passou por poucas e boas na vida e acho que se não se soubesse adaptar, não estaria onde está”, refere. “Consegue ser um camaleão às vezes, quando quer, e desenrascar-se como um cowboy de qualquer maneira, considerando que aprendeu sozinho a lidar com algumas das piores tempestades do Montana e agora com o calor do Texas.”

O sol quente do Texas, por sua vez, não foi duro apenas para as personagens. Durante as gravações, Hauser recorda que chegaram a apanhar 47 graus, sobretudo nos meses de verão. “Estava de chapéu preto, camisa preta e perneiras pretas, montado num cavalo sem sombra. Acho que só o facto de me manter em cima do cavalo já foi um feito”, diz. “Por isso, estou muito orgulhoso por termos conseguido terminar as cenas e por ter conseguido dizer as minhas falas, o que, quando estás a derreter, não é fácil”. 

Fotografia: Emerson Miller/SkyShowtime.

O novo cenário, segundo o ator, será uma das poucas diferenças da nova rotina do casal. Afinal, Beth e Rip continuam a comandar um rancho, com tudo o que isso implica.

“A única coisa que diria que é diferente no início é a topografia, o relevo, o jeito dos cowboys e o facto de a água ser escassa. Mas, tirando isso, a vida de cowboy é a vida de cowboy”, sublinha. “É um ambiente difícil e diferente, mas, no final de contas, com as pessoas certas, a ajuda do Carter e a energia que a Beth dedica ao rancho, acho que vão ter sucesso.”

Além de Annette Bening, a obra conta com outro nome de peso: Ed Harris, que dá vida a Everett McKinney, um experiente tratador e veterinário de grandes animais. “Foi uma honra absoluta [trabalhar com eles]”, diz o ator. “Não consigo descrever o quão honrado me sinto por fazer parte de uma série que conta com duas lendas incríveis do cinema americano e agora da televisão”.

O australiano Jai Courtney juntou-se também ao elenco como Rob-Will Jackson, um dos capangas do rancho rival ao do casal protagonista. 

Acima de tudo, “Rancho Dutton” surge para satisfazer uma antiga necessidade dos fãs: explorar com maior profundidade a dinâmica e a relação do casal que conquistou o público. Para Hauser, o sucesso deve-se ao “amor e perigo” que representam. 

“Acho que o melhor destas personagens, e posso falar pela Kelly também, é que temos estas nuances maravilhosas, não só perigo e não só amor, mas também compaixão, amor pela terra”, aponta Hauser. “Passámos momentos maravilhosos a interpretar essas nuances ao longo dos anos e isto continua em ‘Rancho Dutton’, que vai continuar a explorar todos estes aspetos de que espero que o público goste.”

Além de “Rancho Dutton” e “Marshals: A Yellowstone Story”, o universo criado por Taylor Sheridan inclui as prequelas “1883”, que acompanha a viagem dos antepassados ​​dos Dutton rumo ao Oeste americano no século XIX; e “1923”, focada numa nova geração da família durante a Grande Depressão e o período da Lei Seca. Estão todos disponíveis na plataforma de streaming da SkyShowtime. 

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