Televisão

Com estes concorrentes, porque é que não lhe chamam só “Big Brother”?

O humorista e cronista Miguel Lambertini analisa a estreia da nova temporada do reality show com (supostas) celebridades.
Cristina Ferreira continua a ser a apresentadora.

No sábado, 26 de fevereiro, ninguém deve ter dormido no Restelo, depois de o Kasha ter ganho a primeira edição do ano de “Big Brother Famosos”. A luta pelo primeiro lugar esteve ao rubro, até ao fim, para descobrir qual dos dois cantores — Kasha ou Jorge Guerreiro — seria o grande vencedor.

De um lado, a claque de pitas do colégio São João de Brito. Do outro, a falange de telespectadoras de meia idade do “Somos Portugal”. No final, as mesadas levaram a melhor às reformas e o Francisco Maria sagrou-se o merecido vencedor. A atriz Catarina Siqueira acabou num honroso terceiro lugar, mas como é uma querida ganhou também o coração dos portugueses, do Restelo à Rinchoa. 

Fechada a primeira edição, talvez fosse boa ideia parar um pouco para descansar, mas essencialmente para tentar enganar, perdão, angariar concorrentes mais célebres para a segunda edição. Mas não, o tempo urge e há que aproveitar enquanto as pessoas estão na TVI e não pegam no comando para mudar para um documentário na Netflix em que algum millennial sociopata se faz passar por milionário para burlar meio mundo. 

“Com as redes sociais surgiram novos tipos de famosos e todos os que por aqui passam tornam-se ainda mais famosos.” OK, com esta frase inicial de Cristina Ferreira ficou logo bastante claro que não conseguiram arranjar ninguém conhecido. Nada contra, mas porque é que não lhe chamam só “Big Brother”? É certo que na primeira edição não contámos com um leque extraordinário de famosos mas, verdade seja dita, sempre tivemos alguns nomes relativamente fortes, como Jardel ou Bruno de Carvalho. 

Na edição que estreou este domingo, dia 27, ficámos a conhecer pessoas certamente muito conhecidas nas lojas da Mini Som, mas não tanto junto do grande público. Segundo parece, metade deles tem problemas de audição e a outra metade de alopecia. Felizmente, a clínica do Cristiano Ronaldo patrocina o programa e começou logo por distribuir umas perucas de palhaço, que ficaram a matar no Tio Careca, Nuno Graciano.

O ex-apresentador, ex-candidato a presidente da Câmara Municipal de Lisboa e ex-bola de cristal da Maya chegou todo bem disposto, cheio de saudades de ouvir aplausos e com muita vontade de ser ele próprio. Como não entrou nenhum cigano na casa, em princípio vai ser mais complicado perceber o que isso quer dizer — mas vamos aguardar para ver.

Os dois primeiros concorrentes a inaugurar o espaço não podiam ser mais opostos, embora ambos bastante genuínos. De um lado, Marco Costa, o pasteleiro que se tornou empresário, depois de participar na “Casa dos Segredos”. Do outro lado, Marie, uma influenciadora digital muito colorida, que vive numa aldeia mas que parece ter mais mundo do que muitos lisboetas. 

Confesso que não percebi as primeiras cinco frases que saíram da boca dela, o que poderá dever-se a uma variedade de razões: o sotaque do norte, a questão de eu ser um idoso de 40 anos que já não entende os códigos linguísticos desta geração ou, eventualmente, o facto de Marie se apresentar com bocados de plástico brilhante agarrados aos dentes. Seja qual for, tem um lado artístico de que gosto e parece-me uma excelente lufada de ar fresco neste formato televisivo. 

Além destes três, juntou-se ao grupo o cantor de música popular Miguel Azevedo. É muito simpático. Pronto, é o que posso dizer sobre ele. A verdade é que, com sotaque alentejano, até o Putin parecia um gajo porreiro. 

Nesta edição voltamos a contar com um jogador de futebol. Daniel Kenedy diz que decidiu participar porque quer que as pessoas conheçam não o Kenedy, mas o Daniel. “Quem é o Daniel?”, pergunta Cristina Ferreira. “O Daniel é o Daniel, sou eu.” É justo. Também teremos tempo para descobrir, não é? Muito provavelmente uma semana.

Mafalda Matos é atriz e holistic coach. “Coach holística, em português”, explica no confessionário. Não, isso também não é português, Mafalda, mas adiante. A TVI foi buscar mais uma ex-moranguita que vem não com chantilly mas com chanti-chanti, porque é muito zen. Mafalda faz coaching, mentoring e cuddling e, se preciso, aos fins de semana ainda dá um pulinho ao Colombo para um pouco de shopping.

Atriz e cantora, Vanessa Silva foi vencedora do programa “A Tua Cara Não Me É Estranha”, que é como esta edição do “BB” se poderia chamar. Senão vejamos: os restantes concorrentes que entraram na casa foram o Bernardo Sousa, piloto de rally; o Pedro Pico, responsável pelo projeto Drag Taste; a Tanya, cantora e instrutora de fitness; o Fernando Semedo, que criou uma receita de bolo de bolacha; e a Sara Aleixo, que é hospedeira e atriz, com vibes de Jennifer Coolidge.

A excitação com que ficámos para ver esta malta dentro da casa do “Big Brother”, não foi? Esta noite nem dormi só a pensar como é que o Bernardo Sousa se está a dar com a Tanya. Para terminar, destaque para a Bruna Gomes, que veio diretamente do Brasil. Fiquei a saber que é uma influenciadora com mais de oito milhões de seguidores e que os conteúdos que gosta mais de partilhar são do seu Pupu e do seu Pipi. Cada uma partilha o que lhe apetece e pelos vistos está a funcionar com a Bruna e isso é o que importa. Numa pesquisa rápida descobri que a concorrente é ex-namorada do youtuber Felipe Neto, youtuber esse que por sua vez é irmão do youtuber Luccas Neto.

Aqui fiquei contente porque finalmente apareceu um nome que sei quem é, porque o meu filho adora ver os vídeos dele, onde aprende muitas coisas. Por exemplo, ainda ontem lhe perguntei se ele estava a gostar de brincar no parque e ele respondeu: “oba, está a ser o maior barato. Podemos ir jogar para a grama? Eu sou o zagueiro, você é o goleiro!”. Não faço ideia do que isto é, mas sinto que depois deste fim de semana fazia-me bem um pouco de cuddling.

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