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Criador de “Succession” revela que a série poderia ter um final (muito) diferente

A alternativa discutida “teria sido irritante”, confessou o criador Jesse Armstrong ao “The New York Times”.

Será escusado dizê-lo, mas dizemo-lo à mesma: não continue a ler se ainda não viu “Succession” até aos seus derradeiros e dramáticos segundos. Posto isto, vamos à mais recente entrevista do criador da série, Jesse Armstrong.

A conversa, publicada esta segunda-feira, 27 de novembro, aborda vários temas, entre eles os planos que Armstrong tinha para a quarta e última temporada que foi transmitida em maio. Recordemos, então, que nos últimos episódios, e perante a indecisão da escolha de um sucessor de um já morto Logan Roy, tudo dependia de uma série de movimentações estratégicas.

No final, nem Roman, nem Kendall e muito menos Shiv conseguiram a tão ambicionada liderança. O cargo de CEO ficou nas improváveis mão de Tom Wambsgans, para surpresa de muitos — e irritação de alguns. Porém, segundo Armstrong, a alternativa poderia ter sido ainda mais irritante.

A ideia de nunca resolver a questão da sucessão andou sempre a pairar na sala dos guionistas. Um twist que colocaria em causa o próprio nome da série, “Succession”. “Era a questão que, por vezes, colocava ao grupo. ‘Como seria se não revelássemos o sucessor? Seria interessante?’”, explicou ao “The New York Times”.

“Ao fim de algumas conversas com pessoas inteligentes, chegamos a uma conclusão: ‘Não, seria irritante. Vamos colocar essa hipótese de lado.’ Um dos motivos pelos quais decidimos terminar a série [na quarta temporada] foi precisamente por isso: se continuássemos a deferir a decisão [da sucessão] acabaria por se tornar ridículo ou exasperante.”

Armstrong revelou também que nunca teve a intenção de fazer com que o público acarinhasse qualquer uma das personagens. “Não tivemos isso em consideração”, explicou. “Jamais o quisemos fazer. Neste contexto, soaria completamente falso.”

Ainda assim, as simpatias acabaram por surgir. “A série aprofunda uma visão mais psicológica do que marxista. E, a esse nível, consigo desenvolver alguma simpatia pelas personagens e espero que o público também”, notou. “São pessoas bastante más, fazem coisas terríveis. Contudo, conseguimos perceber que aquilo em que se tornaram tem uma explicação psicológica por trás, e essa é uma das tragédias das vidas daqueles miúdos.”

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