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Criadores de “House of the Dragon” falam sobre aquela cena chocante e brutal da estreia

A prequela de “A Guerra dos Tronos” já começou na HBO. O parto foi o momento mais perturbador do primeiro episódio.
A rainha Aemma morreu no primeiro episódio.

“House of the Dragon”, a prequela de “A Guerra dos Tronos”, estreou na HBO Max esta segunda-feira, 22 de agosto. De acordo com os dados divulgados pela plataforma relativamente aos EUA, terá sido a melhor estreia de sempre em termos de audiências.

No episódio piloto, há uma cena que é particularmente violenta, brutal e chocante. Falamos do parto da rainha Aemma, que supostamente daria ao rei Viserys Targaryen o seu muito aguardado herdeiro rapaz. As complicações no parto, contudo, levaram a que o monarca tivesse de tomar uma decisão. E, desesperado por um herdeiro, optou por tentar salvar o bebé, em detrimento da mulher.

O que acontece é uma espécie de cesariana rudimentar que provoca um enorme sofrimento a Aemma, que está completamente consciente e assustada com o que está a acontecer. A cama fica completamente ensanguentada e não demora muito até a rainha morrer. O pior é que tudo foi em vão: o bebé, que era de facto um rapaz, não sobrevive mais do que algumas horas.

Em declarações à revista “The Hollywood Reporter”, o realizador Miguel Sapochnik explicou como quis abordar a cena. “A Aemma diz: a cama da criança é o nosso campo de batalha. Sentimos que essa era uma forma interessante de explorar o facto de que para uma mulher, numa era medieval, dar à luz era violento. Era muito perigoso. Tinham 50 por cento de hipóteses e muitas mulheres não sobreviviam aos partos. Se fosse preciso tomar uma decisão, muitas vezes o pai optava pelo bebé, uma vez que a cesariana era um procedimento que mataria a mãe. Era um facto extremamente violento da vida nessa época.”

E acrescentou: “Temos alguns nascimentos na série e basicamente decidimos dar-lhes diferentes temas e explorá-los de diversas perspetivas, tal como fiz em várias batalhas de ‘A Guerra dos Tronos’. A cada vez tentava algo diferente para que não fosse sempre a mesma coisa, porque não acredito que um bocado de violência no ecrã só pela violência faça bem algum pelo mundo”.

Já a revista “Vanity Fair” falou com outro dos criadores da série, Ryan J. Condal, e com o autor dos livros, George R. R. Martin. Na obra, a cena não é tão violenta nem tem um foco tão grande. Porém, o objetivo dos argumentistas, explicam, foi mesmo causarem um impacto que se irá fazer sentir no desenrolar da narrativa. Ambos contestam o facto de poder ser considerada uma cena com violência “gratuita”.

“Não é suposto ser gratuita. É para mostrar como era um tema pesado neste período (…) Queríamos dramatizar isso. Há vários tipos de violência em Westeros, mas há um género de violência particular no nascimento de uma criança”, disse Condal.

George R. R. Martin acrescentou: “Vejo a palavra ‘gratuita’ nalgumas críticas e irrita-me sempre. Não acho que nada seja gratuito. Claro que tenho sido acusado de os livros terem violência e sexo gratuitos, e até de gratuitidade heráldica ou de cenas gratuitas de festas e banquetes (…) Quero viver a história. Quero estar lá. Quero envolver-me emocionalmente. Esses são o género de livros que adoro ler e os que adoro escrever”.

Leia a crítica da NiT ao primeiro episódio de “House of the Dragon”. E carregue na galeria para descobrir outras séries novas.

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