Televisão

Criadores de “La Casa de Papel” explicam porque escolheram um final tão feliz

O final foi escrito à última hora. “Alguns de vocês podem pensar que é um fim demasiado afortunado para um assalto tão difícil."
Os últimos cinco episódios estrearam no dia 3.

O final de uma série, sobretudo quando uma história é tão popular, é sempre um desafio. Também o foi no caso de “La Casa de Papel”, cuja segunda metade da última temporada estreou na Netflix a 3 de dezembro.

No segundo episódio do documentário de making-of “De Tóquio a Berlim”, também disponível na plataforma de streaming, os criadores da produção abordam o assunto. “Os guionistas chegaram ao último dia, à última hora, sem saberem como terminaria a série”, narra o ator Pedro Alonso, que interpreta Berlim na narrativa (e que vai protagonizar uma prequela de “La Casa de Papel”).

“Passámos muitas noites em claro. Estávamos muito angustiados porque não tínhamos um fim. Tínhamos um fim, mas sabíamos que ia desiludir. Tínhamos de filmar, pediam-nos o guião”, explica o criador da série, Álex Pina.

“As pessoas diziam: ‘Dá-nos o guião. Não sabiam como ia acabar?’ ‘Sim, estamos só a aperfeiçoar.’ Não fazíamos ideia”, conta outro dos argumentistas, Javier Gómez Santander. “De repente, percebemos que o ouro viking era a chave”, explica Pina.

“E, depois, surgiu-nos a ideia do latão e dissemos: Ótimo! Que alívio. Temos um fim. Os lingotes que vêm naqueles camiões são de latão”, conta Santander. “E, nessa altura, tudo se encaixou e descobrimos que o Professor tinha uma última carta na manga. E era um fim muito mais risonho do que qualquer um poderia ter imaginado porque eles não correm, saem de forma diferente. São escoltados, estão felizes e com a vida resolvida”, acrescenta Álex Pina.

O realizador Jesús Colmenar compreende que alguns fãs não estariam à espera de um final tão feliz, mas sublinha que o objetivo foi acabar a série de uma forma esperançosa. “Alguns de vocês podem pensar que é um fim demasiado alegre para um assalto tão difícil. Mas estamos convencidos de que tudo isto tinha de acabar bem. Por exemplo, tínhamos muita pena de terminar a série a dizer aos espectadores que a realidade prevalecera e que, no fim, iam matar os assaltantes todos e que o sonho deles não era possível, certo? Há algo no espírito básico de tudo o que fizemos e da própria ‘La Casa de Papel’ que tem de ser esperançoso e positivo.”

E acrescenta Álex Pina: “Achámos que isto era muito mais inteligente e tornava o Professor e o seu bando ainda mais grandiosos, lendários e épicos.”

Leia a crítica da NiT a “La Casa de Papel” — e descubra o mural da série que foi pintado em Lisboa.

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