“Não podemos confiar em nenhuma das personagens de ‘Crime no Pântano’. Todos têm segredos. Todos têm um passado. Todos têm um motivo. Todos podem ser o assassino.” É assim que Darach Ó Tuairisg, um dos produtores-executivos, resume a nova série da RTP2, com estreia marcada para a próxima terça-feira, 10 de fevereiro, pelas 22 horas.
A trama de “Crime no Pântano” decorre numa aldeia remota no noroeste da Irlanda, onde o passado emerge, literalmente, à superfície. Quando o corpo de Sabine (Anne Marie Bridges), desaparecida há 15 anos, é encontrado numa turfeira, traz à tona um trauma nunca resolvido no seio da comunidade, que atravessa várias famílias e vizinhos.
O filho da vítima, Conall Ó Súilleabháin (Dónall Ó Héalaí), é agente da polícia e vê a vida virada do avesso quando o crime que marcou a sua juventude regressa sob a forma de cadáver identificado. Embora seja formalmente afastado do inquérito devido ao envolvimento pessoal no caso, Conall recusa permanecer à margem.
À medida que percebe que a investigação oficial encontra resistências e silêncios, procura outras vias para chegar à verdade. É aqui que entra Ciara‑Kate (Hannah Brady), jovem repórter que decide lançar um podcast true crime sobre o caso e começa a falar com figuras que evitam qualquer contacto com a polícia.
Conall percebe rapidamente que a repórter consegue abrir portas que lhe estão fechadas. Deste encontro nasce uma aliança improvável entre ambos. O agente é obrigado a afastar-se dos procedimentos formais da polícia e a podcaster está determinada em explorar o lado mais incómodo da história da aldeia.
Juntos, avançam para uma investigação paralela que os conduz a zonas cada vez mais obscuras, tanto no verdadeiro pântano como no terreno moral de quem os rodeia. A dada altura, a própria noção de justiça é colocada em causa: até que ponto o sistema é imparcial, e até onde se pode ir em nome de “fazer o que é correto” quando todos parecem esconder qualquer coisa?
Outro dos motivos de interesse de “Crime no Pântano” é o facto de a série ser falada quase totalmente em irlandês gaélico, um idioma que raramente se ouve na televisão em Portugal. O título original, “Crá”, remete precisamente para a ideia de “tormento ou suplício”, espelhando tanto o sofrimento das personagens como a atmosfera opressiva daquela comunidade isolada.
Alex Murphy, Barry McGovern, Niall Mac Eachmharcaigh, Tara Breathnach, Alan Mahon, Caoimhe Farren, Andrea Emmett, Denis Grindel e Róisín Murphy são outros dos nomes que compõem uma comunidade onde quase ninguém é o que parece. A série conta com seis episódios nesta primeira leva, mas já foi confirmada a segunda temporada, com estreia prevista ainda para este ano, uma aposta que reflete o potencial da narrativa e do formato.
“A ideia inicial para ‘Crime no Pântano’ surgiu na sequência de um apelo sobre mulheres desaparecidas na Irlanda”, revelaram os criadores e argumentistas ao “The Irish Independent”. “E se o corpo de uma destas mulheres fosse encontrado no seio da pequena comunidade onde estava inserida?” A partir desta pergunta, decidiram construir um enredo em torno de uma forma aterradora de justiça, baseada em segredos e motivos obscuros.
O resultado são seis episódios marcados por tensão constante e desconfiança generalizada entre as figuras centrais. O suspense da narrativa e os impressionantes cenários naturais já levaram a produção a mais de 60 países, incluindo França, Estados Unidos e Alemanha.
Situado no extremo noroeste da Irlanda, o Donegal é um condado marcado pela costa selvagem, montanhas austeras e planaltos de turfeira varridos pelo vento. As extensas praias de areia clara e as falésias vertiginosas que descem a pique até ao Atlântico, criam um horizonte quase sempre dramático. O mar encrespado e céus em constante mutação fazem o resto.
“Crime no Pântano” conta com Philip Doherty na realização e resulta de uma coprodução entre as produtoras Fibín Media, Coimisiún na Meán, Fís Éireann / Screen Ireland, Northern Ireland Screen e Zoogon com a BBC One Northern Ireland.
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