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“The Crown”: o tampão, o “annus horribilis” e outros episódios cómicos desta temporada

O humorista e cronista Miguel Lambertini analisa os mais recentes capítulos da aclamada série da Netflix.
Dominic West interpreta o príncipe Carlos.

A quinta temporada de “The Crown” estreou a 9 de novembro e encontra-se no top 3 de conteúdos na Netflix portuguesa. Nesta nova leva de episódios, a série levou uma renovação do elenco, com Imelda Staunton a assumir o papel da Rainha Isabel II. E começamos já por aqui: não acho que tenha sido um casting magnífico. De todas as versões da monarca, esta é a que menos funciona, a meu ver. Gosto da sôdona Imelda e acho que ela é ótima em papéis de tia-avó amistosa ou professora do Harry Potter, mas como rainha falta-lhe alguma “gravitas”. 

Carece daquela frieza no olhar de quem sabe que tem o poder de mandar alguém para as masmorras da Torre de Londres só porque sim. Mas, no que toca a erros de casting, as falhas não ficam por aqui. Como não mencionar o facto de o actor que interpreta o príncipe Carlos (Dominic West) ser demasiado charmoso e carismático para aquele papel. Não bate a bota com a perdigota.

Era o mesmo que contratar o Albano Jerónimo para fazer de D. Duarte Pio, com a Soraia Chaves no papel de Isabelinha. Já a princesa Diana está mais próxima do original, embora aquela expressão de Elizabeth Debicki com os olhinhos de Gato das Botas se torne um pouco cansativa a dada altura. 

No entanto, justiça seja feita, os cães fazem um papelão e estão iguais aos corgis reais. Quem também está muito fiel ao original é Dodi Al-Fayed, o milionário que foi o último namorado da princesa Diana e que é apresentado na série como um playboy que vive à custa do pai e faz riscos de coca a bordo do seu jato privado.

Do ponto de vista de curiosidade histórica, é muito interessante o perfil que é desenhado do pai de Dodi, Mohamed al-Fayed, que aparentemente tinha uma obsessão com o modo de vida da aristocracia inglesa. Uma obsessão que se estendeu ao filho e que, infelizmente, acabou da forma trágica que sabemos.  

Esta temporada debruça-se sobre um dos períodos mais controversos e difíceis do longo reinado de Isabel II, com o pico dos eventos a culminar no famigerado ano de 1992, que a própria apelidou de “annus horribilis”. A expressão latina — que faz lembrar o diagnóstico de um proctologista que não gostou nada do que viu — retrata um conjunto de situações atribuladas: o divórcio de três filhos, a publicação de “Diana: A Sua Verdadeira História” (um livro que revelava detalhes sobre os problemas no casamento de Diana e Carlos, com foco no seu romance com Camilla Parker Bowles) e um incêndio no castelo de Windsor. 

Porém, de todos os episódios polémicos retratados nesta temporada, o chamado “Tampoongate” foi aquele que achei mais divertido. Trata-se de um telefonema entre Carlos e Camilla em que o atual rei diz que gostava de ser um tampão para poder estar sempre dentro da sua amante: “Oh, meu Deus. Vou viver dentro das tuas calças ou algo assim. Seria muito mais fácil!”, afirmou o príncipe, ao que Camilla, enquanto ri, pergunta se ele se irá “transformar num par de cuecas”. 

Carlos parece concordar com a ideia e acrescenta: “Ou, Deus me livre, um Tampax, com a minha sorte!”, apontou o príncipe de Gales, também a rir. E continua: ”Para ser atirado para uma retrete e continuar a girar para sempre no topo, sem nunca ir pela carga abaixo”, acrescentou.

OK, é demasiado escatológico, principalmente porque depois disto é difícil tirar da cabeça a imagem de Carlos em forma de Tampax, mas à parte disso é um genuíno momento de humor britânico. Aliás, depois disto, acho que a Tampax podia ter aproveitado para fazer uma edição especial dos “Tampões Carlos III: perfeitos para quem tem sangue azul ou sangue vermelho”.

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