Televisão

De génio de Harvard a bombista famoso: história do Unabomber estreia na Netflix

Russell Crowe interpreta o professor que sujeitou Ted Kaczynski a experiências psicológicas. A ligação aos crimes continua a gerar debate.

Aos 16 anos, Ted Kaczynski entrou na universidade de Harvard. Décadas depois, tornou-se o homem que o FBI procurava por uma série de atentados com bombas nos Estados Unidos. O novo filme da Netflix recua aos tempos de estudante e acompanha, em paralelo, a investigação que acabaria por identificá-lo.

“Unabomber” estreou esta sexta-feira, 25 de setembro. Jacob Tremblay interpreta Kaczynski, enquanto Russell Crowe dá vida a Henry Murray, o professor responsável por uma experiência psicológica em que o jovem participou. Shailene Woodley assume o papel de Joanne Miller, a agente do FBI que procura pistas nos manifestos do bombista. Annabelle Wallis e Gus Halper também integram o elenco do filme realizado pelo cineasta dinamarquês, Janus Metz.

A história começa em Harvard, no final dos anos 50. Murray convida o estudante a participar num estudo apresentado como treino para debates. Kaczynski acaba sujeito a confrontos em que as suas convicções são atacadas sob observação dos investigadores. Na outra linha temporal, já nos anos 90, Miller tenta encontrar no manifesto do Unabomber uma pista que permita descobrir quem ele é. “De um prodígio de Harvard ao infame Unabomber”, revela a sinopse. 

Fora do ecrã, Theodore Kaczynski enviou e colocou várias bombas em locais estratégicos entre 1978 e 1995. Três pessoas morreram e 24 ficaram feridas, segundo o FBI. O matemático, que rejeitava a sociedade industrial, publicou um manifesto que ajudou a identificá-lo: o irmão reconheceu semelhanças com textos seus e alertou as autoridades. Kaczynski foi detido em 1996, quando já tinha 53 anos. 

O filme sugere que a experiência universitária contribuiu para transformar o estudante no autor dos atentados. Essa relação não está estabelecida como facto. Este é também o ponto que mais divide as críticas. No Rotten Tomatoes, “Unabomber” somava 32 por cento de aprovação em 19 críticas na classificação.

O “The Hollywood Reporter” considera que o resultado é “um esboço ténue de um assassino enquanto jovem”. O site norte-americano elogia o ambiente das cenas passadas em Harvard, mas diz que nem essa parte nem a investigação dos anos 90 conseguem aprofundar a personagem. Também não se deixa convencer pelo elenco: na sua leitura, Tremblay transmite a juventude de Kaczynski sem mostrar a ameaça que viria a representar, Crowe tem pouco espaço para desenvolver Murray e Woodley fica presa a uma investigação escrita de forma previsível.

O “Decider” vê mais mérito na interpretação de Tremblay, a quem chama um ator convincente no papel de um jovem cada vez mais isolado. A avaliação do filme, porém, é igualmente dura. Para a publicação, a “tentativa de explicar os crimes oferece respostas demasiado simples e a busca do FBI recebe pouco tempo de ecrã”. No fim, “Unabomber” parece-lhe “mais uma caixa assinalada na longa lista de conteúdos de crimes reais da Netflix”, afirma o site norte-americano.

Carregue na galeria para conhecer todas as séries e temporadas que estreiam este mês nas plataformas de streaming.

Ouça o áudio deste artigo

ARTIGOS RECOMENDADOS