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Do computador para a televisão: “Fallout” vem para imitar o sucesso de “The Last of Us”

O videojogo leva-nos até um mundo pós-apocalíptico, num ambiente retrofuturista. Conte com muita violência — e humor negro.
É um sucesso do gaming.

Esta história começa a ser contada em 1997, altura em que o modestíssimo “Fallout” foi lançado pela primeira vez. Era um role-playing game simples, mas assente numa história rica e estilizada. Imagine a América dos anos 50, onde a ameaça nuclear se torna realidade e arrasa todo o planeta. A humanidade faz o que pode: uns escondem-se em abrigos subterrâneos preparados para a catástrofe; à superfície, os sobreviventes reorganizam-se num mundo anárquico e selvagem. 

Três séculos mais tarde, cabe ao protagonista aventurar-se por uma América irreconhecível, entre animais mutantes afetados pela radiação, comunidades distópicas e ambientes retrofuturista. Ao longo de quase três décadas, a saga teve direito a várias sequelas (vai para a quinta) e vendeu mais de 60 milhões de cópias. 

A adaptação de videojogos de sucesso aos ecrãs foi quase sempre mal-sucedida, mas as recentes incursões — sobretudo com “The Witcher” e “The Last of Us” — provaram que é possível fazê-lo bem. “Fallout” seria sempre um grande candidato e assim aconteceu. A série da Prime Video estreou esta quinta-feira, 11 de abril, na plataforma de streaming. 

“É a história dos que têm e dos que não têm, num mundo onde não há quase nada para ter. 200 anos depois do apocalipse, os tranquilos habitantes dos luxuosos refúgios anti-nucleares veem-se obrigados a regressar ao mundo infernal cheio de radiação que os seus antepassados deixaram e ficam surpreendidos ao descobrir que os espera um universo incrivelmente complexo, alegremente estranho e muito violento”, lê-se na sinopse de “Fallout”.

O elenco da obra de oito episódios conta com veteranos como Kyle MacLahan e alguns novos talentos como Ella Purnell, estrela do fenómeno da HBO “Yellowjackets”. Quem também rouba todas as cenas é o ator Walton Goggins, de 52 anos.

Interpreta The Ghoul, cujo nome real é Cooper Howard. Antes da Grande Guerra de 2077 era um ator de televisão, mas a radiação do apocalipse transformou-o num monstro. Agora, no ano de 2296, é um implacável caçador de recompensas.

É ele quem brilha na primeiríssima cena da série que os críticos apelidaram de “um murro no estômago”. “É este momento que prepara todo o cenário para o futuro e para a minha personagem. Foi uma experiência muito difícil, mas também muito importante para mim”, conta ao “Awards Radar”.

Cooper é um dos intervenientes que tem um aspeto mais distinto, algo que só foi possível graças à magia da maquilhagem e da caracterização. Embora passasse horas sentado numa cadeira à espera de estar pronto, este processo foi fulcral para a boa prestação do próprio ator.

“Eu vivo na minha própria imaginação. Gosto de todo este caminho até conseguir descobrir quem estas pessoas são. Apesar da roupa e de tudo o resto ser muito desconfortável, facilita o meu trabalho. Depois de ter tudo no corpo, o resto é canja”, acrescenta.

Outra grande protagonista da história é Lucy MacLean, interpretada por Ella Purnell, de 27 anos. A sua personagem é uma jovem destemida “que podia aparecer num anúncio de pasta de dentes, mas que também nos pode matar”, descreve a atriz à “MovieWeb”. “Ela é uma mistura de Leslie Knope [de “Parks and Recreation”] e Ned Flanders [d'”Os Simpsons]. Quando me apresentaram este papel eu assinei logo o contrato”, brinca.

A jovem Lucy sai corajosamente do lugar a que chamou casa a vida toda para ir à procura do seu pai Hank, que na série é interpretado por Kyle MacLachlan. “Esta aventura faz com que ela, com o passar do tempo, se torne mais resiliente. A atitude destemida já estava dentro dela, mas ela precisa de saber como a encontrar”, reflete.

As gravações não foram feitas só em estúdio, mas também em locais como navios abandonados na Costa dos Esqueletos, uma região costeira ao sul de Angola, e no noroeste da Namíbia. A experiência de filmar lá “foi incrível”. “Um momento verdadeiramente surreal”, descreve a atriz.

Tal como muitas adaptações recentes, não precisa de conhecer os videojogos para mergulhar na produção. “Quem não conhece a saga ‘Fallout’ vai ficar surpreendido com o quão inteligente e engraçada a série é.”

Independentemente do número de vezes que veja o mesmo episódio, vai estar sempre a encontrar novos detalhes, garante Ella Purnell. “Há uma grande atenção a todos os detalhes. A narrativa é muito vasta e simplesmente incrível. Estou muito entusiasmada para que as pessoas vejam o que fizemos.”

No Rotten Tomatoes, conta atualmente com uma avaliação de 92 por cento por parte dos críticos e 84 por cento do público. Uma segunda temporada ainda não foi confirmada pela Prime Video.

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