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Depois do protesto, Sandra Celas repete: “Ninguém é obrigado a andar de máscara”

Atriz foi uma das figuras públicas que participaram na marcha contra o confinamento que terá juntado cerca de três mil pessoas.
Fotografia: Redes sociais.

Foi por volta das 15 horas que o protesto começou, no passado sábado, dia 20 de março, no Parque Eduardo VII, em Lisboa. No total, cerca de três mil pessoas terão marcado presença entoando canções e gritos de protesto contra as medidas de restrição impostas pelo governo por causa da pandemia de Covid-19.

As máscaras ficaram guardadas no percurso da manifestação que seguiu pela Avenida da Liberdade em direção ao Rossio. As orientações sobre o distanciamento de segurança também não foram cumpridas.

Entre as imagens partilhadas do protesto e os relatos de imprensa, houve apelos por liberdade, em tempos de restrições devido à pandemia, mas também cartazes mais extremistas, um deles sugeria até que António Costa e Marcelo Rebelo de Sousa iriam ser levados a Nuremberga, numa alusão ao julgamento de dirigentes nazis no pós-Segunda Guerra Mundial.

A atriz Sandra Celas foi uma das figuras públicas presentes, o que lhe valeu várias críticas nas redes sociais. Num live no Instagram, a atriz confirmou que esteve no protesto e respondeu às críticas, falando diretamente sobre a não utilização de máscaras. “Isso de repente é fonte de crítica porque parece que nós estávamos a pôr a saúde pública em causa. Isso é apenas um julgamento que algumas pessoas fazem, não tem fundamento científico absolutamente nenhum, nem legal”, afirmou.

“Na realidade, na rua, ninguém é obrigado a andar de máscara. Eu conheço muito bem a lei, porque eu não ando de máscara na rua. Cumpro as normas todas que existem quando vou trabalhar e quando vou ao supermercado”, acrescentou.

Nas redes sociais, as críticas vieram de diferentes quadrantes, incluindo de figuras públicas. O também ator e apresentador Diogo Valsassina foi uma das pessoas que criticaram as posições da atriz. “Eh pá, génio. Que génio. Que Sandra. Que tudo. Uau. Já disse ignorante? Génio”, ironizou. 

Houve mais celebridades que participaram no protesto. Nuno Barroso, cantor dos Além Mar, a banda de “Deixa-me Olhar”, chegou a atuar no sábado. Também a cantora Adelaide Ferreira e a cantora e atriz Wanda Stuart fizeram parte da marcha.

No caso de Adelaide Ferreira, a página de Facebook com mais de oito mil seguidores tem sido local de partilha de vídeos do protesto de sábado e de imagens que têm circulado nas redes sociais de protestos noutras cidades. Num dos textos pode ler-se que “a ciência se tornou no dogma atual”.

Há também partilhas recentes, incluindo de um vídeo de Alfredo Rodrigues, figura que continua a desvalorizar a pandemia e que esteve ligada à comunicação do grupo “Médicos Pela Verdade”. O movimento, recorde-se, retirou-se das redes sociais em fevereiro passado, no mesmo mês em que foram notícias processos movidos pela Ordem dos Médicos a clínicos membros do grupo, acusados de partilharem desinformação. Existe ainda partilha de fake news, como material já desmentido em fact check pela agência Reuters, que sugeria que a norte-americana CDC negava a existência do novo coronavírus (mas isso não é verdade).

No mesmo Facebook, Wanda Stuart abordou o protesto em resposta a comentários na sua página, explicando que não nega a existência da Covid-19. “Eu não fui protestar contra o vírus, mas sim com o confinamento ad eternum…”, pode ler-se num dos comentários da atriz.

Pelas redes sociais e pelo YouTube surgem também diferentes vídeos da manifestação. O hino nacional foi entoado por diversas vezes durante o protesto, além de repetidos gritos de “liberdade”.

As orientações da Direção-Geral da Saúde (DGS) sobre o uso de máscaras e distanciamento social estão em linha com as recomendações dos especialistas da Organização Mundial de Saúde e continuam a ser das armas mais acessíveis na prevenção do contágio. As medidas de confinamento, com claro impacto económico e social, têm tido diferentes graus de restrições mas têm sido aplicadas nos mais diversos países, por uma questão de saúde pública.

Desde o início da pandemia, de acordo com o boletim de saúde da DGS, o número total de casos confirmados em Portugal é de 817.778. Ao todo, registaram-se 16.784 vítimas mortais por complicações causadas pela Covid-19. Em todo o mundo, a pandemia já causou mais de 123 milhões de casos de infeção e a cerca de 2,7 milhões de óbitos associados à Covid-19.

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