Televisão

Dilemas do “Big Brother”: o gato Pedro Soá e o livro de auto-ajuda chamado Soraia

O humorista e cronista Miguel Lambertini analisa o episódio deste domingo, 24 de maio, do reality show da TVI.
Pedro Soá esteve em destaque.

À terceira foi de vez. Antes até de Cláudio Ramos entrar em estúdio, já as oito pessoas da plateia aplaudiam o apresentador, que finalmente conseguiu surgir sem parecer um forasteiro a entrar num saloon. “Esta é uma noite que vai ficar para a história”, anuncia Cláudio com enorme entusiasmo. O que me fez pensar: tu queres ver que estes meninos descobriram a vacina para a Covid-19 e vão anunciar esta noite em direto? Afinal, foi só mesmo uma gala banal como as outras e fica tanto para a história como o inventor do descascador de romãs — uma mulher ou um homem que disse “isto tem de acabar, recuso-me a ficar quatro horas a tirar sementes de uma fruta!” — e que realmente merecia um lugar de maior destaque nos anais da história.

Dentro da casa começou a tocar um alarme que fez com que todos se dirigissem rapidamente à sala, onde no plasma surgia a palavra “alerta” em letras vermelhas. Cláudio explica aos concorrentes que vai haver uma expulsão, mais cedo do que eles imaginam. E a voz do “Big Brother” explica: “Esta é uma noite de dilemas na minha casa”. Grande novidade, para mim todos os domingos são noite de dilemas cá em casa porque fico sempre dividido entre ver o “Big Brother” ou investir esse tempo em alguma atividade que seja intelectualmente mais estimulante, como, por exemplo, ver os diretos de José Castelo Branco no Instagram. 

Cláudio chama Soraia e Pedro Soá à sala das decisões, que à sua frente têm um carta da mãe e da namorada, respetivamente. Os restantes concorrentes na sala decidem que é Pedro Soá quem deve ler a carta da namorada. E foi, sem dúvida, a escolha mais acertada, porque nos permitiu a todos ouvir a voz da namorada de Pedro a ler a carta, como se estivesse a contar a história do gato das botas a uma criancinha de cinco anos, sendo que o gato é o próprio concorrente.

“Olá, meu gato…” Eles tratam-se por gato e gata, o que é muito fofinho, e mantendo o tópico animalia, Ana acrescenta: “O Igor fica com as orelhas levantadas quando te ouve a falar na televisão… Um beijo da tua gata.” Pedro ficou emocionado e, para conter o choro, lambeu as patinhas e ronronou.

Durante a semana, os concorrentes perderam uma prova e por isso ficaram apenas com 180 BB’s — a moeda do “Big Brother” — para fazer compras no Continente lá de casa. A situação gerou uma forte discussão sobre o que deveria ou não ser comprado, sendo o momento de ruptura quando a nova concorrente, Teresa, pediu em tom autoritário “mete já aí hambúrgueres de frango e iogurtes para mim”. Daniel Monteiro achou que era um desrespeito e disse, indignado: “Por mim era tudo a pão e água! Ficava tudo a pão e água, como eu estive durante cinco dias na tropa, para verem o que é bom”.

Na verdade, Daniel já está a pão e água desde que entrou na casa e ficou caidinho pela Iury, por isso uma semana não é nada para ele. Os concorrentes lá chegaram a um consenso e no final ainda conseguiram encher vários sacos de comida, incluindo um pacote de Whiskas saquetas para o Pedro Soá. Afinal, os tais 180 BB’s, que pareciam pouco, serviram para bastantes produtos.

Claro que se o patrocínio fosse do El Corte Inglés o dinheiro tinha dado para comprar um saco de cebolas. Mas pelo menos eram cebolas gourmet, em pacote preto com letras douradas e isso dá imenso charme a qualquer despensa. Ainda na senda das compras da semana, ficámos a conhecer o jeito da Sónia para contrabandear tabaco. A concorrente comprou dois maços e apenas “declarou” um. Felizmente na casa não há ninguém do SEF, se não a Sónia ainda aparecia a boiar na piscina, depois de um “ataque de epilepsia”.

Fazendo um mix entre os “Morangos com Açúcar” e o “Big Brother”, Cláudio anunciou que na casa já há dois grupos distintos e por isso chegou a altura de assumir e separar as duas fações. De um lado, os Kamikaze, cujo líder nomeado pelo “Big Brother” foi Pedro Soá. Do outro, aqueles que não se identificam com aquele grupo, cujo líder nomeado foi o Diogo. Ou seja, de um lado, os desportistas mauzões com as suas cheerleaders. Do outro, os nerds que no final ganham com um toque de génio e toda a escola aplaude.

Cada um dos concorrentes escolheu o seu lado, agarrou num stick colorido e no final foi só isto. Nem uma dance battle, nem um desgarrada aproveitando o acordeão do Rui, nem sequer uma competição de escarretas para ver quem atira mais longe. Nada, ficaram com pauzinhos florescentes na mão e voltaram para dentro de casa. Isto, sim, é puro entretenimento.

Os nomeados da noite eram Daniel Guerreiro, Diogo e Rui. Daniel Guerreiro foi o primeiro a ser salvo pelo público. Rui foi expulso e por isso Diogo foi o concorrente que voltou à casa do “Big Brother”. Quando viram o líder do grupo rival entrar, os Kamikaze ficaram com cara de quem acabou de comer sushi feito há uma semana.

No estúdio, Cláudio recolhe as reações da mãe de Rui, a D. Etelvina, uma senhora extraordinária com aspeto de estrela de cinema dos anos 60 e que fiquei na dúvida se não teria sido contratada para fazer de mãe do Rui. Quando percebeu que Rui tinha sido expulso e Diogo salvo, Pedro Soá fez um momento de drama e foi para a janela do segundo andar olhar para a lua (enquanto miava).

Entretanto há novo momento de “Alerta CM” na casa. Infelizmente não era para avisar as pessoas para se protegerem porque o Cláudio Ramos ia começar a cantar músicas pimba, era para chamar Soraia e Angélica à sala das decisões, onde têm de se colocar em cima de um círculo encarnado e durante um minuto falar olhos nos olhos. Angélica é a primeira a falar, mas como não puseram legendas só percebi que ela estava chateada com qualquer coisa que a Soraia disse. Percebe-se melhor a Sandrina e a Sónia a falar inglês — “frog is Prince, yes?” — do que a Angélica a tentar falar português.

Depois foi a vez de Soraia dizer o que sempre diz cada vez que fala “tu sabes que eu adoro-te muito, eu não disse isso por mal, porque eu adoro-vos a todos, e não tenho nada contra ti, porque eu adoro-te”. A Soraia é um livro de auto-ajuda com pernas. Na prova do líder desta semana, os concorrentes tinham de colocar bolas nas caixas dos participantes que não queriam que fossem nomeados líderes. Ganhou o Pedro Soá que, agora, não só é o lider dos Kamikaze, como também é o líder da kamikacasa.

Entretanto, numa reviravolta verdadeiramente emocionante, o líder do outro grupo, Diogo, ganhou imunidade através da votação na app do “Big Brother”. Mas como esta era uma noite de dilemas, Diogo foi obrigado a escolher: ou mantinha a imunidade mas na casa ficavam sem metade da comida, ou prescindia a favor do grupo. Diogo optou por não usar a imunidade e assim ninguém precisou de ficar a pão e água. Uma bela jogada por parte do líder dos nerds que fez com que toda a escola aplaudisse, inclusive os desportistas e as cheerleaders.

Já depois das nomeações que colocaram em risco Noélia, Renato, Diogo, Ana Catharina e Hélder, o “Big Brother” deu a Iury a oportunidade de salvar um dos concorrentes, com mais um dos seus dilemas horríveis: salva um e ficam todos sem o quarto maior durante cinco dias, ou não salva e não precisam de acampar na sala. Depois de quatro horas a tentar tomar uma decisão, Iury lá escolhe salvar o Hélder. Na próxima semana os concorrentes vão ter de encontrar alternativas para dormir, sendo que a parte de cima do frigorífico e o telhado já estão ocupados pelo gato Soá.

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