Televisão

Documentário da Netflix revela a amizade revolucionária entre Muhammad Ali e Malcolm X

Chama-se "Irmãos de Sangue: Malcolm X e Muhammad Ali" e estreou na plataforma de streaming esta quinta-feira, 9 de setembro.
Uma ligação impactante, mas que foi sol de pouca dura.

No final da primavera de 1962 Muhammad Ali ainda era apenas Cassius Clay: o jovem pugilista ousado que aos 20 anos já colecionava dois títulos nacionais da Golden Glove e uma medalha de ouro olímpica. Foi o início de uma era que transformaria Muhammad Ali num dos maiores pugilistas de todos os tempos.

Num universo paralelo, Malcolm X começava a aparecer como uma figura energética e revolucionária no meio da “Nação do Islão”. Juntos, formaram uma amizade improvável e turbulenta que marcaria a vida (e a fama) de ambos. Afinal de contas, as duas grandes personalidades que lutaram juntas pelo espaço do negro na sociedade norte-americana acabam por cortar ligações. A questão que fica no ar é: “porquê?”

A história da amizade deste dois homens começou quando o lendário pugilista ainda se encontrava a dar os primeiros passos na sua carreira. Por ser um homem negro criado na cidade de Louisville, no Kentucky, tinha especial atenção àquilo que dizia publicamente, sobretudo quando vinha à baila o tema da desigualdade racial. A razão: o movimento pelos direitos humanos estava a ganhar força, mas Muhammad Ali não queria perder a sua popularidade. 

Mesmo assim, escondido do grande público, começou a absorver a mensagem do movimento “Nação do Islão”, um grupo religioso fundado em Detroit. A causa defendia a separação das raças e rejeitava os ideais não-violentos de Martin Luther King Jr. Nela estava também incluído o ódio racial, tendo em conta a violência de pessoas brancas contra os negros nos EUA.

Muhammad Ali chegou a frequentar reuniões e lá conheceu Malcolm X, que lhe chamou à atenção pelo poder da sua oratória explosiva que exprimia as dores e humilhações de uma sociedade desigual. Dali adiante, os dois foram desenvolvendo uma conexão pessoal e espiritual, em que Malcolm se tornou numa espécie de irmão mais velho de Muhammad. Mas isso manteve-se por pouco tempo.

Precisamente na época da sua luta pelo título, disputada contra o campeão Sonny Liston em 1964, a influência de Ali começava a aumentar e em contrapartida a de Malcolm encontrava-se a diminuir. Na altura, Malcolm foi declarado persona non grata pelo movimento islâmico, tendo sido depois expulso devido a ter exposto que o fundador da “Nação do Islão”12 teve vários filhos fora do casamento com as suas secretárias.

Após a rutura, Malcolm acreditou que Muhammad saísse com ele. Mas aconteceu exatamente o oposto. Dois dias após a luta entre o então Cassius Clay e Sonny Liston, o lendário boxista assume publicamente a sua religião e virou as costas ao seu velho amigo. 

Esta e todas as outras razões que começaram a desgastar e que acabaram por levar ao fim esta ligação de amizade entre Muhammad Ali e Malcolm X são relatadas no mais recente documentário histórico e bibliográfico da Netflix — “Irmãos de Sangue: Malcolm X e Muhammad Ali” — , baseado no livro de Johnny Smith e Randy Roberts: “Blood Brothers. The Fatal Friendship Between Muhammad Ali And Malcolm X“.

Dirigido por Marcus A. Clarke, a produção coleciona imagens de arquivo destas duas personalidades icónicas que marcaram o seu tempo e que mantiveram uma amizade revolucionária, tanto para elas próprias como para o mundo. A estreia aconteceu esta quinta-feira, 9 de setembro, na plataforma de streaming Netflix.

De seguida, carregue na galeria para ficar a par de todas as novidades no universo das séries e dos filmes que vão estrear neste mês de setembro.

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