Televisão

“Bodkin”: o thriller recheado de humor negro é uma das séries mais vistas na Netflix

A série acompanha um grupo de podcasters que investiga um caso macabro numa pequena cidade na Irlanda.
Will Forte é um dos protagonistas.

“Sempre achei que a Irlanda é o país mais lindo do mundo”, diz uma das personagens de “Bodkin”. “Só vejo merda”, atira outra das personagens da série que tem feito sucesso no streaming. Opiniões à parte, o país é cenário fulcral da nova série da Netflix que chegou à plataforma de streaming nesta quinta-feira, 9 de maio.

Foi por lá que foi inteiramente gravada, nas regiões de West Cork, Wicklow, Dublin e Julianstown. Resultado? Uma obra com paisagens indescritíveis que apenas não roubam o foco dos espectadores graças às piadas insólitas dos protagonistas. A série de sete episódios — com cerca de 50 minutos cada — acompanha um grupo de podcasters que tenta decifrar um mistério numa pequena aldeia. Atualmente, é a sexta produção mais vista na Netflix em Portugal.

“Bodkin” mistura a comédia ao drama. Para o fazer, o criador Jez Scharf apostou num elenco versátil e eclético. Dois dos grandes protagonistas são Will Forte, que já foi um membro regular no “Saturday Night Live” e Siobhán Cullen de “The Obituary”, que este ano foi transmitida no nosso País no AMC.

Nos últimos anos, os podcasts de true crime têm-se tornado em fenómenos nos diferentes serviços de audio on demand, desde o Spotify à Apple Music. “Serial” (2014), “Criminal: A Podcast About Crime” e “My Favorite Murder” são alguns dos mais populares — cada episódio tem milhões de streams.

“A nossa série aborda o aspeto ético e moral do que acontece na criação de um podcast sobre crimes reais e questiona-o de forma muito inteligente”, diz Cullen, de 34 anos, ao “Consequence”. Ao longo dos episódios, os criadores de conteúdo mergulham no passado traumatizante da cidade de Bodkin e tocam nas feridas que ainda não sararam completamente, o que começa a enfurecer a população.

Siobhán e Will Forte eram fãs destes conteúdos antes de aceitarem o papel. Ao gravarem a obra perceberam o quão difícil é “criar um podcast de true crime”. “Estamos a invadir a vida das pessoas e isso é esquisito”, brinca o ator de 53 anos.

Cullen concorda e acrescenta que embora continue a adorá-los, começou a ouvi-los de forma diferente quando acabaram as filmagens. Afinal, são usadas histórias reais e traumatizantes apenas para puro entretenimento de quem está em casa.

A Will e Siobhán junta-se Robyn Cara, que interpreta Emmy, a assistente. A relação entre os três é conturbada e por vezes tóxicas, mas também enternecedora e, acima de tudo, genuína. “Só conseguimos trazer esta química para o ecrã porque gostamos realmente uns dos outros. Desde o início que nos demos bem”, diz o ator.

Os momentos em que o trio está junto estão recheados de comédia. Quando se separam, surgem os episódios mais dramáticos. Ao longo dos sete capítulos “há uma grande sensação de desconforto”. Para criar um balanço entre o drama e o humor, os realizadores Bronwen Hughes, Nash Edgerton, Johnny Allan e Paddy Breathnach deixaram que os atores improvisassem sempre que quisessem. “Mas houve momentos em que nos disseram que as nossas escolhas eram péssimas”, diz Robyn Cara, de 29 anos.

Para os fãs de true crime, há muitos detalhes para apreciar em “Bodkin” — e também a promessa de uma nova perspetiva sobre o que significa contar estas histórias macabras. “Todos nós consumimos, vemos e ouvimos muito conteúdo de entretenimento atualmente. Acho que é realmente importante ter uma consciência crítica, olhar e ouvir tudo o que estamos a absorver. É muito bom questionar a verdade, sempre”, conclui Will.

Carregue na galeria e conheça outras séries e temporadas que chegam em maio às plataformas de streaming e canais de televisão.

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