Televisão

É mais provável haver um namoro no IC19 do que em “Quem Quer Namorar com o Agricultor?”

O humorista e cronista Miguel Lambertini analisa o diário desta segunda-feira do reality show da SIC.
O programa vai na quarta temporada.

“Quem Quer Namorar com o Agricultor?” Em princípio, eu diria: ninguém. Isto porque a maioria das pessoas já percebeu que há mais probabilidade de se gerar um namoro numa fila de um acidente no IC19 do que neste programa da SIC. Com a vantagem de que estar duas horas parado numa fila de trânsito sempre é mais estimulante do que ver este reality show.

Continuo a achar que havia muitas outras profissões que dariam um ótimo programa com esta mesma premissa. Estou a imaginar um “Quem Quer Namorar com o Técnico Oficial de Contas?”. Tudo bem que podia ser uma seca, mas nesta fase de entrega do IRS dava imenso jeito e acabava até por ser serviço público, porque podiam dar dicas para ajudar as pessoas a preencher o formulário.

Também não era mal pensado um “Quem Quer Namorar com a Influencer?”, em que ganhava quem aguentasse mais tempo a tirar fotos a pequenos-almoços com abacate, sem se querer matar. Pensem nisso com carinho. 

Esta é já a quarta temporada do programa que tenta encontrar o amor no meio de fardos de palha, mas o verdadeiro fardo é mesmo ter de assistir a isto. Como muitos dos formatos do género, quem viu a primeira temporada já viu todos: Matarruanos — uns mais do que outros — escolhem a dedo as senhoras que mais lhes agradam, levam-nas para o campo e depois põe-nas a correr atrás de gado e a apanhar bosta, que como sabemos é o sonho de qualquer mulher.

Tudo isto sempre com os seus melhores ténis brancos imaculados, para nos fazer acreditar que são muito urbanas e querem imenso descobrir onde fica essa tal perna extra de onde vem o fiambre. Há seis agricultores solteiros e isto foi o que eu fiquei a saber sobre eles, no diário que vi na tarde desta segunda-feira, 14 de junho.

Luís Feijão

Na casa do agricultor, uma das pretendentes acordou “com dois repolhos nos olhos devido a alergias”. Sinceramente não vi inchaço nenhum, por isso pareceu-me mais um caso de rebullshit alérgica. Quem não gostou muito desta atitude da concorrente foi o agricultor, que já tinha preparado um dia de animação no curral das ovelhas. Luís foi ensinar as raparigas a apanhar ovelhas, sendo que a dado momento uma delas parecia que estava a participar num filme maroto, daquelas categorias mais rebuscadas do Porntube. Coitadas das ovelhas. 

Tiago Belo 

A manhã do agricultor foi a ensinar as suas pretendentes a limpar a vinha. As senhoras estavam muito animadas e fizeram uma coroa de parras para oferecer ao Tiago. Como agradecimento, o agricultor divertiu-se a fazer placagens às raparigas. Entre risinhos e deslocamentos da omoplata foi uma manhã muito divertida.

José Luis 

O agricultor José Luís está claramente à margem dos restantes: tem aquela pinta de latifundiário que foi bastonário da ordem dos engenheiros agrónomos. Mesmo nos momentos em que pega na enxada, a coisa não combina muito. É como ver uma freira de tatuagens. Uma das senhoras mais expedita convidou o agricultor para irem os dois ao galinheiro — esse programa romântico. 

As outras acharam que seria uma brincadeira engraçada fecharem a porta do galinheiro e prenderem-nos lá dentro. O tio José Luís não foi em modas e como é o galo daquela capoeira começou aos amassos no poleiro. De repente começam a ouvir-se barulhos estranhos que vinham lá de dentro e eu fiquei a pensar que se calhar daqui a uns meses são capazes de nascer pintainhos. 

Aurélio Pinto

O Aurélio pôs as senhoras a montar uma cerca, o que não evitou trocadilhos como “o teu pau é grande”. Uma delas tem aspeto grunge e talvez por isso, a imitar o Michael Jackson a cantar, pareça um caniche a pedir comida. “Ela no meio de um canil passa exatamente por um cão”, comenta o agricultor. Que querido. 

Diogo Moreira 

As três concorrentes já estão apaixonadas pelo jovem agricultor e não têm receio de o assumir, o que já criou alguns conflitos. Diogo ainda está muito indeciso e por isso levou uma taça de cerejas para o pequeno-almoço para tentar animar a conversa. Não funcionou, claro. Tudo bem que as conversas são como as cerejas, mas neste caso parece-me que nem com uma garrafa de ginginha para cada um a coisa melhorava. 

Ana Palma 

A agricultora já mandou um dos pretendentes à vida e isso teve um impacto enorme… nos restantes participantes. “Sente-se falta da voz dele, da presença dele…”, diz um dos homens enquanto o outro reforça: ”Foi difícil acordar sem o Joaquim…” Hummm, não sei se a Ana vai ter muita sorte com este lote, mas o Joaquim, se quiser, já se safou. 

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