Romance, crime e um dilema moral inacreditável juntam-se na nova série documental da Netflix. “Devo Casar-me Com Um Assassino?” estreou a 29 de abril na plataforma e já é a segunda produção mais vista em Portugal e a nível global.
No centro do caso está Alexander “Sandy” McKellar e a sua então noiva, a patologista forense Caroline Muirhead, que acabou por desempenhar um papel decisivo na sua condenação. Aqui, tudo é contado pela própria Caroline.
A história começa em 2017, quando McKellar, um caçador e trabalhador numa propriedade nas Terras Altas da Escócia, conduzia sob o efeito de álcool e acabou por atropelar mortalmente Tony Parsons, de 63 anos, que estava a percorrer o Reino Unido após ter sobrevivido a um cancro.
Em vez de prestar auxílio, McKellar abandonou o local e, com a ajuda do irmão gémeo, Robert, regressou mais tarde para esconder o corpo, após ambos terem trocado de roupa e carro. Os dois enterraram a vítima na propriedade rural e ocultaram as provas. Durante mais de três anos, não houve avanços no caso.
Em 2020, já longe do crime, McKellar conheceu Caroline Muirhead através do Tinder. A relação evoluiu rapidamente: em poucos meses estavam noivos e viviam um romance intenso. No entanto, pouco depois do pedido de casamento, McKellar revelou-lhe o segredo que tinha guardado durante anos.
A partir desse momento, a vida de Caroline transformou-se num conflito constante entre o amor e a obrigação moral. Inicialmente em choque, acabou por procurar ajuda junto da polícia, mas decidiu manter a relação para conseguir reunir provas.
Num dos momentos-chave do caso, McKellar levou-a até ao local onde o corpo estava enterrado. Caroline aproveitou essa oportunidade para marcar discretamente o sítio — usando uma bebida energética que tinha na mão — permitindo às autoridades localizar os restos mortais.
Durante semanas, colaborou secretamente com a investigação e chegou a gravar conversas com o noivo. Apesar disso, continuou emocionalmente envolvida com McKellar, num processo descrito no documentário da Netflix como profundamente perturbador e marcado pelo medo, confusão e dependência emocional.
A denúncia acabou por levar à detenção dos irmãos no final de 2020. Em tribunal, McKellar declarou-se culpado de homicídio por negligência e tentativa de obstrução à justiça, sendo condenado a 12 anos de prisão. Robert, que ajudou a encobrir o crime, recebeu uma pena de cinco anos e três meses.
A série documental da Netflix reconstrói todo este percurso através do testemunho direto de Caroline Muirhead, que detalha não só a descoberta do crime, mas também o impacto psicológico do processo. A médica enfrentou problemas de saúde mental, abuso de substâncias e críticas à forma como foi apoiada pelas autoridades durante a investigação. Anos depois, e já com o caso encerrado, a médica diz ter reconstruído a vida, estando atualmente em terapia e numa nova relação.
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