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“El Presidente”: já estreou a série em que Albano Jerónimo aparece irreconhecível

A NiT entrevistou o ator que interpreta o ex-presidente da FIFA. “Foi uma oportunidade para descobrir este mundo do futebol."
Albano Jerónimo é o ator protagonista.

No ano passado, Albano Jerónimo partiu para o Uruguai para participar nas filmagens da segunda temporada de “El Presidente”. O resultado chega esta sexta-feira, 4 de novembro, à Amazon Prime Video. O ator português interpreta o ex-presidente da FIFA João Havelange.

Esta é uma história centrada nos escândalos de corrupção dentro do mundo do futebol, nomeadamente no interior da FIFA, envolvendo sobretudo dirigentes sul-americanos. A investigação que resultou em várias denúncias a partir de 2015 ficou conhecida como “FIFAgate”.

João Havelange, que foi o presidente da FIFA entre 1974 e 1998, também foi denunciado por corrupção. Morreu aos 100 anos, em 2016. Esta temporada, de oito episódios, volta a ser escrita e produzida pelo argentino Armando Bó, que venceu um Óscar quando co-escreveu o guião de “Birdman”.

A NiT falou com Albano Jerónimo e a atriz brasileira Maria Fernanda Cândido, que interpreta a mulher de João Havelange. Leia a entrevista.

O que é que vos atraiu mais para quererem participar neste projeto, quando ele vos foi apresentado pela primeira vez?
Albano Jerónimo (AJ): Foram várias as razões. Primeiramente, os atores, o guião, o facto de ser o Armando, a minha primeira vez enquanto protagonista numa série internacional, ter também essa experiência. Em Portugal tenho feito muito teatro e cinema, então faltava um bocadinho este sabor, esta perspetiva de mercado. E depois obviamente fazer esta espécie de biopic do João Havelange, que é um estímulo para qualquer ator. Desenvolver ou mergulhar neste universo do futebol.

Maria Fernanda Cândido (MFC): No meu caso, posso dizer que foi muito parecido com o Albano. Este é o primeiro trabalho no streaming, por isso foi uma grande novidade, uma experiência que queria muito ter. E quando soube que era do Armando, fiquei com muita vontade de trabalhar com ele, porque sou fã e admiro-o. Quando soube que era com o Albano, fiquei mais feliz ainda, porque era uma pessoa com quem também queria muito trabalhar. O mundo do futebol não faz exatamente parte da minha vida ou do meu dia a dia. Mas quando conheci o guião e compreendi a profundidade das personagens, fiquei encantada. Fiquei muito feliz de poder fazer esta personagem nesta série.

Quão bem conheciam esta história ou as personagens?
MFC: Realmente não conhecia, conhecia muito pouco deste universo. Não é, como eu disse, um universo que faça parte do meu dia a dia. Então para mim foi interessante poder aprender, descobrir, foi realmente um mundo novo que passei a conhecer.

AJ: O futebol também não faz muito parte do meu dia a dia. Foi uma oportunidade de conhecer e de me educar, como dizia a Maria, e de mergulhar neste universo do FIFAgate, toda esta realidade dos Mundiais — agora com o Qatar, por exemplo —, ou seja, foi uma porta que se abriu para me experimentar neste universo. Para teres uma ideia, aprecio muito mais futebol feminino. É mesmo outro enquadramento, e perceber como é que este jogo se foi transformando ao longo das décadas. Hoje é mais um negócio do que o próprio jogo de 22 pessoas atrás de uma bola. É uma oportunidade para dissecar um bocadinho, através do João Havelange, estes meandros do futebol. E o João Havelange… Toda a realidade futebolística como a conhecemos hoje é também graças a ele, toda esta parte mais mercantilista, onde os valores se transformaram em relação ao jogo, o jogo que deixou de ser jogo e que passou a ser muito mais do que isso. É toda esta janela de oportunidade que se abriu.

Estava a referir o Mundial do Qatar que ainda vai acontecer este ano, e também é um dos motivos pelos quais esta série tem uma grande relevância nesta altura. Porque a história que contam acaba por explicar como é que a indústria do futebol se desenvolveu e se tornou naquilo que conhecemos hoje.
AJ: Sem dúvida. Só para teres uma ideia, o último Mundial que o Havelange ainda decidiu foi este do Qatar, ainda tem a impressão digital dele. E, sim, sem dúvida que é um momento para refletirmos. Esta série vem como menu de entrada do Mundial, se quiseres, para as pessoas refletirem até que ponto é que isto nos toca, até que ponto é que isto nos muda, até que ponto é que um jogo como o futebol pode ser transformador. Porque não há nada como o futebol. É uma janela para as pessoas mergulharem um bocadinho neste modus operandi, de como é que esta máquina do futebol cresceu, como é que a FIFA se cimentou. Tudo isto são ingredientes para as pessoas aderirem a esta série — obviamente, além dos quatro realizadores que tivemos, a escrita do Armando, o trabalho de edição que é absolutamente incrível. Tudo isto junto faz este pequeno prato de degustação para as pessoas antes do Mundial.

Como é que se prepararam para estas personagens?
MFC: Bem, posso dizer que não tive o auxílio dos dados biográficos desta personagem, porque eram muito escassos, para não dizer praticamente inexistentes. Então foquei-me muito no guião. Foi toda a minha fonte de pesquisa, para perceber como poderia contribuir. Tive a oportunidade de ter um trabalho de muita criação, junto dos guionistas e da realização, tínhamos essa liberdade de criar juntos. Foi muito focado no argumento.

AJ: Da minha parte passou por várias coisas, sobretudo por um trabalho interior. Ou seja, a construção foi de dentro para fora. O que me interessava a mim e ao Armando era construir alguém que fosse humano, ou seja, imperfeito. E que este Havelange que normalmente conhecemos — se fores ao Google vais vê-lo sempre muito duro, pouco expressivo e não se fica a conhecer muito. Há um documentário feito pela Rede Globo, tens uma biografia editada, portanto foi falar com esses jornalistas, ler todos os materiais que existem. Depois o fundamental passa por duas vertentes: o primeiro trabalho foi falar o português do Brasil. Tive uma fono audióloga incrível que não só o conheceu, como me deu toda esta realidade mais carioca; e falar com pessoas que estiveram com ele, que partilharam momentos de vida com ele. A construção é de dentro para fora. A parte final, da maquilhagem, que todos os dias demorava três horas, tudo isso são setores onde sentia que estava muito seguro. Toda a gente iria contribuir de forma muito positiva. A minha preocupação foi humanizar, criar falhas porque as falhas ou os erros são perfeitos para construir. Então o erro como construção, como humanidade, foi a minha perspetiva e o nosso foco de trabalho.

O facto de ser uma produção de uma plataforma de streaming faz com que tenha uma componente mais internacional. Não só junto do público, mas neste caso isso também se nota no elenco e nos profissionais que fizeram parte da produção. O projeto foi mais entusiasmante por causa disso?
AJ: Sim, claro que é. Tínhamos atores japoneses, austríacos, alemães, espanhóis, argentinos, uruguaios… Portanto imagina a mescla que é, uma fauna absolutamente maravilhosa. Vamos estar a partir de 4 de novembro em 240 países. Isto por si só já é um estímulo brutal. E, obviamente, o meu objetivo é expandir o meu amor por aquilo que faço, por esta arte e fazê-la chegar a mais pessoas. Portanto estou muito feliz e é a minha perspetiva sobre as plataformas de streaming, são veículos para chegarem a mais pessoas.

MFC: Exato, Albano, subscrevo as palavras. Nós trabalhamos para o público, queremos que isto chegue ao maior número de pessoas e quando se trata deste tipo de plataforma, com a possibilidade de chegar a tanta gente, é sempre muito gratificante. Ainda mais falando de um tema que é tão popular no mundo inteiro, não é? É uma paixão das pessoas. Então temos essa sorte.

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