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A equipa de futebol que finalmente subiu de divisão graças a Ryan Reynolds

Juntamente com Rob McElhenney, o ator comprou o clube em 2020. A terceira temporada de "Bem-vindos ao Wrexham" já estreou.
É uma história emocionante.

Algumas celebridades apostam no imobiliário e restauração, enquanto outras investem nas suas próprias marcas, desde maquilhagem a roupa. Ryan Reynolds e Rob McElhenney, contudo, preferiram comprar uma equipa de futebol da quinta divisão do País de Gales. Esta aventura dos dois atores tem sido apresentada em “Bem-Vindos ao Wrexham”, cuja terceira temporada estreou esta quinta-feira, 13 de junho, na Disney+.

Graças a Reynolds, o clube finalmente conseguiu subir de divisão, passando da National League para a English Football League, após “15 penosas temporadas”, descreve a plataforma de streaming. “Conseguirá o Wrexham AFC estar à altura do desafio e erguer-se novamente?”.

Se havia dúvidas sobre o sucesso que os novos donos pudessem ter, essas foram deixadas de parte em abril de 2023 quando, lá está, o clube finalmente conseguiu subir de divisão. Quando se ouviu o apito final, o estádio de Racecourse Ground encheu-se de aplausos, um mar de adeptos vestidos de vermelho encheu o campo e milhares de homens estavam a chorar, entre eles os próprios donos do Wrexham.

“Nunca tinha sentido uma sensação de alívio assim. Nós estamos a carregar os sonhos e esperanças de inúmeras pessoas. Parecia que uma barragem se tinha destruído e não consegui parar de chorar”, contou o canadiano Ryan Reynolds, de 47 anos, ao jornal “USA Today”. “É como se algo tivesse saído dos nossos corpos”, acrescentou McElhenney.

A história dos dois amigos e sócios com o clube começou em 2020, quando anunciaram a compra por um valor um pouco acima dos três milhões de euros. Nas bancadas, os adeptos mostraram-se confusos. 

A passar por dificuldades e mergulhado em dívidas, a equipa não tinha como recusar a proposta dos dois atores. Gerido por um fundo totalmente suportado pelos seguidores do Wrexham, a compra teve o bónus de dar um novo fôlego aos representantes desportivos da cidade.

“É a história de um underdog”, explicou Reynolds no primeiro trailer da série documental.

Um acaso pouco casual

Por mais que McElhenney e Reynolds apontem para um acaso total, como seria de esperar, um investimento de mais de três milhões nunca seria feito às cegas. E o interesse súbito pelo futebol tem uma explicação.

Na origem desta história está o ator britânico Humphrey Ker, que contracenou com McElhenney na sitcom “Mythic Quest”. Ker aproveitava sempre os intervalos das gravações para ver as partidas do seu Liverpool e o colega, fanático por desporto, ficou curioso por esta modalidade.

“O Rob percebeu o quanto eu gostava daquilo e recomendei-lhe que visse o ‘Sunderland ‘Til I Die’. Pensei que iria ser importante porque ele é um contador de histórias e é a forma ideal para ele conhecer a história do futebol”, explicou o ator americano de 47 anos à revista de futebol “442”.

“Há outros documentários muito bons, mas não vão ao coração do jogo, que são os fãs. O Rob, sendo quem é, devorou cada um dos documentários e, no fim, disse-me: ‘Vamos comprar um clube de futebol’”, recordou.

“Lembro-me do momento [em que disse à mulher que ia comprar um clube de futebol]. Estava a ver o ‘Sunderland ‘Til I Die’ e a apaixonar-me por aquela equipa, por aquelas pessoas e por aquela história. Honestamente, foi a primeira vez que consegui compreender o conceito de subida e descida de divisão”, conta McElhenney à “BBC”. “Sabia que não podia comprar o Liverpool ou outro clube assim, mas talvez conseguisse comprar uma equipa de uma divisão mais baixa.”

O plano começou a ser desenhado e teria que cumprir uma série de requisitos. Inicialmente, foi preciso realizar uma análise completa ao clube alvo, entre estádio, tamanho da massa adepta, história e finanças. De acordo com a tabela projetada por Ker, o Wrexham conseguiu 38 pontos em 50.

“Queríamos escolher um clube que o merecesse e o Wrexham precisa de uma pausa. Os adeptos precisam de uma pausa. O mesmo se pode dizer da cidade”, explicou o ator.

A história de terror do Wrexham AFC atingiu níveis sem precedentes em 2004, quando o clube perdeu 10 pontos devido a problemas financeiros. A direção da altura acumulou mais de quatro milhões de euros de dívidas, mesmo com os adeptos a tentarem angariar fundos entre si para manterem o clube à tona. Sucessivas administrações desastrosas e várias idas a tribunal depois, os Red Dragons encontravam-se na quinta divisão, sem grandes ambições ou esperanças.

Reynolds em ação

A ambição de McElhenney iria exigir algum poder financeiro, por isso lembrou-se de pedir ajuda ao ator e multimilionário Ryan Reynolds. Apesar de nunca ter estado pessoalmente com ele.

“O estranho é que o conheço há anos mas nunca nos encontrámos. Somos apenas amigos de mensagens. Ele vive em Nova Iorque, eu em Los Angeles”. Conheceram-se nas redes sociais e ficaram amigos.

“Um dia estava a tomar banho e pensei que ele é um tipo empreendedor e que talvez aceitasse ser meu parceiro nesta aventura.” Como sempre fazia, escreveu-lhe uma mensagem no computador a avançar com a ideia. A resposta foi curta e rápida. “Estou dentro. Liga-me.”

A proposta de compra do clube foi feita e aceite. O negócio foi oficializado a 9 de fevereiro de 2021 e, como seria de esperar, nem todos os adeptos acharam piada à chegada de dois estranhos que, apesar de famosos, pouco ou nada sabiam sobre o seu clube.

“A questão que fazia a mim próprio era: estarão a fazê-lo por causa de um documentário ou estão mesmo a comprar um clube de futebol?”, contou à “442” um dos adeptos do Wrexham. “Estava dividido, 50-50, mas conquistaram-me quando contrataram o Phil Parkinson como manager.”

“Nunca pensei dar por mim a ser o gajo que está a gritar de alegria por um empate a zero, mas foi isso que aconteceu”, contou McElhenney, sobre o desdém que os americanos têm pelos empates e desportos que podem terminar sem quaisquer pontuação.

Sobre o tipo de gestão que querem para o clube, definem-se como “guardiões” e não “donos”. “A palavra dono, no contexto de um clube de futebol, não faz sentido para mim”, explicou o ator. “O clube não é nosso, é da cidade.”

A entrada em cena de Reynolds foi benéfica, pelo menos a nível financeiro. As marcas começaram a chegar-se à frente, para estarem associadas aos atores. Isso trouxe mais dinheiro ao clube, mas não uma maior competitividade.

“O clube é um gigante adormecido. Temos os recurso e a capacidade para fazer crescer o clube de uma forma que nunca se viu antes”, confessou Reynolds.

O Wrexham contratou novas figuras para as posições de topo, que deveriam estar nas mãos de conhecedores da realidade futebolística. Apesar do esforço, não foram capazes de garantir a subida de divisão na última temporada, que terminaram no segundo lugar, atrás do Stockport County. Chegaram também à final do FA Trophy, que perderam.

Noutros campos, a fama foi surtindo efeitos, como o facto de a equipa se ter tornado na primeira, fora das ligas, a estar presente no FIFA 22. Um de muitos efeitos provocados pela fama dos novos donos.

Por enquanto, não poderão festejar a subida à divisão superior — mas terão certamente um lugar de destaque nas plataformas de streaming já a partir de agosto.

Carregue na galeria para conhecer outras séries e temporadas que estreiam em junho nas plataformas de streaming e canais de televisão.

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