Televisão

“Escape at Dannemora”: eles querem fugir da prisão mas nós queremos entrar

Crítica: a realização de Ben Stiller é digna de cinema, Patricia Arquette está irreconhecível.
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A história começa pelo fim (ou quase) e sabemos logo o que vai acontecer a Joyce Mitchell. Perdão, Tilly, toda a gente lhe chama Tilly. Durante vários minutos apenas ouvimos a voz e logo ali começamos a formar a nossa opinião. Funcionária da prisão de alta segurança Clinton Correctional Facility, está a ser interrogada pelo seu papel na fuga de dois detidos, David Sweat (Paul Dano) e Richard Matt (Benicio del Toro). A câmara vai rodando lentamente em torno dela, só se focando na cara no final da cena.

A história verídica pode até ter estes dois como personagens centrais deste “Prison Break” da vida real mas em “Escape at Dannemora” — a minissérie transmitida todos os domingos, às 23 horas, pelo TVSéries — é Tilly ou Patricia Arquette, neste caso, quem brilha.

Ganhou peso, dentes falsos e manchas na pele e, de facto, não é possível reconhecer Arquette fisicamente em momento algum. Já a dualidade da mulher que interpreta está tão bem explorada que é ela que ansiamos ver a toda a hora no ecrã. Tilly tem um aspeto desleixado (que vai mudar ligeiramente à medida que a história avança), tem sempre a mesma rotina (trabalho/casa, casa/trabalho) com o marido, um homem simples que não tem mais ambições do que aquilo, e trabalha numa espécie de alfaiataria da prisão. É aí que se envolve com Sweat, e mais tarde com Matt, e é quando se fecha na sala das traseiras para as relações sexuais relâmpago que vemos um lado cheio de desejos reprimidos, uma necessidade de atenção, uma vaidade por se sentir cobiçada (embora seja apenas usada como uma peça para a fuga).

No primeiro episódio ainda não sabemos exatamente o que vai fazer para ajudar os reclusos a fugir mas nos saltos entre passado e presente vemo-la detida — por isso, alguma coisa fez. A primeira hora da história funciona quase como um prefácio, serve para nos dar a conhecer as personagens. Matt é um talentoso pintor, faz retratos incríveis e delicados mas rapidamente mostra porque está ali. “Não tenho personalidade”, ameaça del Toro com um olhar desarmante. Ele tem uma posição privilegiada com polícias e reclusos e gere a troca de favores. Partirá dele o plano de fuga.

Não parece mas é ela, Patricia Arquette.

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