Televisão

“Eu não tinha nada a ver com o Vic Mackey. Mas sou parecido com esta personagem”

A NiT entrevistou Michael Chiklis, ator americano que se tornou conhecido em “The Shield” e que agora tem uma nova série, “Coyote”.
O ator tem 57 anos.

O ator americano Michael Chiklis tornou-se conhecido em todo o mundo quando foi, durante seis anos, o protagonista de “The Shield”. A série que acompanhava a unidade liderada pelo agente corrupto Vic Mackey, dentro da polícia de Los Angeles, foi um enorme sucesso.

Chegou a vencer o Globo de Ouro para Melhor Série de Drama e Michael Chiklis também foi considerado Melhor Ator numa Série de Drama, tanto nos Globos de Ouro como nos Emmys, em 2002. Atualmente com 57 anos, Chiklis sempre continuou a carreira, entre o cinema e a televisão, mesmo que nunca mais tenha tido um papel tão impactante. 

Agora, tem uma nova oportunidade para isso. Ele é o protagonista de “Coyote”, produção de seis episódios que estreou esta segunda-feira, 25 de janeiro, na televisão portuguesa. Pode andar para trás na box no canal AXN para ver o primeiro capítulo da história, e depois é só continuar a ver os restantes. 

Esta série centra-se num homem que, durante mais de 30 anos, foi agente policial na fronteira entre os EUA e o México. Só que agora vai ter de trabalhar para aqueles que sempre tentou impedir de entrarem no país. A NiT entrevistou Michael Chiklis sobre este novo papel.

Quando ouviu falar desta série, o que é que o atraiu para este projeto?
Foram sobretudo duas coisas. Em primeiro lugar, porque uma das minhas amigas mais próximas e antigas, Michelle MacLaren, trouxe-a até mim. Temos sido amigos muito próximos durante 26 anos, ela para mim é como se fosse uma irmã. Sempre quisemos trabalhar juntos, mas eu estava ocupado, a fazer coisas como “The Shield”, e ela estava a fazer “Breaking Bad” e outras séries. Nunca tínhamos tido uma oportunidade. E ela ligou-me há dois anos e disse: eu encontrei. Encontrei aquilo que vamos fazer juntos. Fomos jantar, ela apresentou-me a série e eu “uau, OK, vamos entrar diretamente no fogo”. Porque é um assunto incrivelmente escaldante e político. E isso preocupou-me, mas quando li o guião adorei, porque não era político. Era humano. Mas real, duro e verdadeiro: estas são as coisas que acontecem. E em termos temáticos, como está a lidar com um choque de culturas, que acontece em todo o mundo, pareceu-me algo muito relevante. Vemos isto em todo o mundo onde haja fronteiras, seja na Ásia ou no Médio Oriente, em todo o lado. E ao mesmo tempo tinha muitas camadas cinzentas de uma forma que me atraiu muito enquanto ator.

Qual foi o maior desafio em fazer esta série?
Houve vários, e um deles foi que gravámos no México, e há uma barreira linguística. Tivemos que trabalhar nisso enquanto elenco e equipa, porque mais de 80 por cento da equipa era mexicana ou de outros países da América central e do sul. Insistimos em ter vozes dos dois lados da fronteira e queríamos que esse diálogo acontecesse tanto no ecrã como nos bastidores. Com isso vieram os desafios logísticos de estar do lado de lá da fronteira, mas ultrapassámos essas coisas e trabalhámos muito bem juntos, foi realmente muito bom. Em termos de colaborações foi uma das melhores da minha carreira.

Em relação à personagem que interpreta, teve de fazer algum tipo de preparação especial?
Foi sobretudo estudo e observação. Nós fomos até à fronteira, passámos algum tempo com agentes lá, discutimos os procedimentos deles, como é o dia a dia deles, as atitudes que eles têm para com as situações. E fizemos o mesmo do outro lado, no México. Falámos com jornalistas de investigação da Cidade do México, conversámos com muitas pessoas. E isso foi muito importante, ir lá, estar lá. Uma coisa é gravar um filme de super-heróis num estúdio, mas quando estás a fazer algo como isto, queres ir pela perspetiva real, fazer a coisa a sério. Pelo menos eu quero. E por isso é que insistimos em gravar no México. Porque não consegues fingir aquilo. Podes tentar, mas não há nada como estar mesmo lá. E por isso é que a série tem uma autenticidade, um realismo, o México é quase uma personagem na série.

Esta realidade já lhe era familiar, ou foi muito surpreendente para si?
Foi muito surpreendente, de formas diferentes. Eu já tinha estado algumas vezes no México, mas não me tinha apercebido o quão numa bolha eu estava, o meu ponto de vista era muito particular. Eu tinha estado em sítios como o Cabo San Lucas e nunca tinha percebido o quão turísticos estes locais são. É muito diferente quando vais e passas tempo no campo, em sítios como Ensenada. São cidades mexicanas, com trabalhadores locais, e aprendes imenso sobre coisas que não sabias, por causa da tua própria ignorância. Por isso foi um incrível abre-olhos, foi realmente bonito.

Que semelhanças é que tem com esta personagem?
Acho que há sempre um pouco de ti em cada personagem e depois há algumas coisas que são completamente diferentes. No caso do Vic Mackey [personagem de “The Shield”], por exemplo, era um anti-herói sociopata [risos], não tinha nada a ver comigo. Mas com o Ben Clemens ele é parecido comigo, porque, tal como ele, eu não sou um herói nem um anti-herói, sou apenas uma pessoa. Ele é um homem comum. Mas a questão é que ele viu o mundo a partir de uma prisão muito específica durante toda a sua vida. E agora ele é obrigado a, literal e figurativamente, andar 100 milhas no papel de outra pessoa. E aprender coisas que ele nunca sonharia. E isso vai tirá-lo completamente da sua zona de conforto. Eu achei que isso era fascinante e desafiante, enquanto ator e pessoa. E quero continuar a crescer e a aprender enquanto pessoa. Por isso, nesse sentido somos bastante parecidos.

Estava a falar de Vic Mackey, que continua a ser uma das suas personagens mais famosas de sempre. É mais difícil interpretar esse tipo de personagens, mais distantes da pessoa comum, ou pelo contrário?
De certa forma, é mais fácil porque consegues usar a tua imaginação e ser criativo. Mas também pode ser mais difícil, porque continuas a querer permanecer com os pés na terra e a tornar a coisa realista. Adoro o facto de que “Coyote” é semelhante no tom e nas técnicas narrativas a “The Shield”, mas não conseguia ser mais diferente em relação à personagem e à história.

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