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Filme-concerto de Nick Cave, comédias românticas e ação: o que ver na TV este fim de semana

De histórias de amor àquele que é considerado "o melhor filme" de Steve Seagal, há propostas para todos os gostos.

Nas últimas semanas, Portugal tem sido assolado por tempestades consecutivas com efeitos devastadores. E as previsões para os próximos dias não são animadoras: vem aí uma nova depressão, a Marta. O mau tempo anunciado convida a um fim de semana no sofá, ideal para fazer uma maratona de filmes na televisão. Para quem não sabe o que escolher, a NiT fez uma seleção com obras para todos os gostos, incluindo para os fãs de emoções fortes (longe das intempéries).

Entre as 12 sugestões, destacamos duas, de géneros distintos, mas com características que se tocam. A primeira, a abrir o fim de semana é já esta sexta-feira: o filme-concerto de Nick Cave & The Bad Seeds em Paris, que será exibido na RTP2 pelas 23h30. A segunda leva-nos para a costa da Noruega, com o filme “Mar do Norte”, que passa domingo no SyFy, pelas 23 horas.

À primeira vista, o desastre iminente de uma plataforma petrolífera no Mar do Norte e a catarse lírica de Nick Cave num palco parisiense parecem habitar universos paralelos. No entanto, quando cruzamos o cinema de John Andreas Andersen e a performance épica na Accor Arena, emerge um fio condutor profundo: a vulnerabilidade humana perante forças que nos transcendem, sejam elas a “fúria da natureza” ou o “fervor místico” da dor e da redenção.

Em “Mar do Norte”, o realizador norueguês afasta-se dos clichés do género filme-catástrofe ao explorar a nossa culpabilidade no que acontece ao mundo que habitamos. A longa-metragem retrata o fundo do oceano a sucumbir às consequências da exploração desenfreada como “uma metáfora para o esgotamento”. Não se trata apenas de um acidente, mas de “uma espécie de ajuste de contas geológico”.

Paralelamente, o concerto de Nick Cave & The Bad Seeds oferece uma experiência que poderíamos descrever como “mares revoltos de poesia e dor”. Se no filme a ameaça é externa e física (o desabamento das plataformas), na música a catástrofe é interior e existencial. O “Wild God” (álbum lançado em 2024) do artista australiano ecoa no “deus-natureza” de Andersen: ambos exigem atenção, sacrifício e um confronto direto com o abismo que criámos ou que herdámos.

A força de narrativa de “Mar do Norte” reside na sua capacidade de ancorar o espetáculo visual das plataformas em chamas no drama íntimo de Kristine e na sua luta para salvar o companheiro. É este foco no amor e na resiliência que humaniza o desastre. No palco da Accor Arena, Nick Cave opera num registo semelhante. Embora rodeado por uma formação poderosa, incluindo Colin Greenwood (baixista dos Radiohead) e um coro de vozes gospel, o núcleo do espetáculo é a emoção bruta e a ligação magnética entre o artista e o público.

Ambas as obras andam em torno da urgência, seja da sobrevivência contra o tempo e o petróleo em chamas no filme; seja da urgência em recuperar o tempo perdido, celebrando a vida após o luto e a ausência.

“Muita da destruição que vimos [no filme] já aconteceu, ouvimos falar dela nos noticiários”, sublinhou o realizador durante a promoção de “Mar do Norte”, que estreou nos cinemas em 2021.

Esta ligação direta à realidade também ecoa na voz de Cave: a sua música não é mera ficção; é o resultado da procura incessante pela luz na escuridão, numa vida marcada por perdas reais (do pai, aos 19 anos; e de dois filhos, de 15 e 31 anos, ambas de forma trágica).

Sejam as imagens de uma plataforma petrolífera a afundar-se em chamas, ou os acordes de “Red Right Hand”, ambos nos recordam que, perante o descalabro — ambiental ou emocional —, a única saída é a coragem de enfrentar o abismo. Nem que seja ficando em casa, frente à televisão, a refletir sobre o impacto das tempestades dos últimos tempos nas nossas vidas.

Entre as restantes sugestões também se encontram outros géneros, da comédia ao drama, passando por thrillers de espionagem, por um capítulo do universo “Star Wars” e por uma história de amor entre Michelle Pfeiffer e Al Pacino. Sem esquecer o filme realizado em Portugal por Daniela Ruah, com futebol à mistura.

Carregue na galeria para descobrir os 12 filmes imperdíveis que passam este fim de semana na televisão.

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