Televisão

Final de “Stranger Things” traz os mais longos e caros episódios de sempre da televisão

Perto de 30 milhões de euros por capítulo, num fim com duas horas e meia. Vai ser assim a conclusão da quarta temporada.
Vai ser épico

Terminado que está o Volume 1 da quarta temporada de “Stranger Things”, eis que o Volume 2 está prestes a arrancar já esta sexta-feira, 1 de julho, data em que ficarão disponíveis na Netflix os dois derradeiros episódios da série. E se até aqui, os 98 minutos do episódio final do primeiro volume bateram um recorde, os irmãos Duffer preparam-se para fazer aterrar no colo dos fãs um final verdadeiramente épico.

Os dois últimos capítulos totalizam mais de quatro horas de televisão. Se o penúltimo se irá equiparar aos 98 minutos do antecessor, o grande final terá perto de duas horas e meia de duração. Para se encontrar algo semelhante na televisão é preciso recuar até ao final de “M*A*S*H”, a comédia de guerra que estreou em 1972 e terminou uma década depois em 1983.

Só quando as gravações terminaram e os irmãos se sentaram na sala de edição é que perceberam que a história ia ser mesmo muito longa. “Oh, Deus, isto é mesmo grande”, recorda Ross Duffer, em entrevista à “Variety”.

“Olhamos para cada um dos episódios e era impossível terminá-los 15 minutos antes. No que toca à estrutura desta temporada, creio que temos quatro grandes narrativas e cada uma tem três ou quatro momentos por episódio. Todas elas caminham para um ponto específico.”

Nos registos históricos, há apenas um episódio televisivo mais longo, gravado para uma série turca, que totaliza 159 minutos. Com os seus 150 minutos, “Chapter Nine: The Piggyback”, deixa para trás todos os grandes finais de séries comerciais dos últimos anos. “The Long Night”, o último capítulo de “A Guerra dos Tronos” precisou apenas de 82 minutos para fechar a história.

O eterno “Made in America” de “Os Sopranos” precisou apenas de 62 minutos. Já o episódio final de “The Wire” apostou em 93 minutos. “Felina”, indiscutivelmente um dos finais mais aguardados da televisão das últimas décadas, fechou “Breaking Bad” em apenas 55 minutos.

“Fazer os episódios assim foi sempre a visão central criativa para esta temporada”, explica Matt Thunell à “Indiewire”, um dos produtores-executivos da série. “Os episódios são mais longos porque temos um enorme leque de personagens e os fãs adoram cada um deles. Dar-lhes o seu tempo, episódio a episódio, significa que temos de os expandir para dar espaço a cada personagem.”

É um salto enorme dos Duffer Brothers: até aqui, o seu maior episódio ficava-se pelos 76 minutos. Essa aposta não se fica apenas pela coragem, até porque episódios mais longos e ambiciosos têm uma fatura mais elevada.

“Revimos o último episódio por ser tão longo, mas não havia nenhum sítio bom para o interromper”, explicou Ross Duffer. “Então pensámos, porque é que o haveríamos de fazer? A verdade é que qualquer pessoa pode carregar no botão de pausa quando quiser.”

Mesmo com a Netflix em contenção de custos, depois de uma redução no número de subscritores pela primeira vez na sua história, o investimento é estonteante. Estima-se que o valor gasto na quarta temporada chegue aos 260 milhões de euros, aproximadamente 28 milhões por cada um dos nove episódios.

“Não [nos deram carta branca], tudo depende de uma discussão”, explica Matt Duffer. “Temos uma ótima relação com a Netflix, onde todos querem que a série seja bem-sucedida. O nosso objetivo é que, independentemente do dinheiro que custe, ele tem que ser visível no ecrã. Apesar de termos passado muito tempo a gravar, cada um desses dias estava repleto de ação. Foi tudo muito rápido.”

O valor torna-se ainda mais impressionante quando comparado com as mais caras produções televisivas dos últimos anos. A temporada final de “A Guerra dos Tronos” custou pouco mais de 14 milhões por episódio — um total de perto de 84 milhões de euros, um terço do custo de “Stranger Things”.

Nem os elaborados cenários de “The Pacific”, da HBO — que terão custado 19 milhões por episódio — chegam perto desta loucura. Mais perto só mesmo as adaptações televisivas da Marvel, com valores que podem chegar aos 23 milhões por episódio. Verdadeiro concorrente, há apenas um no horizonte, a adaptação televisiva da Amazon de “O Senhor dos Anéis”, que alegadamente custará um total 443 milhões a produzir, perto de 56 por episódio.

A chegada bombástica de “Stranger Things” pode ser a grande aposta da Netflix para calar os críticos. A nova temporada precisou apenas de 17 dias para quebrar o recorde de visualizações da segunda temporada de “Bridgerton”, que se mantinha no topo da que mais horas de visualização acumulou nos primeiros 28 dias. No total, “Stranger Things” foi vista por mais de 780 milhões de horas, valor a que se juntam mais 159 milhões apenas na última semana.

Os mais recentes números ajudaram a série a bater o segundo classificado no ranking, a quinta temporada de “La Casa de Papel”. Resta o todo-poderoso “Squid Game”, no topo dos mais vistos com 1,6 mil milhões de horas.

Com dois episódios a faltarem ir para o ar, está no bom caminho para bater os dois concorrentes que permanecem à sua frente: a quinta temporada de “La Casa de Papel”, com 792 milhões de horas.

A opção ambiciosa parece estar a criar algum mal-estar dentro da empresa que, segundo o “The Wall Street Journal”, está a preparar alguns cortes no investimento, o que poderá implicar o cancelamento de várias séries. Por outro lado, o objetivo passa agora por apostar em séries de custo baixo mas de retorno alto, para compensar o custo de produções como “Stranger Things”, mas também “The Crown” ou “The Witcher”.

Porém, nem todos os milhões e minutos são garantia de um final épico — que o digam os fãs de “A Guerra dos Tronos”. A teima tira-se já esta sexta-feira, 1 de julho, data de arranque de um garantido binge watch de quatro horas.

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