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Florence Pugh é a estrela do novo (e misterioso) filme da Netflix

“O Prodígio” é um thriller dramático sobre a história de uma jovem que sobrevive sem comer.
Florence Pugh é a estrela do filme

Inglaterra, 1862. A enfermeira Lib Wright é chamada para viajar até à Irlanda rural, onde um milagre parece estar a ter lugar. Na pequena comunidade, ninguém consegue tirar os olhos de Anna, uma pequena jovem de 11 anos que se recusa a comer.

Todos acreditam estar perante um milagre. Afinal, a jovem não come há mais de quatro meses e ninguém consegue explicar como é que a irlandesa ainda está viva e sem aparentes problemas de saúde.

Wright é então encarregue de ser uma das vigilantes da jovem, que deverá observar atentamente durante 15 dias, para tentar chegar a uma conclusão. A enfermeira não acredita em milagres. A povoação, sim. E é neste clima de suspeição, de crenças e de terror psicológico que vive o novo filme da Netflix.

“O Prodígio”, uma das mais recentes produções a chegar à plataforma, estreou a 16 de novembro. Nos comandos está Sebastián Lelio, um dos nomes fortes da nova vaga de realizadores chilenos, que tem no currículo a conquista do Óscar para Melhor Filme Internacional em 2018, com “Uma Mulher Fantástica”.

Para isso, conta com a presença no papel principal de Florence Pugh, nome em ascensão em Hollywood, sobretudo desde a nomeação ao Óscar, pelo seu papel em “As Mulherzinhas”, de 2019. O elenco conta ainda com nomes como Kila Lord Cassidy, Tom Burke, Niamh Algar, Elaine Cassidy ou Toby Jones.

O argumento, assinado por Lelio e Alice Birch — uma das argumentistas de séries como “Normal People” ou “Succession” — tem por base o livro com o mesmo título da autoria de Emma Donoghue. Nele, assiste-se a um confronto entre as crenças de Wright e as da pequena vila, que acredita estar perante um milagre.

A jovem afirma que se alimenta apenas de “maná vinda dos céus”. Mas o deteriorar da sua saúde leva Lib Wright a desconfiar do milagre e a tentar procurar a verdade. Só que a verdade implica a negação da fé do povo, o que se revela um problema.

O thriller dramático e misterioso é uma espécie de batalha entre ciência e religião. Pugh, que se prepara para estrear na sequela de “Dune”, assinala um reencontro com Lelio e Birch, depois de estes terem assinado o argumento de “Lady Macbeth”, filme que ajudou a catapultar a atriz de 26 anos.

“Ela é uma atriz que traz um elevado nível de interpretação aos seus papéis. Faz com quem estejas sempre do lado dela. Sentes-te acolhido graças ao seu magnetismo e força”, explicou o realizador chileno, que confessa ter revisto o guião assim que soube que Pugh seria a sua protagonista.

A história tem outro contexto dramático. Decorre pouco mais de uma década depois da Grande Fome, que assolou povoações inteiras e deixou fortes e profundas marcas psicológicas. O jejum milagroso da jovem acaba por tornar-se numa obsessão dos habitantes da vila. “É uma ideia realmente poética e requer um certo nível de precisão”, explica o realizador à “IndieWire”.

Ao lado de Wright, surge um jornalista que acaba por se interessar pela história, interpretado pelo ator Tom Burke. Igualmente cético, acaba por se unir à enfermeira na luta pela vida da jovem.

Lelio confessa ter-se inspirado pelos filmes de Jean-Luc Godard. “A sugestão de que tudo isto é um artifício e de que [os telespectadores] vão acreditar nesse artifício e vão esquecer-se de que ele existe”, revelou. “Para mim, esse é o elemento-chave deste filme, porque se centra na colisão entre sistemas de crença, o sistema católico e o sistema científico, o racionalismo a embater na religião ou no pensamento mágico. E a jovem está presa no centro desta história, da qual Lib tenta libertá-la.”

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