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Força Aérea Portuguesa participa na produção de “A Guerra dos Tronos” em Portugal

O helicóptero que está a ser usado para transportar material é o Koala. Os atores estão quase a chegar a Idanha-a-Nova.
O helicóptero foi adquirido em 2018.

A produção de “A Guerra dos Tronos” no concelho de Idanha-a-Nova intensificou-se nas últimas 24 horas — quando chegaram de Espanha dezenas de camiões e carrinhas com material técnico para as gravações da prequela “House of the Dragon”. Contudo, há uma semana que existe uma equipa portuguesa no local a montar estruturas para as gravações.

Os camiões que transportam as toneladas de material técnico que vai ser usado nas filmagens não conseguem percorrer as estreitas ruas da aldeia de Monsanto. Por isso mesmo, estão a estacionar num descampado e os técnicos estão a mover o material para o interior de um helicóptero, que faz a travessia entre esta área e o interior de Monsanto, onde aterra para deixar o material. 

Trata-se de um helicóptero da Força Aérea Portuguesa, confirmou um porta-voz oficial à NiT esta quarta-feira, 27 de outubro. O processo foi desencadeado a partir de uma solicitação da Câmara Municipal de Idanha-a-Nova, no âmbito de um “treino operacional” de transporte de material, adianta.

A aeronave, que foi adquirida em 2018, é conhecida como Koala — apesar de o nome oficial ser AW119MKII. Foi desenvolvido a partir do bimotor AW109 e é descrita como sendo extremamente versátil. Serve para funções tão distintas como instrução básica e avançada de voo; busca e salvamento; evacuação sanitária; patrulhamento e observação; e apoio ao combate aos incêndios rurais.

Uma outra fonte da Força Aérea Portuguesa explica à NiT que este tipo de missões pode acontecer caso se considere que haja benefícios em troca — seja para o País ou para este ramo das forças armadas. A ordem pode vir do governo ou ser uma decisão interna das chefias da Força Aérea. Quando a decisão está tomada, os operadores verificam a disponibilidade das aeronaves e as necessidades requisitadas para fazerem o processo avançar.

Neste caso, a enorme visibilidade de “A Guerra dos Tronos” e a vantagem que isso pode trazer para o turismo nacional deverá ter sido o fator que levou a que a Força Aérea Portuguesa emprestasse o seu helicóptero.

A mesma fonte assegura que é difícil encontrar uma versão civil deste tipo de aeronaves que seja equiparável ao Koala. Este helicóptero, que está a voar sem estar descaracterizado, pode levar até sete passageiros (além do piloto). Tem capacidade para transportar 1400 quilos em carga suspensa. O peso máximo que pode carregar à descolagem é de 2850 quilos. Pode atingir uma velocidade de 267 quilómetros por hora e tem uma autonomia máxima de quatro horas. É operado pela esquadra 552 — “Zangões”.

As gravações em Idanha-a-Nova

Ao que tudo indica, as gravações devem mesmo arrancar nos próximos dias. A autarquia já divulgou os locais que estarão impedidos até ao início de novembro. O castelo de Monsanto “estará interdito a residentes e visitantes entre 18 de outubro e 13 de novembro de 2021”. “A interdição visa criar condições de logística e segurança para as equipas de trabalho na montagem de cenários e equipamentos.” Vários figurantes portugueses vão participar.

Os atores vão ficar instalados no Hotel Fonte Santa, junto das Termas de Monfortinho. Parte da equipa técnica está instalada no Alambique de Ouro, no Fundão. Este hotel está totalmente ocupado pelos profissionais e o diretor explica à NiT que não se arrepende de ter recusado outras reservas.

“House of the Dragon” será uma prequela de “A Guerra dos Tronos” e baseia-se no livro “Fire & Blood”, do mesmo autor George R. R. Martin e centra-se na família Targaryen, 300 anos antes dos acontecimentos da série original. Vai contar com dez episódios e estreia em 2022 na HBO. O primeiro teaser já foi lançado.

Nesta nova história, as personagens são outras, mas a sede de poder do clã Targaryen mantém-se intacta. No centro da narrativa está, mais uma vez, a sucessão e o direito a tomar o controlo do Trono de Ferro.

Sob o comando dos Targaryen, numa época em que os dragões dominavam tudo e todos, habilmente comandados pelos seus mestres de cabelos platinados, Westeros prepara-se para uma nova batalha. A guerra civil que se seguiu recebeu o nome de “Dance of the Dragons”, a Dança dos Dragões. O confronto opôs dois herdeiros ao trono, Rhaenyra e o seu meio-irmão Aegon II, num conflito que definiu muito do que seria o futuro da então mais temida e poderosa casa de Westeros.

Com David Benioff e D.B. Weiss fora de cena, um velho conhecido de “A Guerra dos Tronos” foi chamado para liderar a produção. Miguel Sapochnik, realizador de alguns dos mais famosos episódios da série, é agora um dos showrunners, ao lado de Ryan Condal — este último um dos argumentistas que trabalhou lado a lado com George R. R. Martin.

Além disso, está confirmado que o compositor Ramin Djawadi, o autor dos temas originais que se destacaram durante as oito temporadas de “A Guerra dos Tronos”, está de volta para este novo projeto.

“A possibilidade de podermos ter uma produtora que venha utilizar o nosso património, como é o caso de Monsanto, para filmagens da fase anterior de ‘A Guerra dos Tronos’, é para nós uma oportunidade de excelência. Não só para dar notoriedade ao território, mas depois, em termos de economia, a própria produção traz-nos uma envolvência de todos os agentes. São dois aspetos muito importantes. Obviamente estamos muitíssimo interessados”, disse à NiT em agosto o presidente da Câmara Municipal de Idanha-a-Nova, Armindo Jacinto. “Gostaria de ver os dragões em Monsanto, a sobrevoar a região toda.”

Várias regiões europeias que receberam filmagens de “A Guerra dos Tronos” ao longo das oito temporadas — nomeadamente em Espanha, na Croácia ou na Irlanda — viram o turismo local explodir nos anos que se seguiram. Leia o artigo da NiT que explica quais são as grandes atrações de Monsanto que terão conquistado os produtores de “House of the Dragon”.

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