Televisão

Freddie Highmore: “É uma honra enorme interpretar um médico na televisão nesta altura”

A estrela de "The Good Doctor" falou com a NiT e revelou alguns detalhes sobre a nova temporada.
A quinta temporada já estreou.

A quinta temporada de “The Good Doctor” estreou a 27 de setembro nos EUA, e um dia depois em Portugal. Por cá, a série é transmitida no AXN às terças-feiras à noite. As primeiras três temporadas estão também disponíveis na Netflix, com a quarta a chegar ao catálogo da plataforma de streaming a 3 de novembro.

Em “The Good Doctor”, acompanhamos a vida profissional e pessoal de Shaun Murphy (Freddie Highmore), um médico brilhante com uma personalidade bastante peculiar, influenciada pelo seu diagnóstico de autismo e síndrome de Savant.

Shaun tem dificuldades em socializar, mas, ao mesmo tempo, possui dons incríveis. Além de ser um excelente cirurgião, é extremamente inteligente e tem uma ótima memória fotográfica. Ao longo do tempo, Shaun desenvolveu uma relação com a sua primeira paixão, Lea Dilallo — algo que foi muito mais difícil para ele do que os complexos procedimentos médicos que realiza no dia a dia no hospital.

Além de “The Good Doctor”, Freddie Highmore já tem no seu currículo vários outros papéis de destaque: fez de Charlie, em “Charlie e a Fábrica de Chocolate”; interpretou Thom, em “Assalto à Casa-Forte”; ou Norman Bates, em “Bates Motel”, entre outros.

A NiT entrevistou o ator numa conferência de imprensa internacional. Leia a entrevista.

Tem sido produtor em “The Good Doctor” desde o início da série. Também já escreveu e realizou alguns episódios. O que é que aprendeu do seu trabalho enquanto ator ao fazer todas estas coisas atrás das câmaras?
Tem sido bastante entusiasmante estar envolvido enquanto produtor desde o início da série. O Shaun é uma personagem bastante complexa e com várias nuances, e cada parte parece ser tão importante e significante, por isso estou muito grato ao David Shore [o criador da série], pela forma como ele me recebeu nesse processo de edição, e pela forma como ele se foca tanto em pequenos detalhes e momentos, e como os acentua na edição. Mas sim, acho que foi uma progressão natural para mim. Tinha um sentimento que queria contribuir mais e adicionar ideias em termos da realização e da escrita, e, claro, da produção. E o David tem sido o colaborador perfeito para isso.

Na série interpreta uma personagem autista. Como se preparou para um papel dentro de uma comunidade que é tão pouco representada em Hollywood?
Eu sinto que a coisa mais importante para todos nós é representar o autismo da forma mais autêntica possível. Para isso fizemos bastante pesquisa, seja em documentários ou peças literárias que fossem especialmente relevantes para o Shaun. Também tivemos uma consultora de autismo no estúdio, a Melissa Reiner, desde o início da série, e continua a trabalhar connosco até aos dias de hoje. E acertar nesse aspeto tem sido muito importante para todos nós. Ao mesmo tempo, eu acho que parte desta caminhada foi reconhecer que o Shaun nunca vai representar todos aqueles dentro do espetro do autismo e estamos todos aqui para, possivelmente, chamarmos a atenção para o autismo e para gerar discussões. Mas, em última análise, estamos aqui para contar a história deste indivíduo e para nos focarmos nisso, e nessa verdade, em vez de tentar representar toda a gente que tem autismo através desta personagem, o que é impossível.

Enquanto um médico fictício numa pandemia real, a emergência da Covid-19 mudou alguma coisa na maneira como vê os médicos a trabalhar?
Absolutamente. Eu acho que sim. No início da quarta temporada tivemos aqueles dois episódios que foram inteiramente dedicados à pandemia e à resposta face à mesma, e isso pareceu-nos uma coisa necessária que tínhamos de fazer. Prestar um tributo aos profissionais de saúde reais que têm colocado a sua vida em risco todos os dias para nos manterem seguros durante o último ano e meio. E acho que também nos fez valorizá-los ainda mais. Nós estamos apenas a fingir, estamos só a representar médicos na televisão, e é uma coisa completamente diferente do que os médicos que se arriscam diariamente. E eu acho que é uma honra enorme interpretar um médico na televisão durante esta altura.

Já interpretou muitas personagens ao longo da sua carreira. Qual destas personagens considera que é mais parecida ao Freddie Highmore?
Não sei mesmo. Eu sinto que todas elas têm uma parte de mim algures. Quer dizer, obviamente que as personagens de que me sinto mais próximo são aquelas que interpreto durante um maior período de tempo e com as quais passei mais tempo. Mas depois, se digo que me sinto muito próximo do Norman Bates, então estaria a admitir de certa forma que sou um assassino em série, logo não o posso usar como resposta. Mas acho que as personagens com que me identifico mais são mesmo aquelas que carreguei durante mais tempo, ao longo de vários anos, onde elas foram capazes de evoluir e mudar, e mudaram ao mesmo tempo que eu tenho mudado e crescido na vida real.

Numa entrevista, o David Shore disse que na nova temporada de “The Good Doctor” veríamos um némesis interno. Podes-nos explicar melhor isto?
Claro. O hospital é comprado por alguém, por isso vai haver várias mudanças, e o Shaun é mais uma vez o desfavorecido que terá de lutar contra uma instituição que está bastante agitada. A maneira como ele se habituou ao hospital vai ser desafiada por esta nova pessoa, que entra e muda as regras, e altera também as coisas. Vai ser uma luta interessante e com bastantes nuances entre o Shaun e a pessoa que compra o hospital. Ambos têm opiniões e pontos de vista válidos. Não é algo a preto e branco em que uma pessoa tem todas as respostas certas e outra tem apenas respostas erradas. Eles vão ter de se comprometer um com o outro e chegar a um acordo. Mas definitivamente que nos leva de volta para aquele sentimento e tema de o Shaun ser o desfavorecido, lutando contra algo maior que lá está, o que foi algo bastante presente no início da série.

Além dos casos médicos, a série é bastante detalhada quanto às vidas pessoais das personagens. Como a da sua personagem em específico, que se apaixonou e ficou noivo da Leah. Eu sei que na quinta temporada vão planear o casamento. Fale-nos da transformação da personagem desde a primeira temporada até à quinta, que passou a ser uma personagem muito mais relaxada.
Eu sinto que tem evoluído continuamente e tem crescido enquanto pessoa. Está mais maduro. E acho que o relacionamento dele com a Leah é um bom exemplo disso. Sabes, no início aquilo era mais engraçado e frívolo, por causa dos incidentes que vêm com os primeiros encontros. E, de repente, na quarta temporada eles são atingidos com algo que era muito real e emotivo, a um nível bastante profundo. Na quarta temporada vemos também um Shaun que já se habituou aos residentes mais novos e que os tenta ajudar e arca com as responsabilidades em algumas situações. Mas é garantido que o Shaun mais relaxado que víamos na quarta temporada vai ser desafiado pela maneira como o hospital passa a ser, visto que vai passar por algumas alterações na quinta temporada. Ele vai ter de se readaptar a esta estrutura que foi imposta.

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