Televisão

Fui até à versão brasileira da “Ilha da Fantasia” — e foi maravilhoso

Miguel Lambertini conta como gostou da viagem que fez e que serviu para antecipar a nova temporada de uma série do AXN White.
Um destino incrível.

Quando era pequeno, lembro-me dos meus pais verem uma série na RTP que sempre me pareceu misteriosa e até ligeiramente assustadora, para mim que era um miúdo de sete ou oito anos. Essa série era a “Ilha da Fantasia”, um enorme sucesso no final dos anos 70 e ainda durante o início dos anos 80, que se passava numa ilha paradisíaca na qual qualquer desejo podia ser realizado.

O ambiente enigmático da série resultava em grande parte da mística dos protagonistas: o anfitrião, Sr. Roarke, interpretado por Ricardo Montalbán; e o seu ajudante Tattoo, interpretado por Hervé Villechaize. Ambas personagens icónicas, é impossível falar da “Ilha da Fantasia” sem nos lembrarmos imediatamente desta dupla e dos seus fatinhos brancos com gravata e laço pretos a condizer.

Acabei por nunca ver a versão original desta série mas agora, 40 anos depois, a “Ilha da Fantasia” regressou com um remake adaptado à atualidade, e admito que foi uma agradável surpresa. A trama mantém a premissa original, atualizando-a com aposta na diversidade, desde logo no elenco que apresenta mulheres como protagonistas. 

A atriz porto-riquenha Roselyn Sanchez assume o papel de Elena Roarke — sobrinha-neta do misterioso Mr. Roarke —, a anfitriã da Ilha. Tal como o seu tio-avô, Elena recebe os visitantes para realizar as suas maiores e mais profundas fantasias: ”Qual é o teu sonho mais íntimo? A ilha sabe, mesmo que tu não”, diz Elena em voz-off.

Como braço direito de Elena encontramos Ruby Akuda, interpretada por Kiara Barnes, uma mulher que chegou à ilha para passar os seus últimos momentos com o marido, já que sofre de uma doença terminal. No entanto, o local devolve-lhe a sua juventude, e esta acabará por permanecer como ajudante de Elena. A primeira temporada de “Fantasy Island” foi lançada em 2021 e conta com 10 episódios, que foram emitidos no canal AXN White. 

A série já tem luz verde para uma segunda temporada que irá estrear em breve e esse foi o pretexto do canal para organizar uma viagem ao Brasil, que recriou o ambiente da “Ilha da Fantasia”. O destino foi Trancoso, na região da Bahia, e a escolha não poderia ser mais certeira. São muitas as características que aproximam na perfeição a vivência da “Ilha da Fantasia” a este paraíso do município brasileiro de Porto Seguro.

Segundo reza a documentação histórica, “foi no Rio dos Frades, em Trancoso, que a esquadra de Pedro Álvares Cabral desembarcou a 22 de abril de 1500, tomando posse do Brasil em nome de Portugal”. Quinhentos anos depois cheguei eu a este pequeno povoado de casas coloridas dispostas ao redor de um grande relvado (o Quadrado) com uma pequena igreja ao fundo — atrás da qual conseguimos ter uma visão panorâmica e deslumbrante da costa — e foi Trancoso que tomou posse de mim. 

O verde garrido da mata atlântica recheada de coqueiros, palmeiras e mais de 450 outras espécies; as praias extensas, de águas cristalinas quase inexploradas; a fauna repleta de papagaios e pica-paus que, lá do cimo, assistem aos macaquinhos trapezistas nas copas das árvores; a comida baiana que é uma mistura de cores e sabores, com influências africanas, indígenas e portuguesas que conquistam qualquer um; por fim, as pessoas, o povo brasileiro e em particular estas gentes baianas tão singulares que usam a simpatia como cartão de visita e nos fazem sentir em casa. Com estes ingredientes perfeitos não é preciso viajar até à “Ilha da Fantasia”, basta ficar por aí e ler, na próxima semana, a minha crónica sobre esta viagem a Trancoso, um paraíso bem real que supera facilmente qualquer obra de ficção.

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