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Gilmário Vemba: “Se o Gouveia e Melo participasse no Taskmaster, seria hilariante”

O comediante diz que as provas são tão divertidas que qualquer um teria graça. E prepara-se para fazer parte das manhãs da Comercial.
Gilmário Vemba numa prova de "Taskmaster".

“Taskmaster” estreou na RTP1 a 19 de março e desde então tem subido nas audiências televisivas de sábado à noite. Neste programa conduzido por Vasco Palmeirim e Nuno Markl, quatro concorrentes fixos — e um rotativo — têm de participar em provas desafiantes, recorrendo à imaginação, criatividade e à capacidade de desenrasque. 

São eles Toy, Inês Aires Pereira, Jessica Athayde e Gilmário Vemba. Até agora, os convidados especiais foram Fernando Mendes, António Zambujo, Rita Salema, Pedro Tochas e Manuel Marques.

Gilmário Vemba tem sido um dos concorrentes em grande destaque e, graças a uma conversa em “Taskmaster”, o humorista angolano começou uma rubrica diária nas manhãs da Rádio Comercial. Depois de uma experiência bem-sucedida em março, a 13 de abril arrancou oficialmente “Responder à Letra”, onde o humorista analisa criticamente as letras de canções emblemáticas ou populares. Leia a entrevista da NiT sobre “Taskmaster” e “Responder à Letra”.

Quando foi convidado para participar em “Taskmaster”, qual foi a sua primeira reação?
Lembro-me que estava desejoso de fazer um trabalho na televisão portuguesa. Seria, de alguma forma, algo que me colocasse muito mais no mercado. Depois, fui descobrindo que ia trabalhar com pessoas fantásticas como o Vasco Palmeirim e o Nuno Markl. E pensei: isto é ainda melhor do que pensava. Mandaram-me um link, vi o formato e achei que o programa tinha muito potencial — apesar de não saber exatamente o que ia fazer e como ia lidar com o programa.

Como foram as semanas de gravações?
Fantásticas. E melhor ainda foi a semana em que estivemos a visualizar as provas que fizemos, e começámos a ver as dos outros. Foi muito, muito divertido. E quando começámos a gravar as provas de estúdio, sabíamos logo que tínhamos um grande programa porque tínhamos uma plateia que gravou connosco — já sabíamos que iria ser fantástico porque nos ríamos genuinamente e as pessoas que estavam na plateia também. 

Nas últimas semanas deve ter recebido muitas reações sobre a sua participação no programa.
O número de portugueses que me seguem aumentou muito. E tenho sentido que o “Taskmaster” me está a apresentar como um bom comediante, como alguém que tem alguma coisa para oferecer ao mercado português. Todos os dias recebo pelo menos duas ou três mensagens de pessoas a dizer “não te conhecia, mas estou muito feliz por te ver no ‘Taskmaster’ e acho que és um artista fantástico, parabéns”. Recebo mensagens dessas todos os dias. Dá-me a sensação de que fizemos um bom trabalho.

Significa que correu bem.
E tenho recebido feedback não só de Portugal, mas de Angola, do pessoal que está a ver, a elogiar e a dizer “parabéns, mano, por mais essa conquista”. Os angolanos estão a dizer “parabéns por nos representares muito bem aí em Portugal”. É um win-win, ganhei novos amigos, ganhei muito mais experiências, e tive a oportunidade de chegar mais perto do povo português. Ainda estou a vivenciar as benesses que o “Taskmaster” me está a trazer. 

Das provas já transmitidas, qual gostou mais? Consegue escolher uma?
É difícil escolher uma. Mas vou apontar a prova em que tínhamos de decifrar uma série de coisas sobre a Helena, uma cidadã de nacionalidade chinesa, e ela só podia falar na língua dela. Nós tínhamos de descobrir umas sete ou oito informações e fora do comum, como a profissão do pai, a data de aniversário dela, o prato favorito. E tentar perceber como é que ela nos descrevia, sabendo zero de mandarim. E ainda gerou muita raiva — quando estávamos a visualizar as provas, notámos que o António Zambujo fez uma coisa simples com o telemóvel: meter no Google Tradutor e traduzir tudo com uma facilidade… 

Quando estava prestes a começar uma nova prova, e ainda não sabia no que consistia, como se sentia? Ansioso e com expetativas?
Muito ansioso. E, às vezes, como não sabíamos o que era mais correto… Podíamos estar a ler o papel e a pensar: será que estamos a interpretar isto da forma certa? E, depois, quando terminava, íamo-nos lembrando de outras coisas que podíamos ter feito. Era um conjunto de emoções. E, claro, também ia com isto muito presente: não deixar o meu lado de humorista… Sendo que para o “Taskmaster” era quase desnecessário porque as provas em si, às vezes, o nível de ridículo que tinham… Mesmo que sejas o gajo mais sério… Podias ser o almirante Gouveia e Melo, que acho que é uma figura muito, muito séria, com uma verticalidade fantástica, se fosse posto a fazer uma prova daquelas seria hilariante. Acho até que, quanto mais sério tentavas ser a fazer as provas, mais engraçado era.

Já conhecia os seus colegas do “Taskmaster”?
Conhecia o Nuno Markl e o Vasco Palmeirim da rádio, a Jéssica e a Inês confesso que não conhecia. Fiquei a conhecer muito bem a Jéssica porque fazíamos as provas de seguida. E, depois, quando fizemos as gravações dno estúdio, conheci melhor a Inês, que é muito divertida. Fartei-me de rir com ela. E o Toy! Que é a força em pessoa, é sinónimo de energia, velocidade, boa disposição. Todos aqueles adjetivos bons para descrever uma pessoa que queres que esteja ao teu lado é o Toy [risos]. E fico feliz porque consegui conservar a amizade dessas pessoas. Penso que ganhei mais amigos e pessoas que me vão orientando e dando dicas no mercado português. Ganhei amigos fantásticos.

O Gilmário também vai ter uma rubrica nas manhãs da Rádio Comercial.
Porque fui doido o suficiente para explicar um espetáculo que fazia com o Anselmo Ralph ao Vasco Palmeirim. E o Vasco é aquele tipo de pessoa que entra uma ideia na cabeça dele e explode. Aquelas coisas que partilhas com alguém e a reação é “uau! Isto seria fantástico”. O Vasco falou com o Pedro [Ribeiro], fizemos uma experiência e, até eu fiquei surpreendido com o quão bem aquilo funcionou. Então pensámos: por que não continuar a fazer isto? É mais um desafio e faço-o com muito prazer. Vou levar para a Rádio Comercial toda a energia e alegria porque queremos desmistificar as canções. O Nuno Markl até já pensou em chegar aos poemas e livros. É tentar fazer uma análise engraçada daquilo que as pessoas cantam, do que escrevem. 

São músicas portuguesas?
Músicas muito conhecidas de todos os portugueses, mas podem ser internacionais. Espero não brincar com nenhuma canção que alguém vá dizer “não, com essa não se brinca” [risos]. É divertido porque vamos buscar uma visão engraçada. Os músicos usam muitos sentidos figurados e queremos pegar neles e dar-lhes literalidade. Se aquilo que cantam fosse realmente acontecer, como seria? Fazemos uma interpretação engraçada de propósito, vamos brincar com as músicas.

Pode dar exemplos de músicas?
Falei do “Anel de Rubi” do Rui Veloso. É a música mais pop da música portuguesa, pelo menos para mim, enquanto angolano [risos]. Porque é que o Rui Veloso vendeu um anel de rubi para levar uma indivídua a um concerto de que ela não gostava? E ele sabia que ela não gostava. Vamos analisar o quão psicótica é esta ação descrita na música. E também, por exemplo, o “Única Mulher” do Anselmo Ralph. Ele canta “tu para mim és a única mulher e ficar sem ti um segundo inquieta”. É o mais alto nível de relação tóxica. Essa pessoa já não pode afastar-se de mim por um segundo que eu já estou mal. É mais ou menos nessa onda e vamos até buscar vertentes filosóficas, históricas e geográficas para tentar explicar algumas letras. E podem ser internacionais: seja da Beyoncé, da Céline Dion ou da Anitta.

Vê-se a trabalhar cada vez mais em Portugal? É uma ambição?
Gosto muito de dividir o meu trabalho entre Portugal e Angola, mas neste momento estou mesmo focado no mercado português. Tenho 20 anos de carreira em Angola e estou praticamente a começar em Portugal. E graças a Deus, estou a ter muito boas oportunidades e a ser bem acolhido pela comunidade de comediantes. Quero aproveitar isto ao máximo, tanto que neste momento estou sediado em Portugal para poder aproveitar todas essas oportunidades que me vão dando. Em 2016, quando a [agência] Meio Termo me abordou sobre possíveis atividades aqui, não estava a contar que a coisa fosse chegar a este nível. Temos trabalhado ao longo destes anos e agora já estamos num ponto de colher os louros [risos].

Porque tem vontade de se focar em Portugal? Sente que já conquistou o que havia para conquistar em Angola, enquanto humorista?
Sim, acho que em Angola estou muito bem firmado. Está também na altura de criar aquela saudade para depois voltar em grande e fazer outras coisas. A minha ideia é atingir o mercado dos PALOP e Portugal é o centro. Acaba por emitir para toda a comunidade. É um bom ponto de partida para que o meu trabalho possa chegar a Moçambique, Guiné-Bissau ou Cabo Verde. Posso criar mais laços, e Portugal tem um mercado muito bem organizado, por razões óbvias é muito mais organizado do que o angolano. E é uma oportunidade de crescimento saudável. Quero crescer no mercado português, quero aprender, poder beber o máximo e criar uma linha para que vários humoristas daqui possam fazer shows comigo em Angola ou em Moçambique. Nós, falantes da língua portuguesa, somos grandes. E estou seriamente a pensar em projetos para maximizar não só o meu crescimento internacional mas também para criar uma ponte entre vários artistas. 

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