Televisão

Greve histórica que paralisou Hollywood chegou ao fim após 118 dias

Acordo só precisa de ser ratificado pelos membros do sindicato. Paralisação foi uma das disputas laborais mais longas de sempre.
Há luz ao fundo do túnel.

Os principais estúdios e o Sindicato dos Atores de Cinema e Televisão da América (SAG-AFTRA) chegaram a um entendimento preliminar na madrugada desta quinta-feira, 9 de novembro. Após 118 dias, a votação unânime terminou à greve que entrou para a história como uma das maiores de Hollywood.

O anúncio foi feito após ter sido alcançado um “acordo de princípio”, que dá resposta às exigências de melhores salários numa indústria marcada pelo streaming e pela ascensão da inteligência artificial. “Mais detalhes serão divulgados” na sexta-feira, avança a entidade, que não revelou os pormenores do entendimento.

No entanto, fala-se num aumento salarial “histórico”, que se pode traduzir em aumentos-base de 7 por cento, que se estendem a vários direitos laborais. Num primeiro momento, os argumentistas, que estiveram em greve entre maio e outubro, conseguiram um aumento de 5 por cento nas suas negociações.

Agora, é necessário que os cerca de 160 mil atores e bailarinos, membros do SAG-AFTRA, aprovem o novo acordo coletivo antes do retorno das grandes produções. O objetivo é que os estúdios voltem a trabalhar o mais rápido possível, após o adiamento de títulos como a saga “Dune” ou “Stranger Things”.

Paralisação histórica

Desde 1980 que os atores americanos não entravam em greve e desde 1960 que não o faziam em simultâneo com os argumentistas. A produção de filmes e séries nos Estados Unidos — e aquela que, embora feita no estrangeiro, estiver sob a jurisdição das associações que convocaram a greve — está em pausa. Também não tencionam promover os filmes e as séries em que participam, ações a que estão vinculados ao abrigo dos contratos com os estúdios.

“O conselho nacional do SAG-AFTRA votou unanimemente por uma ordem de greve contra os estúdios e as emissoras”, anunciou, na altura, Duncan Crabtree-Ireland, diretor-executivo nacional do sindicato. Defendeu ainda que não lhes foi dada alternativa, uma vez que a greve “é um instrumento de último recurso”, e que “os atores merecem um contrato que reflita as mudanças no modelo de produção”.

O protesto dos atores juntou-se ao dos argumentistas, que começou em maio. Desde então, as produções que se mantêm em filmagens estão a trabalhar com base em argumentos concluídos na primavera — sem quaisquer alterações ou modificações. Este ano, pela primeira vez desde os atentados de 11 de setembro de 2001, os Emmys foram adiados e não aconteceram a 18 de setembro, como estava previsto.

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