Televisão

O épico com samurais à moda de “A Guerra dos Tronos” já é uma das séries do ano

O último episódio de "Shōgun" foi para o ar esta quarta-feira. As críticas são arrebatadoras.
Está a ser um enorme fenómeno.

“É o primeiro épico desde a produção criada por George R.R. Martin que nos transporta perfeitamente para outra realidade”, descreve a “Variety” na crítica à minissérie de dez episódios que, feitas as contas, é uma das mais bem avaliadas em 2024. 

“Shōgun” Estreou na Disney+ a 27 de fevereiro e o último capítulo chegou à plataforma de streaming esta quarta-feira, 24 de abril. Nos primeiros seis dias após a estreia, foi visto por nove milhões de utilizadores em todo o mundo. As comparações com “A Guerra dos Tronos” não demoraram a espalhar-se pela Internet fora.

“As duas séries partilham várias semelhanças, a começar na mitologia, nas complexas tramas políticas, na violência e personagens bem representadas”, acrescenta a “Screen Rant”. Adaptada do romance de James Clavell, publicado em 1975 (e que em 1980 também serviu de inspiração para uma outra série), a narrativa decorre no Japão, em 1600, naquele que foi o início da guerra civil que mudou para sempre o país.

O grande protagonista é Yoshii Toranaga (Hiroyuki Sanada), líder de uma de cinco fações que controlam o país, vê-se encurralado pelo Conselho de Regentes, após a morte de Taiko, o líder que garantia a paz. É neste contexto de tensão que chega à costa um estranho navio europeu liderado por um capitão inglês (Cosmo Jarvis). John Blackthorne, católico protestante, guarda alguns segredos — e para salvar a vida, acaba por fazer algumas revelações que provocam uma caótica reação em cadeia.

O facto de ser uma minissérie — e de estes dez episódios esgotarem a fonte que é o livro de Clavell — torna pouco provável que venha aí uma segunda temporada. Mas, tal como diz a “Forbes”, “mais vale uma série curta, mas de qualidade do que um projeto que se estenda durante anos e que preencha buracos com histórias desnecessárias e uma narrativa cada vez pior”.

Os capítulos ficaram marcados pelo derrame de sangue, por amizades forjadas e depois quebradas e, acima de tudo, pelo ambiente místico do Japão. “É um estudo complexo de poder, guerra e traição. Não esperava muito, mas está a ser fascinante”, descreve o crítico do “The Guardian”.

Apesar de nenhuma das personagens falar português — o inglês surge como substituto natural, para contrastar com os muitos diálogos em japonês — tem um papel de destaque no desenrolar dos episódios. Toda Mariko, uma das protagonistas, interpretada por Anna Sawai, é leal aos católicos jesuítas portugueses e missionários que a convertem à sua religião. Blackthorne, o grande herói da história, teme que esta lealdade possa ser um empecilho na relação que se começa a formar entre ambos.

Entre muitas das revelações que servem de gatilhos a ações na série, estão factos históricos da relação entre Portugal e Japão. O facto de a série se ter mantido fiel à realidade — embora com alguns elementos ficcionados — foi outro dos muitos detalhes dignos de elogio pela crítica. “É uma obra complexa e intrigante, criada através de uma combinação da história japonesa e do interesse de James Clavell [o autor do livro que inspirou a produção] pelo país”, diz o “Independent”.

A produção foi gravada ao longo de 11 meses em Vancouver, no Canadá. Cosmo, de 34 anos, descreve a experiência ao jornal britânico “The Guardian” como sendo “incrivelmente assustadora”. Afinal, as filmagens começaram em setembro de 2021, quando a Covid-19 era uma ameaça ainda maior.

No nono mês, todo o elenco estava cansado e farto do trabalho. A equipa, porém, continuava a alargar a janela para ter a certeza de que tudo ficava perfeito. O esforço acabou por ser recompensado com uma receção apoteótica após a estreia.

Estar tanto tempo na pele de Blackthorne acabou por afetar os maneirismos e a forma de falar de Jarvis. “A nossa função é esquecermo-nos de quem somos durante um longo período de tempo. Depois, comecei a apanhar algumas das coisas que tornam a minha personagem tão única, o que inclui vocabulário e a forma como ele se apresenta ao mundo”, explica o ator à “Uproxx”.

Voltar à sua própria vida foi quase como “um choque cultural” e durante algum tempo evitou falar muito com a família e os amigos. “Queria reencontrar-me primeiro antes de voltar a estabelecer estas ligações”. E acrescenta: “Foi uma boa experiência de aprendizagem.”

No passado, o ator britânico já trabalhou em fenómenos como “Peaky Blinders”, “Lady Macbeth”, “Raised By Wolves” (de Ridley Scott), entre muitos outros. “Shōgun”, porém, foi um trabalho inigualável. “Gostei imediatamente de toda a premissa e o período e o país em que a história decorre”, descreve. Não é algo com o qual tivesse tido muito contacto em Hollywood, e isso fazia com que todos os dias “fossem diferentes e extremamente aprazíveis”. “Foi uma grande aventura.”

Para encarnarem os seus respetivos papéis, Cosmo e os colegas de elenco tiveram de aprender a manusear espadas, uma habilidade que adquiriram em poucos dias — apesar de terem apenas as noções básicas. “O John não era muito bom lutador”, brinca.

A preparação não se ficou por aqui. Para encarnar perfeitamente um capitão daquele período, Jarvis ouviu gravações de navegadores do século XX. “Um deles tinha uma voz muito aguda, quase como o vento. Tentei aplicar isso ao Blackthorne, mas não me pareceu correto”, comenta.

O realismo de que necessitava estava, afinal, no seu próprio pai. “O meu velhote era comerciante e andava muitas vezes pelo mar, então fui buscar muita inspiração a ele. A confiança que ele tinha e a forma como falava adequavam-se perfeitamente ao capitão”.

Carregue na galeria e conheça algumas das novidades de abril.

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