Televisão

Há novas teorias sobre o caso mais misterioso de “Unsolved Mysteries”

Uma mulher anónima morreu num quarto de hotel em Oslo, na Noruega. Ninguém sabe quem ela é nem se foi assassinada.
A série tem seis novos episódios.

O ano era 1995. Uma mulher fez o check-in no hotel mais luxuoso da época em Oslo, na Noruega. Três dias depois, o staff apercebeu-se de que não tinha os seus dados do cartão de crédito, obrigatórios para qualquer estadia. Um segurança foi até ao seu quarto, o 2805. Quando se aproximou da porta, ouviu um tiro no interior.

Assustado, o profissional dirigiu-se à sala de segurança noutro andar, e só regressou com outros colegas passados 15 minutos. Ou seja, o quarto esteve esse tempo sem ser vigiado. Quando lá chegaram novamente, os seguranças abriram a porta com uma chave própria — já que o quarto estava duplamente trancado por dentro — e encontraram a mulher deitada na cama, morta, com a marca de um tiro na cabeça. Na sua mão estava à pistola.

Não havia quaisquer vestígios de que outra pessoa estivesse ali hospedada, por isso, quando a polícia chegou ao local, começou logo a suspeitar de que se tratava de um suicídio — que aquela jovem mulher tinha ido para aquele hotel para terminar com a sua vida, fosse qual fosse o motivo.

Esta é uma das seis histórias que são apresentadas no segundo volume da primeira temporada de “Unsolved Mysteries”, série documental da Netflix que estreou este ano (e que é uma reinvenção de um formato já histórico).

O segundo volume chegou à plataforma de streaming a 19 de outubro. Esta produção conta histórias reais, de crimes ou não, que estão associadas a enormes mistérios que nunca foram desvendados. 

O mistério desta mulher morta em Oslo adensa-se quando a investigação chega à conclusão de que ninguém sabe quem ela é. No interior do quarto não havia nada que indicasse a sua identidade — não havia carteira nem cartões, chaves de casa ou sequer etiquetas nas suas roupas.

No check-in, esta mulher registou-se como Jennifer Fairgate. Deu uma morada de uma pequena vila na Bélgica, de uma rua real mas com um número inexistente. As autoridades belgas garantiram que não existia ninguém no país com aquele nome. Claramente, tratava-se de uma identidade falsa.

Mais: dentro do quarto não havia qualquer tipo de acessórios de higiene. E a pistola usada para dar o tiro tinha o número de série eliminado, de forma a não ser possível rastrear a sua origem. A mão da mulher segurava na arma de uma forma estranha e, ao contrário do que seria expectável, não havia vestígios de sangue na sua mão. Por todos estes motivos, começou a suspeitar-se de que a sua morte poderia ser um homicídio.

Um desenho de Jennifer Fairgate

O episódio de “Unsolved Mysteries” acompanha sobretudo um jornalista norueguês que tem investigado o caso ao longo dos anos, tentando decifrar pistas — inclusive viajou até à pequena vila na Bélgica para tentar perceber se algumas das pessoas de lá reconheciam esta mulher, mas ninguém a identificou.

O corpo da mulher também foi exumado para que se fizesse uma recolha de ADN, mas não correspondeu aos dados de nenhuma base — até porque ninguém, em nenhum país, deverá ter reportado o seu desaparecimento. De acordo com os testes feitos, a mulher deveria ter cerca de 24 anos e ter origens europeias — e houve um funcionário do hotel que testemunhou que achava que a “Jennifer Fairgate” teria um sotaque da Alemanha oriental.

Nada foi até agora provado, mas existem algumas teorias que defendem hipóteses para o que poderá ter acontecido neste caso. Neste artigo apresentamos algumas (incluindo duas que não aparecem na série documental). É possível, já agora, assistir a uma simulação virtual do jornal norueguês “VG” sobre este caso misterioso.

Lois Fairgate assassinou Jennifer Fairgate

Quando a suposta Jennifer Fairgate fez o check-in no hotel em Oslo, registou-se a ela e a um homem, com o nome de Lois Fairgate. A funcionária da receção alega que, no momento do check-in, estava um homem próximo dela, que poderia ser Lois. Contudo, não há quaisquer outros vestígios que este homem tenha estado no hotel — não há qualquer indício da sua existência no quarto. No entanto, como este homem foi registado no check-in, existe a teoria de que tenha sido ele a assassinar Jennifer, por algum motivo.

Uma operação dos serviços secretos

No episódio de “Unsolved Mysteries”, um agente experiente dos serviços secretos noruegueses analisa o caso e defende que se tratou de um crime altamente profissional — ele diz mesmo que acredita que terá sido uma operação secreta de alguma agência governamental. Ou seja, é sugerido que Jennifer Fairgate pudesse ser uma agente secreta e que tenha sido assassinada por um profissional, que se livrou de todas as pistas possíveis e encobriu o seu rasto (e o da própria vítima).

F assassinou Jennifer Fairgate

Existe um detalhe nesta investigação que não foi mencionado na série documental da Netflix. Um homem referido apenas como “F”, oriundo da Bélgica, terá estado hospedado no mesmo hotel, no quarto ao lado do de Jennifer Fairgate. Fez o check-out na manhã antes de o corpo ser descoberto e terá dito mais tarde ao jornal “VG” que, na receção, foi informado sobre o que tinha acontecido.

Só que, supostamente, só horas mais tarde é que o hotel saberia do incidente. E o segurança terá ouvido o tiro da morte de Jennifer Fairgate. Obviamente, existem coisas que não batem certo neste depoimento, e em diversos fóruns online várias pessoas têm indicado que talvez seja este o verdadeiro assassino. Ou que, pelo menos, deveria ser considerado um suspeito.

O assassino estava hospedado no quarto 2816

Outra teoria interessante, que não é mencionada em “Unsolved Mysteries”, tem a ver com o quarto 2816. Supostamente, um dos itens encontrados no quarto de Jennifer Fairgate era um saco de plástico de jornal que incluía uma edição do “USA Today”. O saco estava endereçado ao quarto 2816, mas foi encontrado no de Jennifer Fairgate, no 2805. Alegadamente, havia uma impressão digital no saco que nunca foi identificada. É outra das teorias que circulam online sobre o caso.

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