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“Hell’s Kitchen”: adeus Ljubomir, tragam-nos a mamã Rosa

Num episódios especial com cheiro aos balcãs, quem brilhou foi a mãe do chef mais zangado de Portugal. E percebe-se que o feitio é genético.
Pior do que um Stanisic, só dois Stanisic

Cornetas, tambores, bureks e um par de Stanisics. O episódio deste domingo, 9 de maio, de “Hell’s Kitchen” foi uma louca viagem aos Balcãs, a região que viu nascer Ljubomir Stanisic. Mas o chef, contrariamente às outras semanas, desta vez não foi a estrela principal da cozinha.

Assim que reconfortou os concorrentes com mensagens da família, Ljubomir aproveitou para apresentar a sua mãe, Rosa, a “grande guerreira” que “alimentou a família durante a guerra”. Não se deixem enganar pelo ar doce: o sangue Stanisic corre-lhe nas veias e não demorou muito até que os concorrentes percebessem o que iriam ter pela frente.

Como num filme de Emir Kusturica, a alegria e o surrealismo tomaram conta do serviço. Enquanto os concorrentes transpiravam e, de mão trémulas, tentavam despachar o menu de degustação de pratos jugoslavos, uma banda percorria a cozinha a entoar os sons alegres e animados da música dos balcãs.

A mamã Rosa, experiente cozinheira, tomaria o lugar do chef na preparação do serviço. E não se pode dizer que Ljubomir não tenha avisado. “Só vos digo uma coisa: cuidado”, notou antes do arranque dos trabalhos.

Rosa Stanisic, que hoje trabalha com o chef nos seus restaurantes, abriu o caminho com delicadeza: “Vamos trabalhar e cozinhar com as mãos. Na cozinha vai ficar o cheiro da comida e o cheiro da comida fica na nossa alma.” Não durou muito tempo.

O primeiro alvo: a improvável Francisca. “Organiza isso melhor, filha”, atirou enquanto arrumava a banca pela concorrente. “Muito mal organizada”, nota. “Parece que trabalhas muito mas não fazes nada.”

A nova líder do “Hell’s Kitchen” pairava sobre todos os concorrentes, visivelmente confusos com os novos pratos. Assim foi até encontrar uma nova vítima.

A música invadiu a cozinha

No outro lado da cozinha, João descascava maçãs com as mãos a tremer. A mamã Rosa começa por imitá-lo, enquanto gesticula nervosamente. “Isto é só maçã, filho. Nunca descascaste maçã em casa? Tens o trabalho mais fácil de todos.”

Depois de um episódio onde foi crucificado, era percetível que João temia que este fosse o dia do sacrifício. E no que parecia depender da matriarca Stanisic, o concorrente iria mesmo ser esfolado. O sermão não terminou por aqui.

A usar a chapa quente, provocou novamente a raiva de Rosa Stanisic. “Aqui consegues controlar a temperatura? Então porque é que cozinhas aqui?”. João tentou corrigir, mas trocou os passos. “Ai minha mãe. Primeiro é preciso ferver. Eu disse dez vezes: ferver.”

O choque foi visível e natural. Afinal, já todos sabemos que Ljubomir Stanisic é tudo menos delicado e o que podemos e devemos esperar do cruel comandante. Ninguém estava preparado para esta encarnação do chef na mãe de ar doce. Guardem os testes genéticos: não há dúvidas de que são mãe e filho — e quem sofre são os ouvidos dos concorrentes.

Nem tudo foram reprimendas. No momento de escolher os que se portaram melhor, Rosa esqueceu-se dos nomes, mas não das prestações. “Este rapaz, que trabalhou o cabrito. Mais limpo, mais organizado, mais rápido”, elogiou Lucas, seguido de Cândida e Rafaela. “E esta pessoa, perto do rapaz.” “Francisca”, reparou o chef. “Corre muito na cozinha, mas trabalha muito bem”, explicou em sérvio.

Sobrava um sermão que viria a ditar o desfecho do programa. Afinal, João estava livre de mais uma sessão de pancadaria na televisão nacional. Hélder foi o cliente que se seguiu. “Olha filho, a tua profissão é cozinheiro?”, questionou a mamã Rosa, que o obrigou a comer o bacon que cortara poucos minutos antes.

Hélder comeu e não gostou. “O cliente não gosta disto. Tem aqui muito disto dentro, como se chama?” Era cartilagem — o primeiro pecado do concorrente. O segundo não demorou muito tempo a chegar.

Durante a preparação dos burek — pequenos rolos de massa filo com recheio de espinafres e queijo —, um deles rasga-se e Hélder coloca tudo no lixo. Imperdoável.

Num instante, a dupla de Stanisics furiosos irrompe pela cozinha e cerca o concorrente. “O que é que eu falo todos os dias?”, atira Ljubomir. Mas as palavras mais duras ficaram a cargo da mamã: “Tu és vergonha grande. Isto não se faz”, explica enquanto é afastada pelo filho. Rosa abana a cabeça. Ljubomir passa-se de vez.

“Não te disse que esta senhora passou fome a vida toda? Que teve que cozinhar para nós no meio da guerra? E tu, à frente dela, mandas isto para o lixo?”

Rosa acabaria por dar lugar ao filho durante o serviço que acabou por ser arruinado por Hélder e pelos bureks. Afinal, a mãe Stanisic estava certa e o concorrente acabou mesmo por ser o sacrificado, a par de Diogo. A rir-se, no fundo, ficou João, que ainda hoje não acredita como, não só sobreviveu à semana anterior, como ainda escapou a mais uma eliminação.

A injustiça não foi tudo o que se provou no último episódio de “Hell’s Kitchen”. Provou-se também que se um dia, Ljubomir não puder comandar a cozinha, a escolha só pode ser uma: queremos a mamã Rosa de volta.

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