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“Hell’s Kitchen”: ainda não acredito que a Dona Ana foi expulsa

O humorista Miguel Lambertini analisa mais um episódio do reality show da SIC.
Foto: SIC

A Dona Ana foi expulsa, não posso crer! Logo agora que a cozinheira estava finalmente a ficar expert em fine dining. Não estava nada, mas tinha um penteado novo e só por isso devia ter-se mantido por mais uma semana. É que assim ficamos sem concorrentes fofinhos para ter pena e resta-nos apenas a expetativa de ver quando é que a Rute ou a Rafaela fazem a folha à Cândida, num beco escuro do “Hell’s Kitchen”.

No episódio transmitido na SIC este domingo, 18 de abril, ficámos a saber que os concorrentes fizeram um sunset nos seus apartamentos. Diogo devia achar que o evento se chamava sun sete, porque foi, mais ou menos, o número de garrafas de vinho que bebeu, enquanto via o pôr dos sóis. O chef Ljubomir sabe reconhecer uma boa ressaca e topou o concorrente à distância, não só pelo cheiro a vinha d’alhos mas também pelos olhos de carneiro mal morto, que muito provavelmente é um dos pratos favoritos do chef jugoslavo.

O primeiro desafio da semana foi uma prova cega para reconhecer vegetais. O chef queria testar o palato dos participantes e pediu um elemento a cada equipa. Da equipa vermelha escolheram a Jennifer, os azuis escolheram o Lucas. O chef não facilitou na escolha dos ingredientes e incluiu alguns que eu nunca tinha sequer ouvido falar, quanto mais experimentar. Coisas divertidas como cherovia, que faz lembrar um termo ordinário para designar o pipi e que irei utilizar da próxima vez que tiver uma altercação no trânsito: “Eh pá vai apitar pá cherovia da tua tia, pá!” E outro que também desconhecia que é Salsifis. Este já remete mais para doença do século XVIII: “O príncipe herdeiro padece de salsifis, chamai de imediato o doutor!” Aposto que ambas são deliciosas e uma ótima opção para levar para a praia, mas nenhum dos concorrentes as conseguiu identificar.

Jeniffer acertou dois dos dez ingredientes e Lucas, cinco. Como ganharam a prova, os azuis puderam escolher quem da equipa vermelha faria a segunda prova – desta vez de purés – e escolheram claro a Jennifer. Uma boa estratégia, isto se logo a seguir não tivessem escolhido Diogo para ser o elemento da equipa azul a participar na prova de palato. Apesar da ressaca, Diogo esforçou-se para tentar identificar os sabores: “É um fruto seco, chef?” Ljubomir responde, já sem paciência, “Sim, qual?” Diogo arrisca: “É amendoim?” O chef revira os olhos e manda-o embora. Não era amendoim, era castanha — até porque o amendoim é uma leguminosa — e assim Diogo não acertou nenhum. Eu acho que o concorrente já só dizia nomes ao calhas porque ao seu cérebro só chegava um sabor: Casal Garcia.

Depois de brincar às vendas marotas, foi altura de uma prova de culinária a sério. O chef pediu aos concorrentes para cozinharem três pratos de arroz: branco, caldoso e risoto. Apesar de o João ter cozinhado uma piscina de arroz com sabor a enchidos, a prova foi ganha pelos azuis, muito devido ao risoto do Lucas mas principalmente ao arroz branco da Francisca que deixou Ljubomir maluco. “Uau! Genial, tenho na boca malagueta gengibre, chalota, alho, frutos secos, lemon grace…eh pá pá pá pá pá, espetacular!” Depois disto o meu conselho é só este, arranja alguém que fale de ti como o Ljubomir fala do arroz da Francisca.

Antes do início do serviço, o chef faz uma nova reunião com todos, para informar que passará a haver delivery dos pratos do “Hell ‘s Kitchen”, sendo que o primeiro pedido chega minutos depois. Foi feito pela Diana Chaves e pelo João Baião que estão na sua casa “Casa Feliz” e recebem o estafeta de pijama. Já sabíamos que o João Baião trabalhava 72 horas por dia, mas dormir no estúdio já acho um bocado demais. “Vou já ligar ao Ljubomir para encomendar outros pratos”, diz Diana Chaves. Boa ideia, pode ser que o Ljubomir aproveite para pedir à Diana a sua famosa receita de bacalhau e a inclua na sua carta.

Esta semana, os convidados VIP eram Raquel Strada e João Paulo Sousa na mesa dos encarnados e Ana Marques e João Moleira, na mesa dos azuis. Ricardo era o líder da equipa azul e passou o serviço completamente à nora. O desnorte foi tal que a certa altura o chef Ljubomir manda fechar o restaurante. Ana Marques ficou com pena e ligou para Raquel Strada, “Vamos mandar embrulhar um dos concorrentes para levar para casa e dar miminhos”. Era uma boa ideia, mas infelizmente o “Hell’s Kitchen” não tem take away e, por outro lado, ter um Ricardo de estimação parece muito giro, mas quando chegam a casa é que as pessoas percebem a responsabilidade que isso implica. Depois já se sabe, todos os verões é ver os pequenos Ricardos abandonados à beira da estrada, com ar de quem está prestes a fazer um xixi nervoso.

“Acho que a nossa equipa perdeu, não perdeu?”, pergunta João Moleira para a colega do lado. Perdeu João, mas há que ver pelo lado bom, pelo menos não apanharam Salsifis.

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