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“Hell’s Kitchen”: Lourenço Ortigão é como os douradinhos, todos querem dar uma trinca

O humorista Miguel Lambertini viu ainda uma horda de cinquenta pirralhos a entrarem pelo restaurante adentro e temeu o pior.
Ljubomir e Lourenço Ortigão tiveram uma discussão

E eu que pensava que o chef Ljubomir só chorava quando ouvia alguém no 100 Maneiras pedir ketchup e maionese? Vai-se a ver e, na semana passada, Obikwelu fez o chef verter uma lágrima, no momento da expulsão, provando assim que, afinal, bate um coração no tórax tatuado do poderoso chefão. Por falar em clássicos de Hollywood, este domingo, em “Hell’s Kitchen Famosos”, assistimos a uma versão de ‘Um Polícia no Jardim Escola’, já que Ljubomir arriscou a vida ao enfiar-se no meio de um recreio cheio de pestinhas.

Este foi o arranque para o episódio que tinha como mote a infância. “A minha mãe Rosa deu-me muitas lições. Educação, amor, resiliência, resistência, luta, regras, respeito e algumas chineladas. Eu quero saber também as vossas memórias de infância”. Depois de vermos fotografias fofinhas de todos os participantes e destes reviverem as memórias de quando eram miúdos, o chef deu início a um novo desafio, lembrando aquilo que viveu quando era pequeno.

Nascido na antiga Jugoslávia, Ljubomir Stanisic teve uma infância marcada pela guerra e pobreza. “Não havia comida por lado nenhum, nem água, nem nada. Uma batata naquela altura era ouro e a minha mãe ensinou-me o que era ser criativo.” A mãe do chef fez claramente um bom trabalho. Davam-me jeito umas dicas da Dona Rosa porque eu não consigo fazer com que os meus filhos comam batatas cozidas com peixe de quinze em quinze dias, quanto mais batatas com batatas, todos os dias.

Como todos aprendemos ontem — e se não aprendemos para a próxima vamos estar mais atentos que esta matéria sai no teste — apesar da batata cultivada em todo mundo pertencer a somente uma espécie (Solanum tuberosum), existem milhares de variedades com diferentes características de tamanho, cor, textura e sabor. Ora foi exatamente esse festival de tubérculos que Ljubomir levou para estúdio, desafiando os concorrentes a criarem pratos em que a batata fosse a estrela.

No final do desafio, chamou dois chefs “com muita experiência” que iriam avaliar as criações de todos os elementos. Só que, neste caso, era aquilo tipo de “muita experiência” que as pessoas põem no currículo quando querem impressionar, mas, na verdade, o mais próximo que estiveram de ser chefs foi quando um arrumador no trânsito lhes disse: “chefe, estacione aqui!” Os “chefs” Simão e Carminho foram os ajudantes escolhidos por Ljubomir para avaliar os pratos de batata dos concorrentes e os miúdos não se deixaram intimidar, antes pelo contrário.

Quem disse um dia que “o melhor do mundo são as crianças”, claramente nunca conheceu a Carminho e muito menos nunca fez uma viagem do Porto ao Algarve com três criaturas no banco de trás, que de três em três minutos perguntam em coro: “Já chegámos? Já chegámos? Já chegámos?” Eu também nunca fiz, mas só de imaginar este cenário fico logo com suores frios. Foi o que aconteceu a alguns concorrentes depois de ouvirem os comentários impiedosos da chef Carminho que, se dependesse de alguns famosos, ficava sem presentinhos até ao Natal de 2059.

Mantendo o mote das criancinhas adoráveis, o chef lembrou-se que era divertido convidá-las para irem jantar ao “Hell’s Kitchen”. E foi assim que, sem aviso, vemos uma horda de cinquenta pirralhos entrarem a correr pela sala adentro, estilo invasão de Alcochete, mas mais assustador. Toda a gente sabe que um grupo de miúdos esfomeados é pior que um furacão de categoria 5: ninguém os consegue controlar e deixam-nos traumatizados para o resto da vida.

“Queremos comida, queremos comida!”, gritavam os fedelhos enquanto batiam com os talheres na mesa como um batalhão de vikings com fome. Nas cozinhas reinava o caos e como se não bastasse: “surpresa!”, chega um grupo de adultos para jantar que pede pratos da carta normal. Se ainda estivesse em jogo, era nesta altura que Io Apoloni gritava impropérios e se ia sentar a beber vinho numa das mesas.

No meio da confusão em que estava a cozinha, Ljubomir numa tentativa de pedir ajuda divina, reza em jugoslavo. Só percebi a parte em que ele disse amém, mas a ideia geral está lá: “Senhor ajuda-me, se os miúdos atacarem faz com que eles comecem pela Pipoca, que é mais docinha”. Entretanto, no meio da confusão, a cozinha “pegou fogo” numa discussão entre Ljubomir Stanisic e o “menino de ouro”, Lourenço Ortigão, devido a uma massada de peixe. “Não te metas no meu serviço, no meu trabalho e não me ofendas. Isso é comportamento de menino mimado. Não me fodas o juízo!”, grita o chef em tom de raspanete. Felizmente, os miúdos já se tinham ido embora nesta fase do serviço porque senão alguém lhes tinha de explicar o que quer dizer “juízo”.

Apesar do arrufo, o chef não quis ficar chateado com o ator e, no final, já estavam aos melos à frente de toda a gente. Tal como um prato de douradinhos na cantina de uma escola, o Lourenço Ortigão tem esta vantagem: é sempre um sucesso e todos lhe querem dar uma trinca.

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