Televisão

A história de Lupin, uma personagem que nasceu há mais de 100 anos

É o novo fenómeno mundial da Netflix, mas as suas origens remontam a 1905. Omar Sy é o ator protagonista da produção.
Omar Sy é o protagonista.

Chama-se “Lupin” e é o novo fenómeno mundial da Netflix — tendo já batido os recordes de “La Casa de Papel”, apesar de as regras agora serem outras — mas as origens desta história são antigas: remontam a 1905.

Arsène Lupin é o “cavalheiro ladrão”, como ficou conhecido, criado pelo autor francês Maurice Leblanc. Originalmente o seu nome era Arsène Lopin — até um político da época, que tinha exatamente o mesmo nome, protestar e o escritor ter trocado uma letra no apelido da personagem.

Lupin foi inicialmente introduzido numa série de contos editados na revista “Je Sais Tout”. A primeira história chamava-se “A detenção de Arsène Lupin” — em julho celebra 116 anos. As suas aventuras de anti-herói carismático, de ladrão que só faz mal àqueles que são ainda piores do que ele (e que também resolve crimes), tornaram-se um marco da literatura francesa.

Terá sido inspirado em criminosos elegantes da vida real — e também influenciado por personagens fictícias, como Sherlock Holmes, entre outras. O seu sentido de humor e valores anarquistas são algumas das suas principais características.

É habilidoso, sofisticado e um verdadeiro mestre dos disfarces quando é necessário — apesar de costumar usar uma cartola e um monóculo, traços que aparecem nas capas de diferentes edições.

“Enter Arsène Lupin”, de 1944, foi um dos muitos filmes feitos.

Ao todo, foram publicados 17 livros de Lupin, além de 39 contos (que se dividem por outros 24 livros). A personagem tornou-se tão icónica que apareceu em histórias de outros escritores, houve adaptações para banda-desenhada, peças de teatro e dezenas de produções de cinema e televisão, como esta nova série da Netflix. Nos anos 70, trinta anos depois da morte de Leblanc, foi autorizada a escrita de uma série de sequelas.

A série moderna protagonizada por Omar Sy homenageia as histórias clássicas de Lupin — mas não se trata, obviamente, de uma adaptação direta. A narrativa foca-se em Assane Diop, um ladrão engenhoso que cresceu a ler os livros de Arsène Lupin — talvez a sua grande fonte de inspiração. O livro, aliás, aparece na história.

O protagonista quer descobrir o que aconteceu ao pai há 25 anos — quando foi acusado de um crime que não cometeu, com o envolvimento de uma família rica e de um colar milionário desaparecido.

Assim, inspirando-se no seu mentor da ficção, assume a identidade de Paul Sernine (um anagrama de Arsène Lupin), quase como um herdeiro da personagem histórica, para chegar à verdade que procura.

Arsène Lupin numa das ilustrações dos livros mais famosas.

A série tem-se tornado um enorme sucesso na Netflix e isso já se refletiu na venda dos livros. Em França, os títulos dispararam completamente nos tops de venda nacionais. E até já foi lançada uma nova edição, mais semelhante à versão do livro que aparece na produção televisiva.

Noutros países os resultados são parecidos, mesmo que não tão estrondosos — é o caso do Reino Unido, Espanha, Estados Unidos da América e Coreia do Sul, entre outros. O interesse em torno da série provocou esta onda de vendas dos livros.

Em Portugal não há edições recentes. Os últimos foram publicados em 2012 e 2015, mas já não se encontram disponíveis nas lojas.

Quanto à série, espera-se que a Netflix confirme em breve quando estreia a segunda temporada, já que as audiências têm sido esmagadoras. Tal deverá acontecer nas próximas semanas — não estando confirmado se as gravações já arrancaram ou se terão ainda de ser marcadas, tendo em conta o cenário de pandemia.

Leia também o artigo da NiT que conta a história de Omar Sy, estrela de “Lupin” e “Amigos Improváveis”, desde o bairro pobre de Paris ao luxo de Hollywood.

Carregue na galeria para conhecer outras das novidades da televisão (e do streaming) que estrearam neste mês de janeiro.

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