Televisão

A história real do adolescente que construiu um império online de tráfico de droga

É contada num novo documentário da Netflix, “Shiny Flakes: o Traficante Adolescente”, e serviu de inspiração para “How to Sell Drugs Online (Fast)”.
Esteve preso vários anos.

Pouco tempo depois da estreia da terceira temporada de “How to Sell Drugs Online (Fast)” — a 27 de julho —, a Netflix lançou um documentário que conta a história real que serviu de inspiração para a narrativa da produção alemã. “Shiny Flakes: o Traficante Adolescente” pode ser visto desde 3 de agosto.

“How to Sell Drugs Online (Fast)”, que estreou em 2019, é uma série leve, acelerada e divertida sobre um rapaz alemão de 17 anos chamado Moritz que decide começar a vender drogas para reconquistar a ex-namorada de longa data, por quem ainda está apaixonado.

A ex-namorada passou um ano a estudar nos EUA e voltou de lá uma perita em festas e uma consumidora de MDMA (ou ecstasy). Quando Moritz se apercebe de que ela está interessada no pequeno traficante da escola, Dan, ele decide tornar-se sua concorrente.

O adolescente de coração partido consegue persuadir (ou na verdade, obrigar) o seu melhor amigo, Lenny, a ajudá-lo a construir uma loja online de droga na deep web. O negócio vai crescendo em popularidade — e os perigos também. Assim, as técnicas informáticas (e não só) para evitarem serem apanhados tornam-se cada vez mais sofisticadas e complexas.

O que muitos fãs não sabem é que os criadores do projeto, Philipp Käßbohrer e Matthias Murmann, inspiraram-se numa história real para criar esta série para a Netflix. A personagem de Moritz é baseada em Maximilian, um rapaz de 18 anos que começou a vender drogas online em Leipzig, na Alemanha, em 2013.

Maximilian criou uma loja digital chamada Shiny Flakes e ao longo de dois anos fez milhões de euros em Bitcoins, tornando-se num dos maiores traficantes de droga da Alemanha — tudo a partir do seu quarto de infância na casa dos pais. 

Graças aos seus conhecimentos tecnológicos e ao seu dom para compreender os hábitos dos consumidores, conseguiu criar este negócio de sucesso. Ao contrário do que acontece na série, Maximilian não teve a ajuda de nenhum amigo e fez tudo sozinho. Ele disfarçava o dinheiro como se tivesse vindo de um negócio de web design, mas a polícia acabou por apanhá-lo em 2015.

Apesar de o seu site estar na deep web, Maximilian cometeu alguns erros informáticos que levaram a que a polícia conseguisse descobrir as pistas. Além disso, num dos pacotes que enviou, os dados do remetente e destinatário estavam errados, o que fizeram com que a encomenda nunca chegasse a ninguém. Como também não podia ser devolvida, o pacote ficou num centro dos correios alemães até, um dia, ser aberto — e as drogas no interior terem sido descobertas.

Houve vários casos semelhantes em Leipzig e arredores, o que fez com que a polícia começasse a procurar um padrão. Maximilian cometeu o erro de usar muitas vezes as mesmas estações de correio e acabou por ser apanhado também por isso. As autoridades descobriram que era este jovem adulto quem estava a enviar os pacotes.

Para fazerem o teste, os agentes encomendaram drogas e conseguiram apreender 40 quilos de substâncias ilegais ao intercetar pacotes. Quando chegaram à casa de Maximilian, esperaram para o apanharem em flagrante delito numa compra de drogas a um fornecedor, e depois confrontaram-no com aquilo que tinham acabado de ver.

Maximilian ainda tentou destruir os seus discos rígidos para apagar as provas, mas não foi rápido o suficiente. A polícia prendeu-o e ainda apreendeu 320 quilos de várias drogas, o equivalente a mais de quatro milhões de euros que estavam escondidos no seu quarto.

Maximilian foi julgado como um menor e teve uma sentença de sete anos na prisão — com vários benefícios —, que ainda está a cumprir. Durante alguns dias por semana, o antigo traficante pode sair da prisão. Como descobriu que estava a ser feita uma série inspirada na sua história, um dia decidiu aparecer de repente no set de gravações da produção.

“Pensámos que ele estava a inventar tudo, mas era mesmo ele”, contou um dos criadores da série, Matthias Murmann, ao portal do MSN, segundo a revista “Cosmopolitan”. “Foi interessante ter a perspetiva dele.”

Murmann contou ainda que Maximilian os ajudou a contar a história, explicando como arrumava os comprimidos de MDMA em caixas e quais eram os seus métodos. Toda esta história é relatada no documentário “Shiny Flakes: o Traficante Adolescente”.

Carregue na galeria para conhecer outras novidades da televisão (e do streaming) para este mês de agosto.

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