Televisão

Homofobia, insultos e discussões: os maiores dramas dos bastidores de “Anatomia de Grey”

A série está no ar há 16 anos. É normal que durante todo este tempo surjam histórias escandalosas dos bastidores.
Estreou em 2005.

Embora não tenha sido o primeiro projeto deste estilo, “Anatomia de Grey” impulsionou a procura por séries de dramas médicos. Desde a sua estreia, em 2005, que vários projetos passados em hospitais tiveram início, como “New Amsterdam”, “Chicago Med”, “The Good Doctor”, entre muitos outros. A produção protagonizada por Ellen Pompeo é também uma das séries que está há mais anos no ar. “Anatomia de Grey” estreou esta semana a sua 18.ª temporada nos Estados Unidos. Em Portugal, estreou a 13 de outubro na Fox Life.

Para aqueles que não estão familiarizados com a série, este projeto acompanha a vida dentro de um hospital em Seattle, onde os dramas entre os profissionais são quase mais abundantes que o número de pacientes que ali vão para serem salvos.

É normal que, ao fim de tantos anos, surjam histórias no mínimo escandalosas de tudo o que se passa nos bastidores da série. Sejam os próprios atores a contar, ou pessoas que por lá passaram brevemente, parece que a cada ano que passa descobre-se algo de novo quanto àquilo que não vemos.

Com o lançamento de “How to Save a Life: The Inside Story of Grey’s Anatomy”, de Lynette Rice, várias novas histórias vieram ao de cima.

O caso de homofobia que fez um dos protagonistas ser despedido

O doutor Preston Burke era uma das personagens com maior destaque na série, além daquelas principais que já todos conhecemos. 

Isaiah Washington interpretou o papel de cirurgião cardiotorácico durante três temporadas e teve uma história bastante fundamental, visto que começou um relacionamento com Cristina Yang (Sandra Oh) e chegaram mesmo a ficar noivos. Contudo, a carreira do ator em “Anatomia de Grey” começou a aproximar-se do fim a 6 de outubro de 2006.

Numa discussão com Patrick Dempsey, provocada pelo facto de Dempsey ter chegado atrasado ao estúdio, Isaiah Washington revoltou-se e ambos começaram a discutir. Esta, tornou-se física. Durante o confronto, Washington diz: “não podes falar comigo como falas com aquele paneleiro do T.R. Knight.” Naquela altura, Knight, que interpretava George O’Malley, ainda não se tinha assumido publicamente como homossexual. “Acho que quando aquilo aconteceu, algo em mim mudou e aquilo tornou-se em algo superior a mim”, conta o ator a Ellen DeGeneres. Até hoje, Washington nega ter usado aquele termo para se referir a Knight.

A polémica não ficou por aí. Durante uma conversa com os jornalistas nos bastidores dos “Globos de Ouro”, em janeiro do ano seguinte, Isaiah Washington voltou a repetir a palavra: “Não, eu nunca chamei o T.R de paneleiro, nunca aconteceu”. O momento, desta vez capturado pelas câmaras, foi o suficiente para que o ator fosse despedido da série.

Uns anos mais tarde, na décima temporada, Isaiah Washington volta a interpretar o papel de Burke, o que despertou várias críticas, dirigidas principalmente a Shonda Rhimes, a produtora. “É importante para mim que a história da Cristina se desenrole exatamente como deve ser. O Burke é vital para esta jornada — ele oferece um full-circle moment àquela história e é isso que precisamos para dizermos um adeus digno à nossa querida Cristina Yang”, explica Rhimes.

Patrick Dempsey era um pesadelo nos bastidores

Dempsey interpretava o marido de Meredith, que deixou a série há seis anos, na 11.ª temporada, quando morreu de forma repentina — supostamente, Patrick Dempsey queria sair da série e havia alguma tensão entre o ator e a equipa de produção, nomeadamente com a criadora do projeto, Shonda Rhimes. Nos anos seguintes, o ator foi mesmo vocal nas suas críticas, alegando que trabalhavam mais de 15 horas por dia e que o ambiente não era saudável.

No livro publicado por Lynette Rice, Dempsey é acusado de ser um verdadeiro terror nos bastidores da série, levando até alguns membros do elenco e equipa técnica a desenvolverem stress pós-traumático. “Havia problemas de recursos humanos. Não era sexual de todo. Ele meio que aterrorizava as gravações, alguns membros do elenco desenvolveram stress pós-traumático com ele”, diz James D. Parriott, um produtor executivo.

“Ele tinha esta força no set de gravações porque ele sabia que podia parar a produção e assustar as pessoas”. “Tivemos reuniões com ele, acho que ele estava farto da série. Não gostava da inconveniência de ter de vir todos os dias e trabalhar. Ele e a Shonda estavam fartos um do outro”, adianta.

A atitude de Dempsey foi criticada por Ellen Pompeo (Meredith Grey), afirmando que ela era a que trabalhava mais horas mas mesmo assim não se queixava. A atriz fez também referência à equipa técnica que trabalhava tantas ou mais horas que Dempsey.

Foram, durante muitos anos, o casal mais adorado da televisão.

A discussão entre Ellen Pompeo e Denzel Washington

Num podcast lançado a 29 de setembro, onde conversava com Patrick Dempsey sobre as gravações de “Anatomia de Grey”, a estrela da série recorda um história que aconteceu em 2016, num episódios que estava a ser realizado por Denzel Washington.

“Esta é uma boa história do Denzel”, começa. A atriz começa a explicar o porquê de ter entrado numa discussão acesa com o ator e, na altura, realizador. De acordo com Pompeo, o ator que estava a contracenar consigo estava a pedir desculpas à doutora Meredith Grey por a ter magoado. “O outro ator fez uma escolha de falar com uma voz bastante suave”, lembra-se.

“E a Meredith estava furiosa por ter de estar ali sentada a ouvir aquele pedido de desculpas, e ele nem a estava a olhar nos olhos”, continua. “Então eu comecei a gritar. Eu disse tipo ‘olha para mim quando pedes desculpa. Olha para mim’. E isso não estava no guião então o Denzel passou-se.”

A atriz de 51 anos recorda-se que Denzel Washington gritou “eu é que sou o diretor. Não lhe digas o que fazer.” Por seu lado, Pompeo não ficou calada. “Ouve filho da puta, este é o meu programa. Este é o meu set. Pensas que estás a falar com quem? Tu mal sabes onde é a casa de banho”, termina.

Apesar da discussão, que fez com que não se falassem nem olhassem mais durante esse dia, Ellen Pompeo revela ter uma grande admiração e respeito pelo ator.

A tensão entre Shonda Rhimes e os atores

O caso mais notório de tensões ao rubro entre Shonda Rhimes e um ator é com Katherine Heigl, que interpretava Izzie Stevens. Em 2006, a jovem atriz ganhou o Emmy de Melhor Atriz Secundária numa Série de Drama, graças ao papel interpretado em “Anatomia de Grey”. 

O ambiente começou a ficar mais pesado quando no ano seguinte tirou o seu nome durante a corrida aos Emmys. “Eu sinto que não me deram material para garantir uma nomeação aos Emmys, e com o objetivo de manter a integridade da academia, tirei o meu nome da corrida”, disse Heigl. 

Shonda Rhimes não levou aquele testemunho de ânimos leves, e rapidamente virou as culpas para a própria atriz, garantindo que se não tinha material bom o suficiente a culpa não era de ninguém se não ela.

Com um ambiente tóxico a desenvolver-se entre ambas, e tendo Shonda Rhimes o maior poder na produção, a atriz acabou por sair de “Anatomia de Grey” durante a sexta temporada.

“A um certo nível, magoou. Mas por outro lado não fiquei surpreendida. Quando as pessoas nos mostram quem verdadeiramente são, acreditem nelas”, diz Rhimes em conversa com a Oprah.

Uns anos mais tarde, em 2014, Shonda Rhimes voltou a falar do artrito entre ambas, em entrevista ao “The Hollywood Reporter”. “Não há Heigls nesta situação”, diz Rhimes, em referência ao elenco de “Scandal”. Afirma ainda que começou a usar uma política de não serem aceites “otários”. “Já não vou levar com mais merdas ou pessoas nojentas. Não há tempo para isso.”

O ambiente nos bastidores era, muitas vezes, bastante tenso.

As dificuldades interpressoais de Shonda Rhimes não se limitavam a Katherine Heigl e, posteriormente, a Patrick Dempsey. Também T.R. Knight teve algumas dificuldades na série, em certa parte provocadas pela produtora.

Em conversa com a “Entertainment Weekly”, o ator revelou sentir-se frustrado devido ao seu pouco tempo de antena, comparando-o com aquele de Sandra Oh. Nos primeiros nove episódios da quinta temporada, o ator recorda-se que apareceu menos de metade do tempo da atriz que interpretara Cristina Yang. “Os meus cinco anos de experiência ensinaram-me que não podia acreditar nas respostas que me davam quanto ao George. E fico-me por aqui”, confessa.

O ator recorda-se também de quando Shonda Rhimes o desencorajou de assumir a sua homossexualidade publicamente: “Eu acho que ela estava preocupada em ter o meu testemunho tão perto daquele acontecimento”. Aquele acontecimento era nada mais nada menos do que o ataque homofóbico de Isaiah Washington. Já Shonda Rhimes garante que tal não é verdade. “Eu disse, ‘se te queres assumir isso é fantástico. Vamos apoiar isso totalmente'”.

Quanto a outros dramas menores que foram surgindo entre Rhimes e os diferentes atores, a produtora afirma que era difícil ter o mesmo tempo de antena para todos, visto que há bastantes personagens em “Anatomia de Grey”.

Além de “Anatomia de Grey” há várias outras estreias a chegar este mês ao País. Carregue na galeria para as descobrir.

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