Televisão

Inês Castel-Branco: “Nunca gostei da minha imagem e, de repente, gosto”

A atriz falou com a NiT sobre o seu papel em “Para Sempre”, a nova novela da TVI, onde interpreta Clara.
A atriz interpreta Clara em "Para Sempre".

A 8 de novembro estreou na TVI a novela “Para Sempre”. Inês Castel-Branco interpreta Clara, uma das protagonistas da história. A personagem tinha uma relação apaixonante com Pedro (Diogo Morgado) durante a adolescência — até este desaparecer da sua vida sem explicar porquê.

Muitos anos depois, Pedro está de volta. E Clara, que tem agora uma relação duradoura com Lourenço, vai sentir-se dividida e confusa. Mais perturbador ainda é que Pedro e Lourenço são irmãos — apesar de no início da narrativa não o saberem. Pedro está de volta precisamente para descobrir a origem da sua família.

Em declarações à imprensa no lançamento da CNN Portugal, Inês Castel-Branco falou sobre o feedback que tem recebido dos espectadores. “Tenho muitas mensagens privadas a dizer ‘grande papel’, ‘estás ótima’. Muitas miúdas estão a adorar a Clara, o que para mim é ótimo. Ela é mesmo boazinha e ser um exemplo para as mais novas é ótimo, porque ela tem mesmo o coração no sítio certo.”

E acrescentou: “Em relação à novela no geral, dizem muito que é à antiga, mas sem ser filmada como antigamente. É um daqueles dramas que vão buscar as tramas — ainda por cima vem depois do ‘Festa é Festa’, que é muito leve. Está a fazer muito sentido para as pessoas que acompanham a TVI e ainda bem, porque para mim é um regresso que está a ter um bom retorno”.

A atriz de 39 anos diz que imagina que o público de “Para Sempre” seja mais velho, de pessoas “com alguma idade, que até têm saudades destas histórias mais à antiga”. “O formato das telenovelas em Portugal funcionou durante muitos anos por alguma razão. É aquele público. E esta novela faz isso. Quando disse que a TVI estava a inovar, o formato pode ser sempre muito parecido — é novela — mas a forma como é filmada, iluminada…”

Inês Castel-Branco adiantou ainda alguns detalhes sobre a história de Pedro e Clara. “Vamos estar juntos e depois vamos deixar de estar. O que nos separa são coisas muito normais, com as quais qualquer pessoa se identifica. Não são do do arco da velha, são assunto mesmo de casal. E foi aquilo de que gostei nesta história de amor.”

A atriz falou ainda sobre as características da sua personagem. “Apesar de a Clara ser diferente de mim, identifico-me com os conflitos das personagens todas. Todas têm um segredo e todos são válidos.” Mas assume que é uma personagem muito diferente de si.

“Às vezes irritou-me quando estava a ler… O grande desafio nesta mudança de canal foi, finalmente, poder fazer uma personagem que é o oposto de mim. É passiva, boazinha… não quer dizer que seja má [risos], mas sou diferente. Não deixava que nem um terço das coisas que lhe acontecem acontecessem a mim.”

E acrescenta sobre o processo de interpretar esta personagem: “Nunca gostei da minha imagem e de repente gosto, o que é uma coisa inédita, ao fim de 20 anos. Gosto do guarda-roupa, do cabelo. Gosto até da forma contida… quando comecei a ler pensei que não podia estar o tempo todo a chorar. Se não, quando choro, ninguém leva a sério. Tenho orgulho do trabalho que fiz nesse sentido. Ela é coerente e depois tem arcos em que se passa, depois volta a ser igual, depois há alturas em que está só triste… Tentei fazer dela uma miúda normal. Não só aquela protagonista de novela que está sempre a sofrer. Porque às vezes estamos a sofrer, mas não temos de estar sempre a chorar e a queixar-nos. Até fazemos humor com o nosso sofrimento. Tentei fazer isso e espero que isso passe para quem vê.”

Inês Castel-Branco disse também que está agora a preparar uma peça que vai estrear no Teatro Villaret, em Lisboa, em janeiro. Trata-se da adaptação de uma comédia francesa chamada “A Estudante e o Senhor José”, com José Pedro Gomes, um projeto da Força de Produção.

“Desde pequenina que amava trabalhar com o José Pedro Gomes, portanto estou a realizar um sonho. A estudante ainda não posso dizer quem é, porque está em processo de escolha. E o meu marido é o Aldo Lima, com quem também nunca trabalhei. Acima de tudo queria muito fazer comédia e que foi a escolha certa. Estou em cena até maio e em setembro começo uma peça no Teatro do Bairro. Este [próximo] ano vou dedicar-me ao teatro. Até porque, enquanto protagonista de novela, mais a publicidade, a nossa imagem fica um bocado gasta. Quero muito fazer teatro e não consigo fazer ambos ao mesmo tempo porque tenho um filho.”

A atriz comentou ainda o facto de fazer uma pequena participação em “Glória”, a primeira série portuguesa da Netflix, que estreou a 5 de novembro na plataforma de streaming. “Tenho tanto orgulho. Ao princípio fez-me um bocado de impressão estarem a promover a série com o meu nome tipo cabeça de cartaz, quando a minha personagem é tão pequenina. Até disse à minha agente: isto não é um bocado feio? As pessoas vão ao engano. Mas depois quando comecei a ver, fiquei muito orgulhosa de lá estar o meu nome. Aquilo é tão bom e faz-me mesmo pensar: nós conseguimos fazer tão bem como lá fora. Mesmo com uma personagem pequenina, fico mesmo orgulhosa de estar neste projeto.” Leia também a crítica da NiT a “Glória”.

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