Sempre que sobe ao palco, Marisol Noronha põe multidões a gritar pelo seu nome. Mesmo assim, sente que o que faz é desvalorizado — não pelo público, mas pelo governo. “O circo em Portugal não tem o devido valor e não é considerado cultura. Somos sempre bem recebidos em todas as localidades, mas não temos apoios e ajudas do Estado para manter a tradição”, conta à NiT.
Um dos objetivos da sua participação no “Got Talent” é mudar mentalidades. Parece que está a ser bem-sucedida, visto que neste domingo, 5 de abril, foi uma das vencedoras da terceira semifinal, garantindo um lugar na final do programa da RTP, marcada para domingo, 12 de abril.
A jovem de 22 anos, natural de Beja, pertence à sétima geração de artistas de circo da sua família. “É algo que já vem dos meus antepassados e eu já nasci nesta vida”, brinca. Seguir qualquer outra carreira é algo que nunca lhe passou pela cabeça.
Quando tinha 9 anos começou a fazer espetáculos com hula hoops (os arcos à volta da cintura) e, aos 12, começou a praticar a arte dos aéreos, talento que levou para o “Got Talent”. “O meu bisavô era trapezista e decidi seguir as pegadas dele”, explica.
A preparação para apresentar um número ao público não é fácil. “Quando estamos a começar uma rotina nova, ensaiamos várias vezes ao dia e todos os dias para manter o ritmo.” Quando a produção já está montada e estreada, a carga de treinos diminui. Mesmo assim, o trabalho não pára: os artistas também tratam da publicidade e da montagem do cenário. “Fazemos um pouco de tudo”, realça.
A ideia de participar no “Got Talent” não partiu de Marisol, mas sim da família que achava que tinha o perfil perfeito para fazer sucesso. “Acabei por participar para lhes fazer a vontade”, revela. Inicialmente estava nervosa e com medo de não mostrar “o valor que o circo deveria de ter”. “Mas depois de lá estar gostei realmente da experiência e fui muito bem recebida. As pessoas em casa também gostaram muito.”
A presença na final do concurso é algo que a enche de orgulho. Afinal, “não contava chegar tão longe” quando fez a primeira audição. Para a despedida vai mostrar um número inédito — até agora já tinha apresentado todas as rotinas em espetáculos anteriores pelo País. “Foi ensaiado no espaço de uma semana. Estou um pouco nervosa, mas já estou muito feliz por ter chegado até aqui. Vou aproveitar e divertir-me.”
Vencer o “Got Talent” é, agora, o seu maior objetivo, principalmente porque conseguiria mostrar o que os artistas de circo são capazes de fazer. “Temos performers muito bons em Portugal e quero mostrar isso a toda a gente”, confessa.
Outra meta que tem, quer seja vencedora ou não, é continuar a ajudar os pais a evoluir o circo familiar. “Um dia gostaria também de ir para o estrangeiro trabalhar, talvez no Cirque du Soleil, e participar num festival”, conclui.
Carregue na galeria para conhecer algumas séries e temporadas que estreiam em abril nas plataformas de streaming.

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