Televisão

Já pode ver o documentário sobre Ghislaine Maxwell, o “monstro por trás do monstro”

Desta vez, é a cúmplice de Jeffrey Epstein que está em destaque numa produção da Netflix sobre os crimes que ambos cometeram.
Ghislaine Maxwell foi detida em 2020.

Desde as mais banais àquelas que são completamente surreais, muitas têm sido as histórias verdadeiras de crime que a Netflix tem contado ao longo dos anos, sobretudo através de documentários (ou séries documentais) sobre serial killers, investigações bizarras ou pessoas inocentes que foram parar à prisão.

Contudo, poucas se assemelham àquela que foi contada em 2020 pela plataforma de streaming. “Jeffrey Epstein: Podre de Rico” começava por mostrar como um americano de origens humildes fez fortuna no setor da banca e da alta finança, onde ocupou vários cargos e teve diferentes funções, tornando-se um investidor e consultor influente e ligado a muitas áreas de negócio. 

A sua história criminal, pelo menos daquilo que se sabe, remonta pelo menos a 2002. Epstein terá abusado sexualmente de várias raparigas — algumas delas menores — e, além disso, terá cometido crimes de tráfico sexual, ao forçá-las a terem relações com outras pessoas (nomeadamente amigos igualmente poderosos).

A primeira acusação aconteceu em 2008, mas um acordo judicial secreto fez com que só cumprisse 13 meses de prisão — sendo que podia ir trabalhar num escritório privado durante seis dias por semana. Esse acordo só se tornou conhecido dez anos depois, numa investigação do jornal “Miami Herald”.

Em julho de 2019, um ano depois, foi detido por novas acusações de tráfico sexual, entre outros crimes, que o colocaram numa prisão federal em Manhattan. Um mês depois, Epstein foi encontrado morto na sua cela, estrangulado. A autópsia sugeriu que tivesse sido suicídio, mas a família pediu uma análise independente porque suspeitava que ele tinha sido assassinado. Afinal, o milionário sabia de segredos de pessoas muito poderosas — e muitas delas poderiam perder as suas vidas de luxo caso Epstein falasse.

Jeffrey Epstein contratava jovens raparigas (algumas delas com menos de 18 anos) para serem massagistas — e fazerem outros trabalhos do género — nas suas propriedades, fosse em Palm Beach, em Nova Iorque ou na sua ilha privada nas Ilhas Virgens Americanas. Lá, abusava sexualmente delas. Uma cúmplice essencial nesta rede criminosa para proveito próprio era a sua namorada, Ghislaine Maxwell.

Britânica, oriunda de uma família rica, era uma socialite na Londres dos anos 80 — acabou por se mudar para Nova Iorque pouco tempo após a morte misteriosa do pai, um magnata dos media, que morreu afogado antes de os seus crimes de fraude se tornarem públicos. Nos EUA, manteve o estilo de vida ao tornar-se uma figura regular nas festas da elite económica e social de Nova Iorque. Foi assim que conheceu Jeffrey Epstein e começaram a namorar.

Como “Jeffrey Epstein: Podre de Rico” já alegava, Ghislaine Maxwell terá sido fulcral para atrair dezenas de jovens — algumas delas menores — para as propriedades de Epstein, onde as vítimas eram abusadas sexualmente. A própria Maxwell terá participado em vários desses atos sexuais criminosos. Agora, a sua história é aprofundada em “Ghislaine Maxwell: Podre de Rica”, documentário de uma hora e 41 minutos que estreou na Netflix a 25 de novembro.

Por um lado, o projeto vai acompanhar o caso judicial que se seguiu à morte de Epstein e à estreia do primeiro documentário na Netflix. Dois meses depois do lançamento, Ghislaine Maxwell — que estava em parte incerta — foi detida pelas autoridades. Foi acusada de crimes como aliciamento de menores, tráfico sexual de menores e perjúrio. Em junho deste ano, foi condenada a uma pena de 20 anos de prisão, com a juíza a descrever o seu comportamento como “hediondo e predatório”.

Por outro, a Netflix sublinha que não só se vai debruçar sobre as manchetes mais recentes, como irá contar “a história definitiva da cúmplice de Epstein, mostrando como a sua classe social e privilégio esconderam a sua natureza de predadora”. O documentário inclui depoimentos de vítimas, agentes da autoridade e advogados envolvidos no caso. Como a plataforma de streaming diz, é sobre o “monstro por trás do monstro”.

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