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Já sabemos porque é que Kim Cattrall não vai entrar na nova série de “O Sexo e a Cidade”

A HBO ressuscitou a história icónica para uma minissérie de dez episódios. Mas a atriz que interpreta Samantha ficou pelo caminho.
A nova minissérie começa a ser gravada daqui a uns meses.

Carrie Bradshaw (Sarah Jessica Parker), Charlotte York (Kristin Davis) e Miranda Hobbes (Cynthia Nixon) estão de volta para uma nova história de “O Sexo e a Cidade”. A HBO ressuscitou este universo icónico para uma nova minissérie de dez episódios de meia hora, chamada “And Just Like That…”.

As gravações deverão arrancar na primavera, sendo que ainda não há uma data de estreia prevista. Nada se sabe ainda sobre a história — mas deverá centrar-se numa nova fase da vida destas amigas, e nas suas aventuras amorosas em Nova Iorque. A grande novidade é que Kim Cattrall não vai regressar como Samantha Jones — e ainda não se sabe como é que a narrativa vai justificar a sua ausência.

A decisão de Kim Cattrall em não participar não é, contudo, uma grande surpresa. Durante vários anos tem-se falado da relação tensa que tem existido entre Sarah Jessica Parker e Cattrall, desde os tempos da série, que estreou em 1998.

Kim Cattrall preferiu não reagir diretamente ao anúncio de uma nova série de “O Sexo e a Cidade”, mas fez um “gosto” no tweet de um fã sobre o assunto. “Eu adoro absolutamente ‘O Sexo e a Cidade’, e apesar de estar triste por a Samantha não regressar, eu aplaudo-te por fazeres o que é melhor para ti e acho que é um grande exemplo de te pôres em primeiro lugar. Muito bem, Kim Cattrall”, escreveu o fã.

Ao longo dos anos, e sobretudo depois do projetado terceiro filme de “O Sexo e a Cidade”, que nunca chegou a acontecer por decisão de Kim Cattrall, muito se tem especulado sobre que atrizes poderiam ficar com o seu lugar e interpretar Samantha. A própria Cattrall deu algumas ideias e não se mostrou injustiçada pela ideia — mas tal não deverá acontecer.

Numa conversa no canal Adam’s Apple, Sarah Jessica Parker garantiu que ninguém quer colocar uma outra quarta personagem na nova série. “Teremos Nova Iorque como uma quarta personagem”, disse a atriz. “Ela será apresentada como um elemento muito interessante, o que nos deixa entusiasmados”, disse.

“A Samantha não faz parte desta história. Mas vai ser sempre parte de nós. Independentemente de onde estivermos ou o que façamos”, disse também Sarah Jessica Parker.

O início da rivalidade

De acordo com um livro de Clifford Streit, a inspiração real para a personagem Stanford Blatch, Cattrall “era uma comediante natural que roubava as cenas no melhor dos sentidos — a câmara gravitava naturalmente para ela”, relata o “New York Post”. Isso começou a desgastar os egos no set.

Subitamente, grupos começaram a formar-se nos bastidores das gravações. Jessica Parker e Cynthia Nixon conheciam-se desde pequenas e agarraram Kristin Davis. Cattrall terá ficado sozinha, apenas com o apoio do produtor Darren Star, que acabaria por deixar a série na segunda temporada, substituído por um amigo de Parker, Michael Patrick King.

A rivalidade era de tal forma notória que durante uma semana de gravações fora de Nova Iorque, as três colegas alugaram uma casa só para si. Oficialmente, a HBO anunciou que Cattrall ficou sozinha numa casa porque era a única mulher casada. Na realidade, as diferenças entre atrizes eram quase irreconciliáveis.

Desde a segunda temporada que Parker não era só a atriz e protagonista, mas também produtora-executiva — o que se traduziu numa compensação extra de cerca de 300 mil euros por episódio.

Ao fim de seis anos, “O Sexo e a Cidade” aproximava-se do fim, entre dezenas de notícias que davam conta das tensões nos bastidores. Dizia-se que a atriz que fazia de Samantha teria sido a responsável por divulgar à imprensa um alegado aborto de Nixon. Cattrall era oficialmente a outsider, afastada de tudo e de todos. “Nem o pessoal da maquilhagem lhe dirigia a palavra”, revelou uma fonte. 

Na cerimónia dos Emmy de 2004, já depois da emissão dos derradeiros episódios de “O Sexo e a Cidade”, um pequeno pormenor despertou a atenção dos fãs. Na plateia, Cynthia Nixon, Kristin Davis e Sarah Jessica Parker estavam sentadas lado a lado. Longe, sentada à parte das colegas de elenco, estava Kim Cattrall. A distância não passou despercebida e acendeu os rumores de um conflito interno. 

As tensões vêm de há muito tempo.

Cattrall abordou os boatos publicamente: “Somos as melhores amigas? Não. Somos atrizes profissionais. Temos as nossas vidas independentes.”

Só depois da emissão do último episódio é que a atriz se sentiu à vontade para falar sobre o fim da série e de como as exigências salariais das atrizes impediram a produção de uma sétima temporada. “Senti que ao fim de seis anos, era tempo de todas nós participarmos nos lucros de ‘O Sexo e a Cidade’. Quando mostraram que não o pretendiam fazer, percebi que estava na altura de seguir para outras coisas”, revelou no programa “Friday Night with Jonathan Ross”. 

A paz podre

Quatro anos depois, o regresso improvável. Embora se soubesse que o clima era tenso nos bastidores, as atrizes tentaram sempre passar uma imagem de paz. E foi assim, de forma relutante, que Cattrall regressou ao grupo para gravar o filme lançado em 2008.

“O Sexo e a Cidade”, o filme, foi um sucesso de bilheteira estrondoso. Hollywood foi igual a si própria e começou a aquecer a máquina para uma sequela. Cattrall tornou-se novamente na pedra na engrenagem.

Fontes próximas da atriz revelaram à época que a relutância em regressar para um segundo filme se prendia novamente com a disparidade salarial entre Jessica Parker e as restantes protagonistas. Na imprensa, circulavam rumores de um “comportamento de diva” por parte de Cattrall.

O acordo acabaria por ser assinado e a sequela lançada em 2010. Só que por altura das gravações, Parker e Cattrall já não se falavam de todo, revelou a “New York Magazine” em 2009. “Isso pôs toda a gente no set extremamente desconfortável”, descreveram à época. 

Nas entrevistas, Sarah Jessica Parker acalmava os ânimos e garantia que não havia quaisquer conflitos internos. “Eu adoro a [Kim]. Não teria feito o filme sem ela”, revelou em 2009 à “Elle”.

Também Cattrall tentou desviar as atenções quando, em 2010, revelou que todo os rumores eram falsos. “Acho que a Sarah tem razão: as pessoas não querem acreditar que nós nos damos bem. Investiram demasiado na ideia de que estas duas mulheres fortes estão a lutar entre si. Torna tudo mais interessante”, explicou ao “The Daily Mail”

Seis anos depois, Hollywood estava pronta para voltar a atacar a mina de ouro de “O Sexo e a Cidade”. Com um argumento preparado, os rumores do regresso começaram a circular, até que Jessica Parker decidiu confirmar as intenções, mas ao mesmo tempo pôr fim à expectativa.

“É desapontante que não sejamos capazes de poder contar a história e viver esta experiência, ainda mais para os fãs que têm sido tão interventivos nos pedidos de um novo filme”, revelou em 2017. 

A manifestação de tristeza voltou a despertar os tablóides, que acabam por insinuar — citando fontes anónimas que alguns alegam terem tido origem no restante elenco — que a culpa é de Cattral e das suas “exigências desmedidas”.

“A única exigência que fiz foi que não queria fazer um terceiro filme. E isso foi em 2016”, respondeu de imediato Cattrall no Twitter. Voltou à carga em entrevista com Piers Morgan, onde refutou todas as acusações.

“Nunca pedi mais dinheiro. Nunca pedi outros projetos. Pensarem em mim como uma espécie de diva é absolutamente ridículo. Isto não tem nada a ver com dinheiro, com mais cenas, com nada disso. Esta é uma decisão muito clara, uma decisão que tomei sobre a minha vida, de terminar um capítulo e começar outro”, explicou.

Sobre Sarah Jessica Parker, foi rotundamente clara: “Nunca fomos amigas. Éramos colegas e creio que isso é saudável, porque tínhamos demarcadas muito claramente as linhas profissionais e pessoais”. E os problemas de bastidores? “[A Sarah] podia ter sido mais simpática”, rematou.

A luta pública

A confissão de Cattrall acendeu o rastilho que confirmou de vez os rumores que davam conta de uma rivalidade acesa entre si e Sarah Jessica Parker. Só que agora, a batalha havia deixado os corredores escuros dos bastidores e chegava às redes sociais que não existiam quando as quatro se tornaram nas amigas preferidas da televisão.

Confrontada com os comentários de Cattrall, Parker revelou estar “de coração partido”. “Foi tudo muito triste nessa semana. Não é dessa forma que eu recordo a nossa experiência. É muito triste, mas creio que aquela experiência única criou laços que nos vão sempre unir. Era uma experiência profissional que se tornou pessoal. Espero que isso eclipse muitas das coisas que foram ditas recentemente”, confessou.

Nesse mesmo ano, o irmão de Cattrall faleceu e nas redes sociais, a atriz agradeceu a todos os que haviam enviado mensagens de condolências. Entre elas estava Parker, que fez questão de deixar um comentário de apoio no Instagram da antiga colega. Fê-lo novamente na televisão, em duas ocasiões diferentes.

“Se alguém na tua vida, estejas ou não em contacto com ela, está a sofrer por alguma razão, é involuntário que queiras dar as condolências ou exprimir a tua tristeza ou simplesmente dizer-lhes que estás a pensar nela”, contou.

As mensagens não foram bem recebidas e as delicadezas foram definitivamente atiradas ao lixo. Cattrall nem esperou pela oportunidade certa. Pegou no telemóvel, abriu o Instagram e disparou sem piedade.

“A minha mãe perguntou-me hoje: ‘Quando é que aquela Jessica Parker, aquela hipócrita, te vai deixar em paz?’ A tua insistência em chegar a mim é uma dolorosa recordação do quão cruel tu eras e és. Deixa-me tornar isto muito claro, caso ainda não tenhas percebido. Tu não és da minha família. Tu não és minha amiga. Por isso escrevo-te uma última vez para que pares de explorar esta tragédia para fazer renascer a tua fama de miúda queridinha”, escreveu.

A mensagem esclareceu de vez todos os anos de confrontos escondidos em prol do sucesso dos diversos projetos. E perante esta derradeira confissão, Parker não teve outra saída senão dar a sua versão dos factos.

“Nunca respondi à conversa entre a Kim e o Piers Morgan, na qual ela diz coisas dolorosas sobre mim. Não consigo imaginar alguem que não a Kim naquele papel. Nunca houve nenhuma guerra; foi tudo fabricado porque eu nunca respondi. E não vou responder, porque ela disse o que tinha a dizer e esse é um direito seu.”

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