Televisão

Já tínhamos saudades de “Pôr do Sol” e voltou com a qualidade de sempre

Leia a crítica da NiT ao primeiro episódio. Há grandes mudanças na história, mas mantêm-se as piadas absurdas e hilariantes.
Simão está num intenso retiro espiritual.

Um dos regressos televisivos mais esperados do ano aconteceu esta segunda-feira, 8 de agosto. Estreou na RTP1 a segunda temporada de “Pôr do Sol”, a série que satiriza as novelas, e que se tornou num fenómeno de culto no ano passado.

O sucesso de “Pôr do Sol” tem muito a ver com o facto de ter sido uma enorme surpresa. Ninguém estava à espera, em agosto de 2021, que estreasse uma produção com estas características na televisão portuguesa. Aliás, ninguém poderia sequer saber que era isto que desejava ver. Tratou-se de um projeto realmente refrescante.

O desafio com esta segunda temporada, portanto, era gerir as expetativas criadas. Por um lado, existe um público consolidado e habituado ao registo, que está sedento de mais “Pôr do Sol”. Por outro, agora os criadores do projeto têm de manter ou elevar a qualidade. 

O primeiro episódio, em particular, acarretava alguma exigência. Não só era o capítulo que marcava o regresso, como era necessário estabelecer a ponte entre as histórias da primeira e da segunda temporadas. Por mais absurdos que os diálogos e linhas narrativas possam ser, tudo em “Pôr do Sol” é coeso e consistente. E essa é a chave que faz a engrenagem funcionar na perfeição.

O enredo recomeça um ano, duas semanas e sete dias depois. O caseiro António saiu da prisão, mas está determinado em seguir um caminho diferente — e não voltar para a Herdade do Pôr do Sol, onde é sentida a sua falta. Este desejo deixa o engenheiro Eduardo Bourbon de Linhaça algo abalado.

Madalena Bourbon de Linhaça também está prestes a sair do hospital psiquiátrico onde está internada. Como explica o doutor Rodrigo, até podia ir já para casa, mas prefere ir só no domingo depois de almoço porque é dia de empadão. O seu regresso ao laré muito desejado pelo marido Eduardo, pela empregada Maria da Piedade e pela filha Matilde.

Matilde e Lourenço são agora pais de um bonito bebé, mas a parentalidade irá trazer alguns desafios. Ao que parece, Lourenço não está a fazer tanto na herdade como antigamente. E continua determinado em seguir o seu sonho de se tornar num músico icónico. Um anseio que poderá causar alguns atritos com Matilde — sobretudo quando falamos de um dos casais mais dramáticos de toda a história da televisão. 

A Herdade do Pôr do Sol irá enfrentar um desafio bem particular. Este ano, a colheita das cerejas cheira a marisco, mas as surpresas não terminam por aqui. Através de um flashback que nos faz regressar ao início da história de “Pôr do Sol”, descobrimos que existe uma terceira gémea. Salomé, assim se chama, é cega e foi “abandonada como deve ser” junto de um convento de freiras desportistas. Lá, anseia pelo dia que descobre quem são os pais e as suas origens. Já Filipa, a gémea má, mantém-se na prisão — após os tribunais rejeitarem prudentemente os seus sucessivos pedidos de libertação antecipada. 

Por falar em vilões, descobrimos no final da primeira temporada que o tio Simão Bourbon de Linhaça não morreu. A personagem está agora no mosteiro dos monges de Chop Soy, em Espanha, num retiro espiritual constante para afastar o seu lado maléfico. Apesar dos conselhos do seu guru, Simão insiste que já não é a mesma pessoa. Vamos ver por quanto tempo.

Já a revista “Blaze” mudou o foco para o segmento do lifestyle e está a ser dirigida por Raúl. A mãe, Ivone, e o padrasto Tomané, são agora os respeitáveis proprietários de uma casa de fados muito frequentada por turistas — para gáudio do miúdo da Madragoa e de Nando, que veem uma oportunidade de negócio no carteirismo. São todas estas peças que o primeiro episódio de “Pôr do Sol” coloca no tabuleiro. 

A série regressa com uma estética mais cinematográfica, com inúmeras piadas e frases que mantêm o nível de qualidade — e que têm potencial para se tornarem catchphrases —, e com as mesmas interpretações irrepreensíveis dos atores. Aquelas personagens acreditam profundamente em tudo o que dizem e sentem. E isso é essencial para mergulharmos à séria neste universo absurdo, cómico e delicioso de que já tínhamos saudades. 

Felizmente, este ano a temporada é maior — com um total de 20 episódios. Todos os dias, durante a semana, haverá um novo capítulo a partir das 21 horas. Se preferir ver mais cedo, por volta do meio-dia, o novo episódio fica disponível na RTP Play. Carregue na galeria para conhecer as melhores piadas (e frases) da primeira temporada de “Pôr do Sol”.

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