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Já vi anúncios na tasca mais credíveis do que a candidatura à presidência do João

O humorista e cronista Miguel Lambertini analisa o episódio deste domingo de “Casados à Primeira Vista”.
Dulce e João estão numa melhor fase.

Na semana que passou, em “Casados à Primeira Vista”, os casais afastaram-se uns dos outros para se poderem aproximar de si próprios. Sim, começamos já com um toque poético que isto também não pode ser só trivialidades bacocas, embora vá ser, a partir daqui. 

Para a maioria dos participantes, sair do prédio no Intendente e conhecer as famílias dos seus parceiros/as foi uma experiência positiva de união. Mas nem todos estavam em condições de o fazer. Laura e Luís afastaram-se para refletir sobre a sua continuação no programa e durante a semana chegaram à conclusão de que não fazia sentido seguir em frente. Na noite do jantar conjunto, Laura entrou na sala sozinha para surpresa dos restantes participantes.

“Que pena ter aparecido um palhaço destes e não ter sido uma pessoa autêntica”, diz Laura para as câmaras, confirmando desta forma ternurenta que este relacionamento está definitivamente condenado. No entanto, a dúvida permanecia: Será que Luís vai aparecer para jantar? 

Não só Luís apareceu como vinha todo contente a fazer comboio humano. Uma coreografia clássica da pista de dança dos casamentos, e que já é mau quando junta tias de 70 anos com o padrinho bêbado da noiva, mas fica ainda pior a solo. “Hoje é a nossa despedida de divorciado, vamos fazer uma festa”, diz Luís em tom alegre para o resto do grupo enquanto Laura não disfarça o seu enfado. O afastamento é tal que Laura já nem pronuncia o nome do seu marido e durante o jantar faz uma derradeira declaração: “Vim aqui por vocês, não vim aqui por este senhor”. Depois agradeceu a todos e já não regressou à mesa, que é o que faço quando estou a perder a jogar Party & Co.

Mas a noite estava rica em anúncios e depois deste foi a vez de João comunicar a todos a sua mais recente decisão. “Eu quero anunciar-vos uma coisa”, diz com pompa e circunstância. “Vou candidatar-me a Presidente da República.” Os casais riem-se e aplaudem. “Que maluco”, comenta Uicãa, que ficou com a fama de gostar de beber uns copos a mais, mas naquele momento parecia ser o mais sóbrio do grupo. Aliás, já vi anúncios em tascas, feitos pelo bêbado da aldeia, que soavam mais credíveis que o desta candidatura do João.

Só faltou mesmo alguém dizer: “‘Tá bem João, agora senta-te lá que a gente quer ver a bola, homem!” Mas o reformado parece estar determinado e muito sério na sua intenção de ocupar o cargo mais importante na hierarquia da nação, e ao que parece não lhe falta apoio da sua mulher. Dulce achou uma ótima ideia a possibilidade de vir a ser a próxima primeira-dama e selou o seu apoio com um beijinho na boca e uma dança. O casal está mais próximo do que nunca e Dulce até consegue responder corretamente a questões de algibeira sobre o seu marido, como, por exemplo, a sua altura. 

Ambos assumem que esta semana, passada na terra de origem de Dulce, mudou o seu relacionamento. “Há uma vida antes de Olhão e uma vida depois de Olhão”, confirma o casal ao restante grupo. João adorou ir ao Algarve principalmente porque pôde finalmente comer a mariscada que tanto desejava. No entanto, não quis ficar a dormir em casa da Dulce, o que a deixou triste, porque já tinha preparado o espaço para o receber. Para tentar minimizar danos, João explica aos especialistas que, durante esse tempo, teve saudades da Dulce.

Quando o psicólogo pergunta a João “quer ir mais vezes a casa da Dulce? Diga-lhe a ela” João responde: “Claro que quero ir mais vezes a tua casa e dizer-te o que tens de fazer lá, porque há umas ervas ali à entrada que se fosse eu não deixava aquilo crescer.” O João tem saudades, mas é mais de dar sugestões de arquitetura paisagística, o que é ótimo no caso de vir a ser Presidente da República, porque os jardins do Palácio de Belém precisam de alguém com a visão deste homem.

Passaríamos de um presidente que tira fotografias com as pessoas para um presidente que tira radiografias às pessoas, o que atendendo ao estado atual da saúde no nosso País, era bastante mais útil. Os especialistas aproveitaram também para tentar perceber como é que surgiu este ímpeto para se candidatar. “Foi uma ideia que já tinha ou surgiu agora?” João responde com o seu tom misterioso: “Foi uma química que entrou em mim e fez-me pensar nisso”. Compreendo, quando a química entra em nós é difícil controlar. O meu amigo Simão também esteve 72 horas numa rave que terminou com comboio humano e quando voltou já só queria ser presidente da CP. 

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