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James Pickens Jr. sobre sucesso de “Anatomia de Grey”: “Já posso comprar uma sandes”

O ator veterano da série esteve à conversa com a NiT sobre a forma como a sua vida mudou desde que a série estreou.
A série mudou a sua vida.

James Pickens Jr. é um rosto conhecido entre os portugueses, não interpretasse ele Richard Webber no fenómeno “Anatomia de Grey” desde a estreia em 2005. 20 anos depois, a vida do ator mudou em vários aspetos. Um dos principais? Já consegue comprar uma sanduíche sem ter de se preocupar com o dinheiro, explica à NiT.

A 20.ª temporada da série chegou à STAR Life a 27 de março e deverá chegar à Disney+ antes do verão. Os próximos capítulos não fogem ao habitual e vão continuar a acompanhar o dia a dia dos médicos que trabalham no hospital Grey Sloan.

Há, porém, uma grande diferença: pela primeira vez, Meredith Grey, interpretada por Ellen Pompeo desde 2005, vai ter muito menos destaque. Meredith Grey, a sua personagem, trocou Seattle por Boston — uma decisão compreensível no contexto de todos os dramas que viveu na unidade hospitalar onde trabalhou anos a fio.

Richard Webber mantém-se e, como já nos habituou, vai continuar a ensinar os novos internos do hospital — sempre com muitos desafios pela frente. No final da temporada anterior vimo-lo a voltar a lidar com o alcoolismo que o assombrava nos primeiros capítulos. Este voltará a ser um tema recorrente nos novos capítulos.

Em conversa com a NiT, o ator de 69 anos falou sobre a forma como a série mudou a sua vida e o que podemos esperar da sua personagem.

No final da 19.ª temporada há um foco na sobriedade do Richard. Como foi revisitar essa história, isto porque foi uma parte muito grande das primeiras temporadas de “Anatomia de Grey”?
Tenho uma ligação especial com esta história. Para resumir, tenho casos próximos porque o meu pai lidou com o alcoolismo na parte final da sua vida e combateu este vício corajosamente até ter morrido. Tive oportunidade de fazer parte disto e usei a história como uma plataforma de lançamento emocional e enquanto ator para levar esta narrativa mais à frente. O que mais me orgulha é o facto de ter impactado muitas vidas. Nem consigo dizer quantas pessoas me abordaram no passado e que me agradeceram por esta história porque estão a recuperar do alcoolismo e de outros vícios. Dizem-me que esta storyline lhes deu um impulso e percebi que podia continuar a mudar vidas. Este tem sido um dos grandes benefícios da minha experiência. É isso que o storytelling devia fazer: impactar de uma forma ou de outra. Gosto de ver esta narrativa a voltar. O Richard, tal como todas as pessoas, pode ter uma recaída. Felizmente não a teve e percebeu que precisava de voltar para os Alcoólicos Anónimos.

Qual tem sido a sua parte favorita de representar ao lado de todos estes novos talentos que têm chegado à série?
É sempre muito divertido quando recebemos novos talentos. Ao longo de 20 temporadas tivemos muitos atores brilhantes a passarem por aqui. Agora temos este novo conjunto de internos. É bastante entusiasmante e dá-me muita energia olhar para eles e lembrar-me dos atores que tínhamos no início. Agora temos a oportunidade de apresentar novas pessoas maravilhosas ao mundo. Trazem uma nova energia muito boa à série, o que é sempre boa. Agora também temos uma nova geração de espectadores e o público têm algo que lhes é mais próximo e que vai ao encontro do que está a acontecer no mundo, tanto socialmente como politicamente e culturalmente. Estamos a tentar tocar em todos esses pontos através destes internos e eu espero poder ser um mestre das marionetas ao trabalhar com eles. Estou muito feliz por continuar nesta aventura.

Lembro-me de uma entrevista da Ellen Pompeo ao “The Hollywood Reporter” em que ela disse que na primeira temporada, com todo o sucesso, houve problemas culturais na série, muita rivalidade, competição e atores com comportamentos tóxicos. O que recorda desses tempos?
Não me lembro disso. Se isso estava a acontecer, acontecia quando eu estava noutro lugar qualquer. Acho que os primeiros anos foram uma montanha-russa. A série explodiu depois dos primeiros episódios. Não me lembro de nada parecido a algum tipo de rivalidade ou competição entre os atores. Nós queríamos só contar histórias de uma forma que fosse honesta e verdadeira para levarmos os espectadores numa viagem. Enquanto atores, ficamos totalmente investidos nos nossos papéis e lutamos por eles. Talvez tenha sido isso que a Ellen disse na entrevista. Nós lutamos pela integridade das nossas personagens e queríamos tornar aparente para os guionistas aquilo que nós achávamos ser o melhor.

Como é que a “Anatomia de Grey” mudou a sua vida e carreira quando se juntou a este projeto há 20 anos?
Agora posso comprar uma sanduíche e não preciso de me preocupar com isso. O mais evidente foram as mudanças económicas. Nunca tinha feito nada como a “Anatomia de Grey”. A série mudou a forma como olhávamos para a televisão. Fazer parte disto mudou a trajetória da minha carreira em mais formas do que aquelas que consigo contar. No início da série juntávamos 20 milhões de espectadores por semana. Nós entrávamos nas casas das pessoas e tornávamo-nos parte das suas famílias. Isso traduz-se para quando estamos na rua. Estamos a tentar viver a nossa vida e os fãs reconhecem-nos. Querem aplaudir o nosso trabalho, o que eu acho incrível. Permitiu aventurar-me nos meus próprios projetos e agora os executivos aceitam ter reuniões comigo só porque sou o homem da “Anatomia de Grey”. Ganhei este papel quando já era um homem maduro, tinha 50 anos e nessa altura papéis de destaque para uma pessoa mais velha eram bastante escassos. Ter algo assim naquela fase da minha carreira e continuar aqui após 20 anos tem sido uma bênção. Posso dizer que maior parte dos atores, independentemente da idade, não experiencia isto.

Carregue na galeria e conheça algumas das novas temporadas e séries que chegam às plataformas de streaming e canais de televisão em maio.

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