Televisão

Jimmy Carr voltou a ofender tudo e todos — agora com uma piada sobre o 11 de setembro

Depois da polémica por causa de uma piada sobre o Holocausto, o comediante britânico está novamente em apuros.
Ele não quer saber

Ei-lo novamente de voltas às polémicas. Jimmy Carr parece não se cansar embora, na verdade, o comediante britânico manteve-se fiel ao seu estilo arriscado e à sua comédia negra.

Desta vez, Carr está a ser alvo de críticas por causa de uma piada dita no seu set no festival de comédia da Netflix, que pode ser visto na plataforma. Em “The Best Of Netflix is a Joke: The Festival”, o comediante toca num tema sensível: os ataques terroristas de 11 de setembro de 2001.

“Podem achar que isto é parvo, mas garanto-vos que é absolutamente verdade”, começou por dizer. “Quando o Zayn deixou os One Direction, para mim, isso foi como o 11 de setembro.”

A afirmação foi recebida com algumas gargalhadas tímidas e hesitações. “Pois, também não me importei nada com isso”, rematou com a punchline. Antes que pudessem chegar mais reações, Carr interveio.

“Estou a reparar que há aqui uma divisão geracional. Há uns que olham para mim com ar de ‘meu, calma, é o 11 de setembro’. Outros olham-me como se dissessem ‘não invoques o nome dos One Direction em vão’.”

“Na verdade, era suposto eu estar num dos aviões do 11 de setembro”, acrescentou. “Mas a história mais interessante é a de como conheci o Osama [Bin Laden].”

A piada controversa vem na senda da polémica criada pelo comediante de 49 anos ainda em fevereiro, por ocasião do seu novo especial, “His Dark Material”. Nele, Carr decide fazer uma piada que envolve o holocausto, nazis e ciganos.

“Quando as pessoas falam sobre o Holocausto, falam sobre a tragédia e o horror de seis milhões de vidas de judeus, perdidas na máquina de guerra nazi”, diz. “Mas nunca falam sobre os milhares de ciganos que foram mortos pelos nazis.”

“Nunca ninguém fala sobre isso, porque nunca ninguém quer falar sobre a parte positiva”, finalizou o comediante britânico. A piada foi recebida com aplausos e silêncios constrangedores. A polémica surgiu apenas dois meses depois do lançamento do especial, mas provocou indignação generalizada.

Na altura, Carr fez questão de arrancar o espetáculo a abordar o risco das suas piadas e os pedidos de cancelamento que previa que pudessem acontecer. “O espetáculo de hoje contém piadas sobre coisas terríveis. Coisas essas que podem ter-vos afetado a vós ou a pessoas que vocês amam. Mas são apenas piadas. Não são as tais coisas terríveis.”

“Existe uma enorme diferença entre fazer uma piada sobre uma violação e violar alguém. Espero eu. Ou então vou ficar na prisão para o resto da minha vida.”

Sempre fiel ao seu estilo, esta não é sequer a primeira vez que Carr ousa tocar no tema do 11 de setembro. Fê-lo, surpreendentemente, num roast na televisão norte-americana, em 2016.

Na plateia estava Pete Davidson, comediante cujo pai, que era bombeiro, morreu durante o ataque terrorista. Carr subiu ao palanque e virou-se para o colega. “Fico horrorizado com o facto de tanta gente vir para aqui fazer piadas sobre o sacrifício heróico que o pai do Pete fez no 9/11. Isto não é um roast ao pai do Pete Davidson”, disse, antes de rematar. “Isso foi em 2001.”

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