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João de “Casados” é um bom machista que prefere confiar mais no amigo do que na mulher

O humorista e cronista Miguel Lambertini analisa o episódio deste domingo de “Casados à Primeira Vista”.
Dulce acusou João de ter demasiada roupa.

No episódio de ontem de “Casados à Primeira Vista”, o grupo recebeu dois novos casais: Cristina e Luís, e Bruno e Inês —que não podiam estar em pólos mais opostos. O casal mais jovem está in love e até já têm uma alcunha fofinha e tudo: Brunês. Já Cristina e Luís acabaram de chegar da lua-de-mel, mas aparentemente as coisas correram mal. Quando perguntaram a Cristina se estão a dar-se bem um com o outro, esta respondeu com um retumbante “não” e justifica: “ele é capitão, eu sou uma hippie, não vai resultar.” Cristina explica que não tem horas para nada, “sou artista, faço chapéus e detesto política”, diz respondendo ao desafio que Dulce lhe lançou em jeito de brincadeira: ser porta-voz da candidatura do seu marido João à Presidência da República.

Quem não está a gostar nada da vibração negativa deste novo casal é Bruno que tem medo que o rancor seja contagioso. “Eu estou com a minha mulher, vocês façam o que quiserem”, alertou Bruno. 

Entretanto, já durante o jantar, surgiu a famosa caixinha de perguntas. Uma delas era: “com que elemento do grupo gostaria de jantar a sós”? Dulce responde que gostaria de ter um encontro com Uicaã, o que deixou Doina bastante surpreendida. Uicaã ficou lisonjeado, mas achou que era prudente perguntar ao João se autorizava o encontro com a sua mulher. João acenou com a cabeça e disse “confio nele”. Como bom machista, João prefere confiar mais no amigo do que na sua mulher, porque caso acontecesse algo a culpa seria obviamente dela.

“1900, estamos em 1900” desabafa Cristina em tom de crítica ao assistir a este episódio digno de um romance de Eça de Queiroz. A designer não compreende a atitude do reformado e acusa João de ser antigo e retrógrado. Se calhar é por isso que o João quer ser presidente, porque na cabeça dele todas as mulheres são damas.

Para desanuviar um pouco o ambiente, os especialistas pedem a João que faça um elogio à mulher, e este não só aceitou com se esmerou: “gosto de tudo na Dulce…, mas ela tem ali um problema na cabeça”. É maravilhosa a noção que o João tem de um elogio, nem dá para imaginar o que dirá quando quiser fazer uma crítica. “Já disse que queria ir com ela à rua rosa”, explica o reformado quando lhe perguntam o que vai fazer com a mulher esta semana. “Quero mostrar-lhe coisas que passei lá. Tenho ótimas memórias, vi coisas incríveis, vi gente à porrada”. Que sorte teve o João de ter vivido os tempos áureos do Cais do Sodré, com marinheiros e prostitutas. Hoje uma pessoa vai lá e só consegue ver estrangeiros a tirarem selfies para o Instagram. 

Dulce acusa João de ter demasiada roupa, mas ele discorda. “Só tenho quatro cabides no roupeiro e o resto é tudo dele”, diz a empresária enquanto usa o exemplo para fazer uma nova crítica. “Esta semana fomos a um canil fazer uma doação e ele só queria dar 10 euros! Eu disse que isso não era nada e que ia dar cem euros, e ele, muito a custo, disse que então ia dar 20 euros.” João explicou que faz o que bem lhe apetecer com o dinheiro e se prefere gastá-lo em roupa, ninguém tem nada com isso.

Acho que o João tem razão, até porque 10 euros não dá sequer para uma lata de ração da Pedigree. Já em 1900, com o equivalente a 10 euros, o João compraria dezenas de jaquetas e chapéus de cano alto para passear de charrete no Cais do Sodré, enquanto se entretia a ver gente à porrada.

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